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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Beber localmente: o que isso quer dizer?

Optar por cervejas feitas com ingredientes regionais é mais sustentável do que favorecer produtores regionais



“Beber localmente” é uma expressão que ganhou popularidade nos últimos tempos, entre os consumidores de cerveja. Significa priorizar a cerveja produzida perto do local da compra.             
A cultura do “local” – que se aplica às bebidas, à comida e a qualquer bem de consumo – traz dois grandes benefícios. O primeiro é o fomento à atividade econômica regional, o que mantém a circulação de dinheiro e a geração de empregos nos limites da comunidade. O segundo benefício, menos óbvio, diz respeito à sustentabilidade ambiental. A produção local, em tese, usa insumos locais. Menos transporte, menos emissão de poluentes.

Quando se fala de cerveja, a produção local em pequena escala dificilmente atinge níveis satisfatórios de sustentabilidade. Em especial no Brasil: somos um território tropical, e a cerveja é uma bebida criada em países de clima frio. O lúpulo precisa ser importado. O fermento é importado. Mas esses são ingredientes que entram em pequena quantidade na cerveja. O problema está no malte. A cevada é um cereal que não gosta de calor, portanto a safra nacional está muito aquém da demanda de malte das cervejarias. Quase todo o malte usado nas pequenas cervejarias é importado.

O que resolve esse problema? Dar preferência aos ingredientes realmente locais. No Japão, é o arroz. Na África, é o sorgo. No Brasil, é o milho. Todos entram na composição da cerveja nesses países. Geralmente, nas receitas das grandes cervejarias. Elas também proporcionam o primeiro benefício da produção local: a fabricação próxima ao ponto de venda.

Conheça a seguir a origem de alguns ingredientes cervejeiros.



Cevada

As leis de quase todas as nações exigem um percentual de malte de cevada na cerveja, portanto é difícil escapar dele. O maior produtor mundial de cevada maltada é a Alemanha (fonte). Dos outros quatro campeões de produção, três são países tradicionalmente cervejeiros: Reino Unido (2º.), Bélgica (4º.) e República Checa (5º.). O Brasil não é autossuficiente no cereal – importa bastante dos vizinhos Uruguai e Argentina –, mas possui respeitáveis áreas de plantio na Região Sul

Trigo

Mesmo nos países que plantam muita cevada, a produção de trigo é sempre maior – por causa do pão, é claro. Na Alemanha, ela equivale a mais que o dobro da safra de cevada. A colheita belga de trigo é o quíntuplo da produção de cevada. Não por acaso, esses países são berço dos dois estilos mais clássicos de cerveja de trigo: a weissbier bávara e a witbier belga.

Milho

Cereal originário da América tropical, o milho se adaptou a quase todos os climas. Os Estados Unidos são os maiores produtores. O Brasil é o terceiro do ranking (fonte). Assim, é natural que esses países recorram ao milho para a produção cervejeira. O cereal traz uma vantagem extra para um lugar de clima quente como o nosso: reduz o corpo da cerveja, tornando-a mais leve e refrescante. E não precisa ter medo do milho transgênico. Nas marcas mais tradicionais do Brasil – Skol, Brahma, Antarctica, Bohemia e Original – você pode ter certeza de que ele não entra.

Sorgo

Quase desconhecido no Brasil, este cereal é vital para as economias africanas. Em países como a Nigéria – terceiro maior produtor (fonte) –, o sorgo é largamente empregado na fabricação de cerveja. Inclusive em marcas internacionais.

Arroz

O grosso da produção de arroz se concentra, é claro, na Ásia – especialmente na China (fonte). É também um cereal indispensável para os indianos e japoneses. Nesses três países, muitas marcas de cerveja incluem o arroz entre os ingredientes. Os Estados Unidos também são grandes produtores e usam arroz na cerveja.

Lúpulo

É uma planta trepadeira que exige condições climáticas muito específicas para produzir bem. Os Estados Unidos são os maiores produtores, seguidos pela Alemanha (fonte). Ambos os países usam quase toda a safra na fabricação de cerveja. Os americanos se tronaram especialistas em desenvolver variedades aromáticas de lúpulo, o que se reflete em suas IPAs e APAs. Inglaterra, República Checa e Eslovênia são outros importantes produtores.

Frutas tropicais

Nenhum país supera o Brasil nesse ponto. Todo estrangeiro que visita o país se deslumbra com a nossa variedade de frutas. A novidade é que isso tem sido incorporado à produção de cerveja, com rótulos que levam caju e graviola, por exemplo. Em Agosto deste ano, uma cerveja de graviola ganhou o título de melhor Pale Beer Cream Ale do mundo, no Oscar da Cerveja - World Beer Awards 2017.

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