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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Museus e Mudança Social

Paulo Henrique Martinez é professor do Departamento de História da Unesp de Assis

Dia Internacional dos Museus – 18 de maio – foi instituído há 40 anos. Criado pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), trata-se de iniciativa destinada a promover instituições museológicas, acervos, coleções e o patrimônio cultural e natural em conjunto. Anualmente, museólogos, técnicos, pesquisadores, visitantes e o público interessado em exposições e atividades museológicas desenvolvem e participam de inúmeras atividades realizadas com esta finalidade ao redor do mundo.

Ao longo destes anos os museus ganharam grande visibilidade pública, aproximaram-se do cotidiano escolar e dos debates sobre temas da vida cotidiana. O patrimônio cultural e natural das sociedades tem sido amplamente divulgado e reexaminado por estudiosos, recebe tratamento técnico constantemente aprimorado pelas novas possibilidades no âmbito da conservação, das exposições e das pesquisas sistemáticas. Os benefícios institucionais e coletivos são inegáveis e alimentam as relações dos museus com diferentes públicos, de distintas gerações, condição social e graus de escolaridade.

Esta ampla abertura e contínua oferta de oportunidades para conhecimentos, lazer, ensino, pesquisa, informação e integração social renovam e fortalecem o direito à cultura, em geral, à memória e verdade histórica, em particular. Ao promover o debate e a reflexão da diversidade cultural e biológica existente no planeta, os museus e seus profissionais contribuem diretamente na realização da cidadania em países que, a exemplo do Brasil, são marcados pela pobreza, a discriminação e a violência social.

A abrangência e a multiplicidade de experiências alcançadas pela mobilização dos museus – em milhares de instituições, dezenas de países e milhões de pessoas – permitem conhecer o papel e o potencial desta instituição na mudança cultural e social programadas. São muitas e emblemáticas as ações, por exemplo, de movimentos indígenas que recorrem à linguagem museológica na reafirmação de suas identidades étnicas, na recuperação de elementos da vida material, social, simbólica e religiosa e, principalmente, na legitimação de direitos às terras ancestralmente habitadas.
Nas áreas urbanas a presença dos museus é numerosa e variada. As modalidades de expressão e as experiências na linguagem museológica para a preservação, exibição e difusão cultural envolvem diferentes segmentos sociais, conferindo identidade e originalidade à museologia praticada no Brasil. Esta crescentemente destaca-se pelas suas ações criativas, críticas e pedagógicas, cristalizando uma museologia social altamente qualificada e prestigiada nacional e internacionalmente.

O tema proposto para 18 de maio de 2017, Dia Internacional dos Museus, associa a memória e a criatividade, museus e mudança social. Nesta aproximação são apontados caminhos com os quais a comunidade de museus e seus agentes operacionais, em diferentes países, possuem reconhecida familiaridade. O destaque, sem dúvida, é o constante aprimoramento de desempenho na realização de ações educativas em museus.

O interesse pelas possibilidades educacionais nos museus alimenta a construção de estratégicas pedagógicas centradas no diálogo e na compreensão da diversidade cultural, física e biológica das sociedades humanas. A disponibilidade de recursos tecnológicos na comunicação e na difusão de conhecimentos e da informação alargou o campo e o foco de experimentação nos museus. As diferentes gerações contam na atualidade com múltiplas e dinâmicas formas de contato com o patrimônio cultural em todo o mundo. As relações entre o passado e presente tornam-se mais evidentes, perceptíveis e elucidativas.

A vitalidade educativa e de comunicação dos museus proporciona outras relações com os espaços habitados ou não, aproximando os museus e a museologia de territórios e de grupos sociais diversificados, como terras indígenas, favelas e comunidades rurais e longínquas áreas naturais do planeta, como as regiões polares, florestas e desertos e suas populações. As questões do meio ambiente, da sustentabilidade, da cooperação técnica interinstitucional e internacional conhecem amplitude e difusão sem precedentes, qualificando os debates e promovendo a participação social em escala mundial.

O acesso às instituições e interpretações do patrimônio assegurado pelas tecnologias de comunicação e as estratégias pedagógicas seguidamente renovadas fizeram dos museus ambientes dinâmicos, interativos e reflexivos, estabelecendo diálogos multifacetados nas escolas e universidades, nas comunidades rurais e urbanas, em grandes e pequenas cidades.
Sucessivas e criativas mudanças alcançam a valorização social e a conservação técnica de acervos e de espaços museológicos. Objetos e coleções, edifícios, instalações e equipamentos, são alvo de ações administrativas, técnicas e científicas que animam o trabalho de profissionais e ampliam os interesses do público espontâneo e organizado dos museus. A mudança social induzida torna-se mais palpável em conexão com museus.

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