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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Artigo: Bingo!


Bingo!

O filme nacional 'Bingo, o rei das manhãs!' pode ser considerado um acerto do diretor Daniel Rezende sob vários aspectos. Um deles,- e o que certamente mais interessa aos amantes da arte- seja qual for a sua manifestação - é a forma como é tratada a discussão da fama e do anonimato numa sociedade cada vez mais competitiva.

A obra é uma cinebiografia de Arlindo Barreto, um dos intérpretes de Bozo no célebre programa matinal homônimo da TV brasileira nos anos 1980. O palhaço chegou a bater a TV Globo em audiência, mas, por contato com a matriz americana, jamais poderia revelar a sua identidade.

A máscara escondia um ator com um relacionamento profundo com a mãe, atriz decadente e jurada de programas de auditório de TV; e com o filho, que tinha um par famoso, mas que passou a não lhe dar atenção imerso num círculo de cocaína e crack. O mais impressionante, porém, é que antes da queda, houve uma ascensão baseada na criatividade.

Partir do modelo americano e dar-lhe uma ginga nacional, fugindo das formatações rígidas e das piadas sem graça era o desafio. Num mundo politicamente correto em que arriscar é cada vez mais difícil, o filme traz um suspiro, enche nosso pulmões de ar e nos renova. Auxilia a manter a motivação alta e a fugir do óbvio para voar para a incerteza.

Oscar D'Ambrosio, Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais, atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp.

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