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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Subsecretário de saúde alerta para diagnósticos errados de microcefalia

O aumento do número de casos de microcefalia, doença relacionada ao vírus Zika, tem causado preocupação na comunidade médica e no governo. Em entrevista na manhã desta quinta-feira (11), o subsecretário de Saúde da Bahia e médico infectologista, Roberto Badaró, alertou para os casos de diagnóstico errado da doença.

"A gente precisa dar a população a dimensão que essa epidemia do Zika tem seus ciclos, e a gente precisa entender quando fala de microcefalia e não colocar na conta do Zika todos os casos de microcefalia. A primeira coisa que temos que prestar atenção é que aprendemos agora a ver isso. Nos EUA tem aproximadamente 25 mil crianças por ano com microcefalia, seis em cada mil crianças podem ter isso. Temos os mesmo índices no Brasil. A primeira coisa é aprendermos a notificar a microcefalia e depois vem o que significa isso. Microcefalia não é doença, é um sinal. A gente diz que a criança é microcéfala medindo o perímetro microcéfalo”, explica.

Segundo Badaró, os médicos adotam alguns critérios para detectar a anomalia, mas é preciso estar atento. “Se ela nascer com um perímetro igual a 33 cm é microcéfalo. Nós baixamos para 32 cm e revimos isso, ainda sim, nós temos 110 mil crianças com 32 cm que serão normais. As curvas mais sensíveis dizem que microcéfalo tem que ser olhado em relação ao sexo. Para menino a medida é de 31.9 cm e para menina 31.5 cm para ser microcéfalo. Tem criança que está sendo chamada de microcéfalo e é normal. O certo é medir o perímetro 48 horas depois do parto, porque no parto normal a criança nasce com a cabeça achatada", alerta.

O médico ressalta ainda os tabus que são impostos nas crianças diagnosticadas com a microcefalia. "Eu gosto de ter as informações, é uma doença nova, temos que ver. Microcefalia não é uma uma novidade, e não necessariamente é doença. A criança que tem microcefalia e apresenta um defeito cerebral tem que ser estimuladas rapidamente para não ter retardamento. A grande maioria vai ter uma vida normal se não tiver nenhuma doença ligada à microcefalia. No Brasil não é diferente, existem milhares de crianças microcéfalas que têm uma vida normal, a gente colocou muita carga de coisas negativas em cima da microcefalia", pontua.

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