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domingo, 2 de julho de 2017

Grupo pede a revisão da obra de canalização do rio Jaguaribe na festa do 2 de Julho

Liminar na justiça determinou a suspensão da obra, mas a mobilização pela revisão completa do projeto continua

Seguindo em mobilização, um grupo de ambientalistas, técnicos, moradores e surfistas pedirá nesse 2 de julho a revisão do projeto de canalização do rio Jaguaribe pelo governador Rui Costa. A concentração para o protesto acontecerá às 8h no Largo da Soledade e o grupo seguirá com o cortejo da festa entoando as palavras de ordem "Revisa, Governador Rui Costa".

A canalização está sendo questionada na justiça e foi paralisada essa semana por uma liminar da 1ª Vara da Justiça Federal, mas como a decisão pode ser revertida, o grupo segue pedindo a revisão da concepção da intervenção. O projeto de macrodrenagem do rio Jaguaribe vai concretar as margens e, na maioria dos trechos, impermeabilizar o leito de 10 km do rio Jaguaribe e de 5 km do rio Mangabeira.

Especialistas afirmam que essa é uma obra de grande impacto e deve acabar com a dinâmica natural do rio, pois vai suprimir a vegetação de suas margens, diminuir consideravelmente sua fauna e os organismos que vivem no substrato de seu leito, a chamada fauna bentônica.

Impactos também são esperados na foz do rio, na praia da terceira ponte, em Piatã, uma das preferidas dos surfistas de Salvador. Com a canalização, um volume maior de água poluída deve chegar ao local e pode tornar o mar impróprio para banho. O exemplo vivo e triste do que pode acontecer no Jaguaribe está no rio Camurujipe, também canalizado e transformado em um grande fluxo de esgoto que inviabiliza o uso da praia do Jardim dos Namorados.  

As obras nos rios Jaguaribe e Mangabeira são executadas pelo Governo do Estado, através da Conder e estão diretamente associadas à canalização dos seus afluentes Trobogy e Passa Vaca, já executada pela prefeitura de Salvador.

Falta diálogo com a comunidade e com os técnicos
Segundo Lafayette Luz, professor da UFBA especialista em águas, o projeto tem o objetivo de combater inundações no Bairro da Paz e na avenida Orlando Gomes, mas parte de uma concepção ultrapassada e pouco sustentável, buscando fazer as águas correrem mais rápido rumo ao mar. Segundo ele, com isso, a tendência é transferir o problema das cheias para outro ponto, já que se aumenta a quantidade de água escoada simultaneamente e se diminui a capacidade de absorção do solo. Já as técnicas mais modernas buscam reproduzir o ciclo natural do rio, aumentando as áreas permeáveis e propondo armazenamento temporário em diferentes pontos da bacia até que as águas possam escoar sem prejuízos. Essas técnicas têm menos impacto nos ambientes naturais e são mais baratas.

Desde 2014, moradores e técnicos procuram conhecer o projeto e interferir em sua concepção. No entanto, a primeira reunião para compartilhar informações e discutir o projeto só aconteceu após a pressão de uma manifestação pública com cerca de 300 pessoas no dia 04/06. Nos dois encontros realizados até agora, o governo insiste que é impossível mudar a concepção do projeto, que está orçado em R$273 milhões.

No dia 20 deste mês foi entregue ao governo uma nota técnica do Mestrado em Meio Ambiente, Águas e Saneamento da UFBA que condena o projeto e cita 14 pontos problemáticos. Ainda não houve resposta do governo nem da Conder. Enquanto o diálogo não avança, o trecho final do Jaguaribe, na orla, já sofre com a retirada de vegetação para a abertura de acesso ao rio.

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