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sábado, 25 de novembro de 2017

SSA: Embasa despeja esgoto sem tratamento no mar há dois anos

Talvez você se lembre da imagem de uma mancha escura no mar do Rio Vermelho, em março do ano passado. Na ocasião, um acidente com um ônibus provocou a interrupção de energia na Estação de Tratamento de Água do Lucaia e, em dois dias, a Embasa acabou despejando 756 milhões de litros de esgoto sem tratamento na praia. O odor pode não incomodar mais, mas o problema não deixou de existir. Segundo a Polícia Federal (PF), a Embasa vem lançando esgoto sem tratamento – ou bruto, como é o termo técnico – no mar há mais de dois anos. 

“A gente foi instaurar o inquérito para averiguar o que tinha acontecido naquela época, mas percebemos que o caso era mais grave”, afirmou o delegado Fernando Berbert, responsável pela Operação Águas Limpas, deflagrada nesta terça-feira (14), justamente para investigar se a empresa vem cometendo crime ambiental. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão – três em Salvador, na sede da Embasa, e outros dois no Rio de Janeiro e em São Paulo – para localizar documentos relativos à investigação. Os mandados, deferidos pela 17ª Vara Federal, foram solicitados depois que a PF requisitou os documentos e a Embasa negou. De acordo com o delegado, só no ano passado, foram dois pedidos negados. O quadro em março de 2016 indicava que, devido à falta de energia, o esgoto estava sendo despejado diretamente na praia do Rio Vermelho, sem passar pelo emissário submarino, que tem 2,35 quilômetros de extensão. 

O emissário, que é chamado também de Sistema de Disposição Oceânica (SDO), é quem leva o esgoto – já tratado – para dispersão em águas oceânicas, a 27 metros de profundidade. Antes disso, o esgoto passa justamente pela tal estação de tratamento de água. Só que, de acordo com a PF, desde outubro de 2015, esse esgoto não é tratado e continua assim. Dessa forma, tudo que tem caído no mar – mesmo que a mais de dois quilômetros de extensão da costa – é exatamente o esgoto doméstico. No caso do emissário do Rio Vermelho, mais especificamente de 60% da cidade. 

"A equipe da perícia mostrou que esse sistema estava inoperante meses antes de isso acontecer”, diz o delegado Berbert. Segundo a perícia da Polícia Federal, a bomba que deveria fazer a elevação do efluente, permitindo o escoamento do esgoto estava inoperante. Ou seja: com essa bomba sem funcionar, o esgoto não passa pelos processos obrigatórios de tratamento, como o gradeamento, peneiramento e caixa de areia. Considerando que o emissário bombeia 8,3 mil litros por segundo, de outubro de 2015 para cá, significa dizer que a o órgão de saneamento despejou mais de 330 bilhões de litros de esgoto no oceano. Com informações do Correio 24hs

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