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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Artigo: Fim da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti

O fim da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH) no último dia 15 de outubro suscitou esse debate acerca do próximo envolvimento do Brasil em uma operação de manutenção da paz da ONU. Isso porque a atuação no Haiti foi um marco muito expressivo, foi um verdadeiro ponto de inflexão na participação brasileira nessas Missões. 

Ao longo dos 13 anos da Missão, foram enviados ao Haiti mais de 37 mil homens e mulheres. Sem contar que o fato de terem sido apenas generais brasileiros a exercerem o cargo de Force Commander de todos os militares presentes no Haiti sob o âmbito MINUSTAH foi algo muito significativo. Foi algo sem precedentes em toda a história das operações de paz da ONU.

Nessa conjuntura, dois dos principais locais que têm sido aventados como possíveis novos destinos de efetivos brasileiros são: a República Centro-Africana e o Líbano. 

Mas um ponto importante a ser destacado é que o Brasil já participa de ambas as missões. Tanto da MINUSCA Missão Integrada Multidimensional das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA) com 6 especialistas e 2 militares. Quanto da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), com 269 militares.

A questão, portanto, não é dar início a uma participação brasileira nessas missões, mas sim enviar efetivos em maiores proporções e tornar mais robusto o envolvimento brasileiro nesses dois locais. Tanto que o Brasil participa atualmente de outras sete operações de manutenção da paz da ONU além da MINUSCA e da UNIFIL, mas o grande debate gira em torno de quem ocuparia o lugar do Haiti.

A atuação do Brasil na UNIFIL representa o quarto maior envolvimento do país em operações de paz da ONU dentre todas as Missões que o Brasil já participou, então do ponto de vista da praticidade, um maior envio de efetivos brasileiros para o Líbano poderia ser mais interessante. Em especial pelo fato de o Brasil atualmente exercer o comando da Força-Tarefa Marítima no Líbano. E foi o primeiro país não membro da OTAN a exercer esse posto, que antes pertencia à Itália. Então já exercer um cargo de liderança na Missão pode ser interpretado como atrativo para esse maior envolvimento.

Com relação a MINUSCA, existe uma questão geográfica que alguns apontam como entrave que é o fato de a República Centro-Africana não possuir saída para o mar. No Haiti, por exemplo, os militares, policiais e especialistas iam de avião, mas os blindados e os demais equipamentos militares eram enviados de navio. Não possuir saída para o mar seria um desafio logístico a ser enfrentado nesse caso.

Por fim, um outro ponto que gera alguma incerteza quanto a esses próximos passos é que a situação atual na República Centro-Africana tem sido de grande tensão, enquanto o Brasil, historicamente, costuma atuar em operações ditas de baixo risco. Ou seja, um maior envolvimento do Brasil na MINUSCA seria talvez uma grande mudança, quiçá um novo ponto de inflexão na participação brasileira. Já que a República Centro-Africana contempla hoje uma situação muito mais grave do que aquela que o Brasil encontrou no passado no Timor Leste, em Angola e mesmo no Haiti.

Kimberly Alves Digolin, mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (UNESP-UNICAMP-PUC/SP), pesquisadora do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional (GEDES) e pesquisadora voluntária do Instituto Pandiá Calógeras do Ministério da Defesa. (kimberly.alves.digolin@hotmail.com)

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