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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Trilhos revelam belezas do subúrbio ferroviário


Salvador tem muitas caras. Os contrastes sociais da cidade podem ser vistos em todos os lugares. Especialmente pelas pessoas que enfrentam todos os dias os trilhos que levam até o subúrbio ferroviário. Essas pessoas são conhecidas por um nome: O Povo da Maré. Elas tiram da beleza da paisagem vista pela janela do trem, forças para a luta diária e alegria de viver.

A mais importante estação ferroviária de Salvador foi construída em 1860. Naquela época, a capital tinha 311 anos. A estação foi criada para o transporte de carga até o Rio São Francisco, na região de Paulo Afonso. Hoje, a Estação da Calçada é o ponto de partida da linha de trem que liga apenas os bairros da Cidade Baixa ao subúrbio ferroviário.

Quando os vagões chegam, trazem uma grande multidão apressada, sem tempo para observar a velha estação, uma obra construída pelos ingleses. Eles foram os primeiros a ganhar a concessão para explorar a linha. Edmilson nasceu no bairro de Plataforma e usa o trem todos os dias. No caminho de volta para casa, o que ele vê da janela é uma Salvador cheia de contrastes.

Casas construídas em terrenos invadidos. O mar com toda a sua exuberância. Barcos de pesca e outros de passeio. No túnel de Paripe, o trem encontra a escuridão e, ao fundo, as áreas nobres da cidade vão ficando distantes, mas não despertam nenhuma inveja no segurança Edmilson Santos. “Eu não troco o meu subúrbio por outro lugar. Nasci aqui e vou morrer aqui”.

A estudante Mariana Gomes se orgulha da cidade onde nasceu. Ela mora no subúrbio ferroviário há quatro anos. Toda vez que pega o trem enxerga uma Salvador diferente. “Você encontra uma paisagem muito bonita, mas também vê um povo que sofre, que luta para sobreviver”.

Quem vê tudo isso de frente é Genielson Lopes. São 19 anos operando os vagões. Mas nem a beleza da viagem tira a atenção do maquinista, que trabalha com as mãos e um dos pés, que faz soar a buzina do trem. “Já consegui evitar vários acidentes”.

Aos poucos, o trem vai enchendo. São pessoas que enfrentam meia hora de viagem até Paripe. Todas têm uma afinidade em comum. Por aqui, elas são conhecidas como O Povo da Maré. Quem pega o trem do subúrbio embarca numa viagem cheia de surpresas. Essa gente criada na Maré, por onde passam os trilhos, tem um jeito próprio de enfrentar as dificuldades.

A luta do dia-a-dia começa no balanço do trem, onde cada uma dessas pessoas vai em busca de seus espaços, na terceira maior capital do país. Às vezes o ganha pão é defendido ali mesmo, dentro dos vagões. O sanfoneiro toca para ganhar uns trocados e recebe elogios. “O sanfoneiro é motivo para a animar as viagens”, declara um morador.
*Com informações do BMD

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