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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Congelamento de óvulos é mais eficaz em mulheres de até 35 anos

Até essa idade, 15 óvulos representam 30 % de chances de levar um bebê para casa. A partir dos 40, média necessária passa a ser em torno de 40 a 50 óvulos e as chances ficam em 12%

Mulheres abaixo dos 35 anos e com boa reserva de óvulos têm maiores chances de serem mães quando comparadas às de 40 anos em diante. Isso porque até os 35 anos as que congelam óvulos maduros para preservação necessitam, em média, de 15 óvulos para obter em torno de 30% de chances de sucesso no tratamento. Nas acima dos 40, essa média sobe para cerca de 40 a 50 óvulos e as chances de concepção se reduzem sendo que 12% delas conseguem ter seus bebês.

À medida em que os anos passam, a reserva ovariana (‘estoque’ de óvulos) a serem fertilizados – tende a se tornar menos propensa à fertilização porque a qualidade e a quantidade de óvulos produzidos diminui, provocando, em muitos casos, a necessidade de acompanhamento especializado para evitar ou contornar a dificuldade de ter sua prole. Por isso, as mulheres que desejam engravidar precisam pensar no planejamento da sua gestação dando preferência às tentativas naturais.

“A reprodução assistida é uma possibilidade, mas não deve ser a primeira. O ideal é que a mulher que quer conceber avalie a sua fertilidade ao longo da vida e se prepare para o momento da gravidez, explica Hitomi Nakagawa, especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).

De acordo com ela, o avanço da tecnologia possibilitou o desenvolvimento de métodos e tratamentos de reprodução assistida que contribuem para o sucesso da fertilização. Todavia, essas técnicas não devem preceder a opção pela gestação natural. “Elas devem ser uma alternativa aos casos em que a gravidez não tenha sido possível. O congelamento de óvulos, a inseminação intrauterina (IIU), a fertilização in vitro (FIV) e a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) são alguns exemplos”, detalha a médica.

PARA QUEM – O congelamento de óvulos é indicado para mulheres que desejam prorrogar a maternidade ou que necessitam de tratamentos em decorrência de problemas de saúde, como procedimentos cirúrgicos, radioterapia ou quimioterapia. O método preserva os óvulos que se degenerariam caso não fossem conservados sob congelamento por meio das técnicas de reprodução assistida.

Segundo Hitomi Nakagawa, “no momento adequado, após estimular os ovários com hormônios, esses folículos (pequenas bolsas que contêm os óvulos) podem ser puncionados sob sedação e monitoramento ultrassonográfico para resgatar o

máximo de óvulos a serem acondicionados, identificados e mantidos congelados para utilização quando a mulher desejar. A Resolução 2121/2015 do Conselho Federal de Medicina determina que até os 50 anos a mulher pode passar por procedimento de reprodução assistida”, informa.

SAÚDE E RESERVA OVARIANA – Há fatores que podem contribuir com o bom funcionamento do sistema reprodutor, como, por exemplo, ter uma boa qualidade de vida associada a alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, abstenção do tabagismo e do abuso de álcool.

“Esses são hábitos saudáveis que podem ajudar a diminuir a queda precoce da reserva ovariana. Contudo, o componente genético também pode interferir na saúde reprodutiva, além do próprio envelhecimento do corpo. Como a redução da quantidade de folículos e a deterioração progressiva da qualidade dos óvulos são inevitáveis, não é possível falar em melhora da reserva ovariana com criação de óvulos. Mas há técnicas que podem minimizar essa perda de quantidade e qualidade”, finaliza Hitomi Nakagawa.

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