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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Festival de Cachaças Artesanais começa na próxima terça-feira


Festival Moagem

“Harmonizar com Arte de Alambique”

Cachaças Artesanais Baianas são tema de festival em Salvador

De 12 a 17 de dezembro, Salvador vai experimentar o que há de melhor no mais antigo produto desenvolvido em território brasileiro, a cachaça. O Festival Moagem – “Harmonizar com Arte de Alambique” – acontece em seis restaurantes da cidade tendo as cachaças artesanais como tema e com destaque para os produtos de alta qualidade produzidos na Bahia. Pratos especiais produzidos com cachaça pelos chefs de cada casa, drinks e doses das melhores marcas baianas, serão acompanhados das dicas e orientações da Cachacière (uma sommelière dedicada a cachaça) Isadora Bello Fornari, uma das mais requisitadas especialistas no assunto em todo o país.

O Moagem é uma realização da importadora de Cachaças Espanhola Engenho Brasil, liderada pela hispano-baiana Presentación Gonzalez e seu sócio, o turismólogo Cássio Carmo, ambos aficionados pela arte dos alambiques. A ideia é valorizar a principal bebida nacional e elevá-la ao patamar dos grandes destilados mundiais entre os próprios brasileiros. Participam da programação restaurantes de diversos estilos gastronômicos, a fim de demonstrar a versatilidade da cachaça nas mais diversas apresentações e combinações harmônicas, bem como a possibilidade que o destilado tem de agradar a uma ampla gama de consumidores.

O público vai poder escolher entre o consumo avulso ou participar do jantar harmonizado e orientado por Isadora Bello Fornari, para aprender as melhores formas de apreciação da cachaça e sobre a sua harmonização com os alimentos e outras bebidas. Os integrantes do Festival, na sequência do roteiro a ser seguido por Isadora, são: o Pysco, no bairro do Santo Antônio; Amado, no Comércio; Origem, na Pituba; Porto Bardawe, no Imbuí; e Santa Maria, Pinta y Nina, no Largo de Santana, Rio Vermelho.

Para acompanhar o jantar exclusivo, que inicia sempre às 20 horas, é necessário inscrever-se previamente. A cada noite, Isadora visitará um dos restaurantes participantes e receberá apenas 20 pessoas. É possível também comprar um pacote para acompanhar todo o roteiro ao longo dos seis dias de evento. Durante as tardes, o Moagem vai levar Isadora para treinar as equipes de atendimento dos restaurantes e qualificá-las com informações sobre a bebida como história, método de produção,

modos de servir, vocabulário específico, análise de qualidade, e a própria harmonização.

“Não tem nada melhor para compreender um lugar e sua história do que prová-los em forma de comida e bebida, porque isso amplia a nossa percepção para outros sentidos além da visão e audição e nos permite fazer essa leitura e decodificação também pelo tato, paladar e olfato”, defende Isadora. Descobrir a complexidade da cachaça é uma experiência que lhe permite perceber como os sabores contidos na bebida podem ser ressaltados ou escondidos. Durante a degustação, Isadora vai destacar fatores como o dulçor, acidez e amargor e como sua combinação impacta no sabor final.

CACHAÇA ARTESANAL

Para Presentación, idealizadora do projeto, há ainda muito preconceito com o destilado no Brasil e em especial na Bahia, mas por mera falta de informação. “Nosso país desenvolveu uma bebida única, de elevado padrão técnico, sofisticada e rica de sabores e de história. Criamos o Moagem justamente para enaltecer a Arte dos alambiques e expandir o reconhecimento de sua qualidade e seus atributos. A cachaça artesanal deve ser uma opção natural do brasileiro”, avalia.

A Cachacière Isadora conta que a cachaça é o único destilado que possui mais de 20 madeiras para ser armazenada e envelhecida. “A maioria das bebidas conta apenas com os barris de carvalho, nós temos essa diversidade que não encontra similar no mundo”, explica ela, que lembra que o cálculo não considera as madeiras que estão sendo estudadas. Somente na Amazônia são mais de duas mil. Para ela, é mais do que uma discussão sobre a variedade de sabores, “trata-se da própria expressão cultural de nosso país e de como nós brasileiros somos capazes de olhar para ele”.

As regiões baianas que mais se destacam em produção de boas cachaças são a Chapada Diamantina e o Litoral Sul do estado, nos territórios das Costas do Cacau e do Descobrimento. A importância se dá principalmente pela quantidade de rótulos organizados para o mercado, com diversidade de rótulos e vendas em grande quantidade. Mas de modo geral, vale ressaltar que “produtor de boa cachaça artesanal não é qualquer um que tenha um treco de terra e uma muda de cana”, como lembra Presentación.

O Festival Moagem dará destaque a cinco cachaças baianas, todas de produção artesanal e com grande relevância no mercado nacional. São elas: Serra das Almas, Chapada Diamantina, Caraguataí, Matriarca e Abaíra. “A Bahia é um dos berços da cachaça e um grande produtor nacional. A história dessa bebida também passa por

aqui, pelas monoculturas canavieiras do recôncavo”, lembra Cássio Carmo, sócio da Engenho Brasil. “Com o Festival, queremos incentivar tanto produtores, como comerciantes e consumidores; mostrar como o negócio das boas cachaças é rentável e estabelecer um circuito de referência para a degustação de bons produtos”, aponta.

MOAGEM – CACHAÇAS PARTICIPANTES

· SERRA DAS ALMAS – Produzida na cidade de Rio de Contas, na Chapada Diamantina, foi a primeira no país a receber o selo de orgânica. Eleita a melhor cachaça do país em 2011 pela revista VIP, é exportada para países como Alemanha, Inglaterra e, mais recentemente para a Espanha.

· MATRIARCA – É produzida na Costa do Descobrimento, município de Caravelas. Todos os seus rótulos estão entre os 250 selecionados para a primeira fase do concurso “Cúpula da Cachaça 2017”, que pontua as mais lembradas pelo voto popular. A Matriarca se destaca ainda por ser a primeira envelhecida em Jaqueira do Brasil. A marca desenvolve estudo de madeiras renováveis para envelhecimento da cachaça, já a Umburana e o Jequitibá (comuns no processo de envelhecimento) podem levar até 400 anos para crescerem (uma Jaqueira leva no máximo 80 anos). Além disso, eles possuem também sua própria produção de barris, algo raro entre os alambiques (na Bahia eles são os únicos).

· ABAÍRA – É produzida na cidade de mesmo nome, na região da Chapada Diamantina e destaca-se, além da qualidade e do grande volume fabricado, por sua forma cooperativa de produção. É hoje um dos principais artigos produzidos no município e gera renda para diversas famílias locais.

· CARAGUATAÍ – É da região de Jussiape, também na Chapada, próxima a Abaíra. Menos “famosa" que as outras, foi convidada a participar pela excelência com que esse Mestre Alambiqueiro, um pequeno produtor que herdou a tradição de família, desenvolve o seu produto. Interessante destacar também o fato de que ele usa a madeira de Garapeira para envelhecer e saborizar sua cachaça.

· CHAPADA DIAMANTINA – Também da região de Jussiape é envelhecida em barris de Carvalho e “filha” da COOAPAMA – cooperativa dos produtores de Abaíra. Merece destaque por sua pequena produção selecionada, produzida e fiscalizada pessoalmente por seu produtor.

PERFIL

Isadora Bello Fornari

Apaixonada pelos sabores do Brasil, a paulistana Isadora Bello Fornari tem a cachaça como veículo para apresentar as riquezas de seu país. Sempre interessada em novas experiências, busca aprender cada vez mais com os melhores profissionais brasileiros da gastronomia, como Ludmila Soeiro, Alex Mesquita, Rodrigo Oliveira, André Mifano, e fundou com Jean Ponce (ex- D.O.M.) a “Rosário”, empresa de consultoria especializada em serviço de bebidas.

Pós-graduada em marketing pela ESPM e formada pela ESALQ-USP em tecnologia da Cachaça e Análise Sensorial, desenvolve consultoria especializada, cartas de cachaça, workshops, eventos e harmonização, apresentando a cachaça e história aos consumidores em linguagem acessível e democrática. Busca se envolver e colaborar com as mais diversas manifestações sensoriais do Brasil. Em sua trajetória, Isadora já passou por lugares como Senac, Bacardi Brasil, Sagarana, Mapa da Cachaça, Destemperados, Mocotó e Globosat (na primeira série sobre cachaças, intitulada Bendita Marvada) e tem como clientes empresas como a Tim, McCann UK, Eataly, SlowFood, Apex, Aprazível, Galeto Sat’s e Copacabana Palace.

PERFIL

Presentación Gonzalez

Nascida em Salvador de pais galegos, Presentación sempre esteve entre a europa e a Bahia. Com doutorado em Antropologia Filosófica pela Universidade de Santiago, na cidade espanhola, foi pelo seu trabalho como bailarina e professora de Danza Flamenca que “Pré” ganhou o mundo e tornou-se conhecida em Salvador, com a Companhia Farrucos.

Apaixonada por Cachaças Artesanais e à frente do restaurante “Santa Maria, Pinta y Nina”, no Rio Vermelho, notou uma certa indiferença com que os baianos tratam a principal bebida tipicamente brasileira. Ela acredita que o preconceito se deve ao baixo acesso a produtos de qualidade, inclusive baianos. “Por muito tempo ficamos reféns das distribuidoras de cachaças industrializadas, de baixo padrão técnico e sabor duvidoso. Felizmente, tem crescido o número de restaurantes que servem boas cachaças baianas. A cachaça artesanal deve ser uma opção natural para nós”, avalia.

Presentación foi responsável pelo primeiro Clube da Cachaça de Salvador, com mais de 40 rótulos selecionados e organização de encontros mensais de degustação. Em contato com turistas de diversos lugares, sobretudo da Europa, ela teve a ideia de

apresentar a Cachaça de maneira diferente, embebida em informações culturais e técnicas, como tipos de envelhecimento e armazenamento, sabor e qualidade. Discutiu impressões e comparou o destilado brasileiro com os de outros países, de modo a mapear a receptividade da cachaça para o paladar europeu, em um levantamento que contou com depoimentos de mais de 5.000 estrangeiros. Daí surgiu a ideia de trabalhar com o produto fora do país.

PERFIL

Engenho Brasil

Nascida na paixão pela Cachaça Artesanal, sua produção e sua história, a Engenho Brasil é uma importadora de Cachaça na Espanha com um objetivo bem específico: apresentar a história, arte e cultura do Brasil em um só produto: a pura cachaça artesanal. A partir da atuação de seus sócios fundadores, Presentación Gonzalez e Cássio Carmo, dois aficionados pelo produto, a Engenho Brasil já vem atuando de forma a valorizar o destilado nacional a partir do treinamento das brigadas de restaurantes, participação em feiras, cursos e exposições. A Engenho Brasil executa ainda pesquisas para composição de acervo próprio com visitações a engenhos ativos e ruínas de Engenhos históricos no Recôncavo Baiano – a partir do trabalho prévio de Cássio, que é professor e especialista no patrimônio dessa região da Bahia.

SERVIÇO:

Festival Moagem – Harmonizar com Arte de Alambique

De 12 a 17 de dezembro – Salvador

Cachaças Artesanais Baianas: Serra das Almas, Chapada Diamantina, Caraguataí, Rio do Engenho e Abaíra

Realização: Engenho Brasil - Importadora e Exportadora de Bebidas

JANTARES HARMONIZADOS (ROTEIRO):

12/12 – Pysco (Santo Antônio Além do Carmo)

13/12 – Amado (Comércio/ Contorno)

14/12 – Origem (Pituba)

15/12 – Porto Bardawe (Imbuí)

17/12 – Santa Maria, Pinta y Nina (Rio Vermelho)


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