domingo, 26 de julho de 2026
A importância de falar sobre morte e luto na infância
sábado, 20 de junho de 2026
Fim da escala 6x1 e falta de profissionais pressionam bares e restaurantes
Nova solução de recrutamento e gestão de pessoas do Grupo Food Qualy aposta em capacitação, retenção de talentos e modernização das relações de trabalho no food service
Em meio ao debate nacional sobre o fim da escala 6x1 e à crescente dificuldade de contratação no setor de alimentação fora do lar, empresas de bares e restaurantes têm buscado alternativas para enfrentar um dos maiores desafios da atualidade: a falta de mão de obra qualificada.
Em Salvador, onde o turismo, a gastronomia e o entretenimento movimentam grande parte da economia, a disputa por profissionais se intensificou nos últimos anos. Foi de olho nesse cenário que nasceu a Food RH, solução focada em recrutamento, seleção e gestão de pessoas do Grupo Food Qualy, consultoria voltada para negócios de alimentação. Essa nova solução é resultado da união entre a expertise do Grupo Food Qualy no segmento de food service e da Recriarh, empresa especializada em gestão de pessoas, tendo à frente como CEO a especialista em RH Estratégico e Gestão de pessoas Fabiola Reis.
“O desafio atual vai muito além de preencher vagas. As empresas precisam entender que a atração e a retenção de talentos passam por cultura organizacional, desenvolvimento de lideranças e qualidade das relações de trabalho. Os profissionais estão mais criteriosos na hora de escolher onde querem atuar, e isso exige uma mudança de postura dos empregadores”, afirma Fabiola.
A iniciativa surge em um momento considerado crítico para o setor. Dados recentes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) apontam que cerca de 88% das empresas têm dificuldade para preencher vagas e que o segmento acumula aproximadamente 500 mil postos de trabalho em aberto no país. A entidade também alerta que mudanças nas jornadas de trabalho e o debate sobre o fim da escala 6x1 ampliam a necessidade de planejamento e reorganização das equipes.
“Historicamente, o food service enfrenta desafios como jornadas intensas, alta rotatividade e dificuldade de formação de lideranças. Hoje, porém, esses temas deixaram de ser apenas questões operacionais e passaram a impactar diretamente a competitividade e a sustentabilidade dos negócios”, destaca Acácio Sacerdote, CEO do Grupo Food Qualy. De acordo com ele, muitos estabelecimentos ainda enfrentam problemas como alta rotatividade, falta de padronização nos processos seletivos e dificuldade para encontrar profissionais preparados para funções estratégicas, como cozinheiros, gerentes, maitres e líderes de atendimento.
A discussão ganhou ainda mais relevância diante das mudanças nas relações de trabalho. A Abrasel estima que uma eventual substituição obrigatória da escala 6x1 por modelos mais reduzidos poderia elevar os custos de mão de obra em cerca de 20% em bares e restaurantes, aumentando a pressão sobre contratações e retenção de talentos.
Para Sacerdote, independentemente do formato que venha a ser adotado, o setor precisará investir cada vez mais em gestão de pessoas. “O empresário que continuar enxergando o RH apenas como um departamento burocrático vai ficar para trás. Hoje, a área de pessoas é estratégica para a sustentabilidade do negócio, principalmente em segmentos intensivos em mão de obra como bares, restaurantes, cafeterias e hotéis”, destaca.
Entre os serviços oferecidos pela Food RH estão Análise de Necessidades e Elaboração do Perfil, Divulgação de Vagas, Triagem e Seleção de Currículos, Entrevistas e Avaliação de Candidatos e Suporte na Negociação e Contratação. A expectativa é atender desde pequenos negócios independentes até grupos gastronômicos e redes de alimentação que enfrentam dificuldades para montar e manter equipes qualificadas.
Fim da escala 6x1 e falta de profissionais pressionam bares
Nova solução de recrutamento e gestão de pessoas do Grupo Food Qualy aposta em capacitação, retenção de talentos e modernização das relações de trabalho no food service
Em meio ao debate nacional sobre o fim da escala 6x1 e à crescente dificuldade de contratação no setor de alimentação fora do lar, empresas de bares e restaurantes têm buscado alternativas para enfrentar um dos maiores desafios da atualidade: a falta de mão de obra qualificada.
Em Salvador, onde o turismo, a gastronomia e o entretenimento movimentam grande parte da economia, a disputa por profissionais se intensificou nos últimos anos. Foi de olho nesse cenário que nasceu a Food RH, solução focada em recrutamento, seleção e gestão de pessoas do Grupo Food Qualy, consultoria voltada para negócios de alimentação. Essa nova solução é resultado da união entre a expertise do Grupo Food Qualy no segmento de food service e da Recriarh, empresa especializada em gestão de pessoas, tendo à frente como CEO a especialista em RH Estratégico e Gestão de pessoas Fabiola Reis.
“O desafio atual vai muito além de preencher vagas. As empresas precisam entender que a atração e a retenção de talentos passam por cultura organizacional, desenvolvimento de lideranças e qualidade das relações de trabalho. Os profissionais estão mais criteriosos na hora de escolher onde querem atuar, e isso exige uma mudança de postura dos empregadores”, afirma Fabiola.
A iniciativa surge em um momento considerado crítico para o setor. Dados recentes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) apontam que cerca de 88% das empresas têm dificuldade para preencher vagas e que o segmento acumula aproximadamente 500 mil postos de trabalho em aberto no país. A entidade também alerta que mudanças nas jornadas de trabalho e o debate sobre o fim da escala 6x1 ampliam a necessidade de planejamento e reorganização das equipes.
“Historicamente, o food service enfrenta desafios como jornadas intensas, alta rotatividade e dificuldade de formação de lideranças. Hoje, porém, esses temas deixaram de ser apenas questões operacionais e passaram a impactar diretamente a competitividade e a sustentabilidade dos negócios”, destaca Acácio Sacerdote, CEO do Grupo Food Qualy. De acordo com ele, muitos estabelecimentos ainda enfrentam problemas como alta rotatividade, falta de padronização nos processos seletivos e dificuldade para encontrar profissionais preparados para funções estratégicas, como cozinheiros, gerentes, maitres e líderes de atendimento.
A discussão ganhou ainda mais relevância diante das mudanças nas relações de trabalho. A Abrasel estima que uma eventual substituição obrigatória da escala 6x1 por modelos mais reduzidos poderia elevar os custos de mão de obra em cerca de 20% em bares e restaurantes, aumentando a pressão sobre contratações e retenção de talentos.
Para Sacerdote, independentemente do formato que venha a ser adotado, o setor precisará investir cada vez mais em gestão de pessoas. “O empresário que continuar enxergando o RH apenas como um departamento burocrático vai ficar para trás. Hoje, a área de pessoas é estratégica para a sustentabilidade do negócio, principalmente em segmentos intensivos em mão de obra como bares, restaurantes, cafeterias e hotéis”, destaca.
Entre os serviços oferecidos pela Food RH estão Análise de Necessidades e Elaboração do Perfil, Divulgação de Vagas, Triagem e Seleção de Currículos, Entrevistas e Avaliação de Candidatos e Suporte na Negociação e Contratação. A expectativa é atender desde pequenos negócios independentes até grupos gastronômicos e redes de alimentação que enfrentam dificuldades para montar e manter equipes qualificadas.
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Seu filho(a) começou a namorar? Saiba como lidar com essa fase
Primeiro relacionamento costuma impactar as famílias; segundo educadores, responsáveis podem oferecer apoio sem exageros ou controle excessivo
São Paulo, 10 de junho de 2026 – Neste Dia dos Namorados, celebrado na próxima sexta-feira, 12 de junho, algumas pessoas se transportam para a época do primeiro amor da juventude, uma fase da vida que costuma evocar sentimentos idealizados de nostalgia. Mas, na prática, para muita gente o primeiro namoro chega acompanhado de dúvidas, inseguranças e desafios dentro de casa. Para alguns pais, descobrir que o filho ou filha começou a namorar provoca sentimentos ambíguos: felicidade pelo amadurecimento dos jovens; mas também medo, ciúme, preocupação e até a sensação de que a infância deles ficou para trás.
Clique aqui para baixar a sugestão de imagem. Crédito: Magnific.
Mais do que apenas uma novidade na rotina familiar, o primeiro namoro costuma representar uma mudança importante na dinâmica entre pais e filhos. Segundo especialistas, a fase exige diálogo, acolhimento e equilíbrio para que o relacionamento seja vivido de forma saudável, segura e respeitosa: o comportamento dos responsáveis nesse momento influencia diretamente a maneira como crianças e adolescentes lidam com relacionamentos, afeto, limites e autonomia.
O namoro do filho diz muito sobre os pais
Quando um filho começa a namorar, não é apenas a vida dele que muda. O momento costuma representar uma nova etapa do desenvolvimento e pode mexer profundamente com a dinâmica familiar e emocional dos pais. “É comum que o primeiro namoro desperte sentimentos de perda de controle, insegurança e medo do afastamento. Para muitos pais, essa fase simboliza o fim da infância e o início de uma autonomia maior dos filhos”, explica Marcelo Freitas, psicólogo e orientador educacional do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP).
Segundo Freitas, a novidade também pode trazer à tona questões emocionais já existentes dentro da família. Em casais com dificuldades no relacionamento, por exemplo, o foco nos filhos muitas vezes funciona como uma forma de desviar a atenção dos próprios conflitos — e o namoro do jovem pode ser percebido como uma ameaça à estabilidade da casa. Em outros casos, relacionamentos homoafetivos podem despertar dificuldades de aceitação relacionadas à sexualidade dos filhos; enquanto pais com traços mais autoritários ou autocentrados podem sentir a nova dinâmica como um desafio à própria autoridade.
“Por isso, antes de orientar os filhos, os adultos também precisam olhar para as próprias emoções. Pais emocionalmente preparados tendem a lidar melhor com a situação, evitando reações impulsivas, excesso de controle ou julgamentos precipitados que impactarão profundamente a forma como o jovem vai lidar com o amor e as relações afetivas pelo resto da vida. É preciso deixar que os filhos tenham suas desilusões e problemas em relacionamento, e que eles consigam lidar com isto, para que no futuro tenham repertório para lidar com os relacionamentos” afirma o especialista do BIS.
De forma geral, segundo Freitas, alguns perfis de comportamento de pais costumam aparecer quando os filhos iniciam os primeiros relacionamentos. Embora nenhum pai ou mãe se encaixe totalmente em apenas um perfil, esses padrões ajudam a entender como determinadas posturas podem impactar tanto o namoro quanto a relação familiar.
Pais superprotetores: são pais que enxergam o namoro principalmente como um risco. Costumam monitorar horários, redes sociais, mensagens, amizades e encontros, muitas vezes motivados pelo medo justificável de sofrimento emocional, violência, gravidez precoce ou influências negativas.
O lado positivo desse perfil é o cuidado e a preocupação genuína com a segurança dos filhos. Em geral, são pais presentes, atentos e envolvidos na rotina dos adolescentes. Por outro lado, o excesso de vigilância pode gerar no jovem sensação de sufocamento, falta de privacidade e dificuldade de autonomia. Como consequência, muitos filhos passam a esconder informações, mentir ou viver relacionamentos às escondidas para evitar conflitos dentro de casa.
Pais permissivos: pais com esse perfil evitam interferir na vida afetiva dos filhos e são avessos a estabelecer regras ou limites. São pais que buscam uma relação com os filhos mais próxima da amizade do que da autoridade, evitando discussões.
O ponto positivo desse perfil de pais é que os filhos costumam se sentir menos julgados e mais livres para compartilhar experiências e sentimentos. No entanto, a ausência de orientação pode transmitir a ideia de que qualquer comportamento é aceitável. Sem referências claras sobre respeito, responsabilidade afetiva e segurança, os adolescentes podem ficar mais vulneráveis emocionalmente e ter dificuldades para reconhecer relações abusivas ou estabelecer limites saudáveis.
Pais emocionalmente ausentes: são pais pouco envolvidos na vida afetiva e emocional dos filhos, seja por excesso de trabalho, dificuldades emocionais, distanciamento familiar ou falta de repertório para lidar com o tema.
Em alguns casos, essa postura dá aos adolescentes sensação de liberdade e independência. Porém, a ausência de acompanhamento e escuta pode fazer com que os jovens procurem orientação de amigos, redes sociais ou parceiros amorosos, ficando mais vulneráveis a relações tóxicas e dependência emocional.
Pais críticos ou rígidos: são aqueles que tendem a controlar excessivamente as escolhas afetivas dos filhos, fazendo críticas constantes ao par escolhido, minimizando os sentimentos dos adolescentes ou impondo proibições severas. Esses pais geralmente valorizam disciplina, regras e controle. Em alguns casos, tal comportamento nasce do desejo de proteger os filhos de experiências negativas ou de evitar relacionamentos que consideram inadequados.
O excesso de rigidez pode enfraquecer a confiança e dificultar o diálogo. Jovens que se sentem constantemente julgados tendem a esconder relacionamentos, evitar conversas importantes e se afastar emocionalmente da família.
Pais acolhedores e equilibrados: esse perfil costuma combinar escuta, diálogo, presença afetiva e limites coerentes. São pais que acompanham a vida emocional dos filhos sem invadir excessivamente a privacidade, criando um ambiente de confiança e abertura.
O principal benefício dessa postura é que os adolescentes se sentem mais seguros para conversar sobre dúvidas, conflitos, inseguranças e experiências afetivas. Isso fortalece os vínculos familiares e ajuda no desenvolvimento da autonomia emocional e da responsabilidade. Ainda assim, o equilíbrio não significa ausência de limites. O desafio desse perfil está justamente em conseguir orientar sem controlar e proteger sem impedir o amadurecimento dos filhos.
Como falar sobre namoro em cada fase?
As primeiras conversas sobre afeto e relacionamentos começam muito antes do primeiro namoro. Naturalmente, desde a infância, as crianças observam demonstrações de carinho, criam vínculos, fazem perguntas e começam a construir suas referências sobre amor, respeito e convivência. Por isso, a psicopedagoga e educadora parental da Escola Internacional de Alphaville - EIA, de Barueri (SP), Carla Litrenta, defende que o tema deve ser abordado de forma gradual, respeitando a idade, a maturidade emocional e as dúvidas de cada fase.
Crianças pequenas: na infância, o foco não deve ser o namoro em si, mas os sentimentos e as relações humanas. É o momento de ensinar sobre amizade, respeito, empatia, limites e cuidado com o próprio corpo. Nessa fase, brincadeiras de “namoradinhos” costumam surgir de forma inocente e devem ser tratadas com naturalidade, sem exageros, piadas constrangedoras ou incentivo precoce por parte dos adultos. “Os pais podem aproveitar situações do cotidiano para ensinar sobre carinho, respeito e consentimento de maneira leve e adequada à idade”, afirma Carla.
Pré-adolescentes: entre os 10 e 13 anos, os interesses afetivos começam a ficar mais evidentes. É comum surgir a curiosidade sobre namoro, além das primeiras paixões, trocas de mensagens e influência mais intensa dos amigos e dos ambientes que o jovem frequenta. Nesse momento, o diálogo ganha ainda mais importância, e os pais devem orientar os filhos sobre autoestima, responsabilidade emocional, pressão do grupo, exposição online e respeito aos próprios limites. “Quando o jovem sente que será ouvido sem críticas ou punições imediatas, ele tende a compartilhar mais dúvidas, inseguranças e experiências. Essa também é uma fase importante para observar mudanças de comportamento, fortalecer vínculos familiares e criar um ambiente de confiança dentro de casa”, explica a especialista da EIA.
Adolescentes: na adolescência, os relacionamentos costumam se tornar mais intensos emocionalmente e passam a envolver temas mais complexos. Além das emoções do primeiro namoro, entram em cena assuntos como sexualidade, consentimento, proteção, ciúme, responsabilidade afetiva, entre outros. O principal desafio dos pais nessa etapa é encontrar equilíbrio entre orientação e autonomia. “Proibir completamente o namoro raramente funciona. O mais eficaz é manter o diálogo aberto, estabelecer limites coerentes e ajudar o adolescente a desenvolver senso crítico para fazer escolhas saudáveis”, acrescenta Carla.
Diálogo e combinados ajudam a evitar conflitos
Quando o assunto é namoro, muitos conflitos familiares não surgem necessariamente pelo relacionamento em si, mas pela dificuldade de pais e filhos em alinhar expectativas, limites e formas de convivência. Por isso, segundo Alessandra Mafra Ribeiro, psicóloga e school counselor da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), o equilíbrio entre diálogo e regras claras é um dos caminhos mais importantes para atravessar essa fase de maneira saudável. “Mais do que impor regras unilateralmente, a recomendação é construir combinados coerentes com a idade, a maturidade e a realidade de cada adolescente”, afirma.
Horários, frequência de saídas, rotina escolar, uso do celular, encontros presenciais e exposição nas redes sociais são alguns dos temas que devem ser discutidos em conjunto. “Os limites precisam existir, mas devem ser explicados e fazer sentido para o jovem. Quando o adolescente entende o motivo das regras e participa das conversas, há maior tendência de cooperação e menos necessidade de enfrentamento”, afirma Alessandra.
Ainda segundo a docente da Aubrick, regras extremamente rígidas ou sem espaço para diálogo causam efeito contrário: afastamento emocional, omissão de informações e relacionamentos escondidos. Por outro lado, a ausência total de limites pode transmitir insegurança e falta de referência emocional.
Outro ponto importante é a forma como os pais abordam o tema dentro de casa. “Transformar qualquer conversa sobre namoro em interrogatório, bronca ou sermão tende a fechar canais de comunicação justamente em uma fase em que os jovens mais precisam de acolhimento”.
Demonstrar interesse genuíno pela vida afetiva dos filhos, sem invasão ou julgamento, ajuda a fortalecer os vínculos familiares e cria um ambiente mais seguro para conversas difíceis no futuro. “Perguntar como o adolescente se sente, conhecer os amigos, acolher o parceiro em casa e estar disponível para ouvir sem reações exageradas são atitudes que fortalecem a confiança e a proximidade familiar”, acrescenta Alessandra.
Papel dos pais é oferecer apoio e orientar os jovens
Na opinião da especialista da Aubrick, a família não deve impedir que os filhos vivam experiências afetivas, mas ajudá-los a desenvolver maturidade emocional, senso crítico e relações saudáveis ao longo da vida. “O jovem precisa sentir que pode recorrer aos pais tanto nos momentos felizes quanto nas situações difíceis, como frustrações, conflitos ou términos. Quando existe acolhimento, os adolescentes tendem a fazer escolhas mais conscientes e seguras”, explica.
Mais do que controlar cada passo do adolescente, os pais devem atuar como referência emocional e fonte de apoio durante os primeiros relacionamentos. Isso significa orientar, acolher dúvidas e conversar abertamente sobre temas importantes, como respeito, consentimento, autoestima, responsabilidade afetiva, proteção emocional e sexualidade.
Com a presença cada vez maior da tecnologia na vida dos adolescentes, os relacionamentos virtuais também passaram a exigir atenção redobrada das famílias. “Hoje, muitos jovens iniciam vínculos afetivos por redes sociais, jogos online e aplicativos de conversa, o que amplia os riscos relacionados à exposição excessiva, perfis falsos, manipulação emocional e violência digital”, alerta Alessandra.
O acompanhamento dos pais deve ir além da simples fiscalização do celular. O mais importante é investir em educação digital e construir um ambiente de confiança para que o adolescente se sinta confortável para relatar situações desconfortáveis ou suspeitas. “Os pais precisam conversar sobre o compartilhamento de imagens, privacidade, golpes virtuais e sinais de relacionamentos abusivos online. A supervisão é importante, mas ela funciona melhor quando vem acompanhada de diálogo e orientação”, afirma.
As conversas sobre sexualidade também devem acontecer de forma natural, contínua e adequada à faixa etária, sem tabus, ameaças ou discursos baseados apenas no medo. “Quando os pais tratam sexualidade com informação, escuta e responsabilidade, aumentam as chances de os jovens desenvolverem relações mais respeitosas, seguras e conscientes”, conclui Alessandra.
Os especialistas
Alessandra Mafra Ribeiro é psicóloga, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestre em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP) e pela University of British Columbia (UBC). Atua desde 2016 no desenvolvimento e na implementação de programas voltados à promoção de competências socioemocionais em contextos educacionais. Nos últimos 6 anos, tem trabalhado com jovens e adultos com foco em desenvolvimento pessoal, escolhas acadêmicas e processos de candidatura para universidades no exterior. Atualmente, atua como School Counselor na Escola Aubrick, integrando orientação educacional e aconselhamento acadêmico em sua prática profissional.
Carla Litrenta Todaro é pedagoga, educadora parental e pós-graduada em “Psicologia Positiva: Ciência do Bem-Estar e da Autorrealização” e em “Bullying, Violência e Discriminação na Escola”. Iniciou sua carreira há quase 30 anos como professora de alfabetização nas séries iniciais, trilhando seu caminho no mundo da educação. Estudiosa das relações e do desenvolvimento humano, atualmente é coordenadora de relacionamentos da Escola Internacional de Alphaville.
Marcelo Tucci de Freitas é psicólogo clínico TCC, com especialização em adolescência; pedagogo; possui MBA em Gestão Educacional, e atualmente é orientador educacional do Ensino Fundamental Anos Finais no Brazilian International School - BIS. Com mais de 30 anos de experiência na área educacional atuou em diversas instituições de ensino básico e superior, na coordenação pedagógica e como docente de Psicologia e Ética.
quinta-feira, 23 de abril de 2026
Saúde dos pés: como cuidar para prevenir lesões e traumas
Envelhecimento, acidentes de trânsito, traumas, lesões esportivas e diabetes são apontadas como causas mais frequentes de problemas nos pés
Caminhar, correr e saltar, ações que são normais para grande maioria da população. Os pés são fundamentais para a execução destas atividades, e quando machucados, podem levar períodos prolongados para se recuperarem, afetando o desempenho e o bem-estar geral. Para se evitar lesões, é essencial adotar medidas de prevenção.
José Antônio Veiga Sanhudo, ortopedista e traumatologista, membro da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé - ABTPé, explica que os principais fatores para lesões nos pés são os traumas domésticos ou decorrentes de lesões esportivas ou acidentes de trânsito. As deformidades associadas ao uso de calçados de salto alto ou mesmo decorrentes do desgaste natural da idade assim como complicações relacionadas à diabetes também figuram como responsáveis por desordens nesta região tão complexa que é o pé e tornozelo. As intervenções cirúrgicas na região do pé são na sua maioria decorrentes de traumas, desgastes articulares e deformidades adquiridas, como o joanete e o pé plano, afirma o médico que também atua no desenvolvimento de dispositivos cirúrgicos específicos para os pés com a NeoOrtho, fabricante referência em implantes no Brasil.
A cada 25 anos de vida andamos em média 40 mil quilômetros, o equivalente a uma volta ao mundo a pé. O impacto repetitivo destas caminhadas leva ao desgaste natural de articulações nos membros inferiores e ao desenvolvimento de deformidades, comenta.
Confira algumas dicas que podem ajudar nos cuidados dos pés.
Uso de calçados adequados
É comum subestimar a importância de sapatos adequados para as diferentes atividades cotidianas, como caminhar, trabalhar ou praticar esportes. No entanto, um calçado inadequado pode desencadear diversos problemas de saúde, variando de dores nos pés, nas pernas e na coluna.
É fundamental escolher sapatos que ofereçam uma combinação de estabilidade e amortecimento eficaz para absorver o impacto e proporcionar estabilidade durante a marcha. Para evitar lesões, garanta que o calçado se ajuste perfeitamente ao formato dos seus pés desde o início, que não seja apertado a ponto de provocar lesões nem folgado a ponto de provocar insegurança para caminhar, explica Sanhudo.
Cuidado necessário ao se praticar esportes
A prática de exercícios físicos é fundamental para uma vida saudável. Segundo dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo (Seade), no estado de São Paulo mais da metade da população pratica alguma atividade física. Este percentual representa um aumento significativo em relação a 2019, quando era de 39%. Com o maior envolvimento das pessoas em atividades esportivas é estimado que tenha ocorrido um aumento do número de lesões nos pés, afirma o ortopedista.
Entre os principais cuidados estão a escolha adequada do calçado, levando-se em consideração as necessidades específicas do esporte praticado; o ajuste correto do calçado, que auxilia na prevenção de bolhas, calos e outros problemas relacionados ao atrito e pressão excessiva; eventualmente o uso de palmilhas e órteses podem acomodar problemas de alinhamento dos pés e fornecer suporte adicional, contribuindo para a prevenção de lesões nos pés.
Além da manutenção do peso corporal, fazer exercícios específicos para a região podem ajudar a melhorar a propriocepção ou estabilidade articular, minimizando a ocorrência de lesões como entorses ou mesmo fraturas.
Acidentes em casa e de trânsito
Acidentes são na maioria das vezes imprevisíveis. Baseado nas causas mais comuns de acidentes, é recomendado cuidado redobrado ao subir e descer pelas escadas, evitar tapetes, melhorar a iluminação, usar calçados firmes com solado antiderrapante e, se necessário, colocar barras de apoio em locais mais escorregadios, como no banheiro, comenta.
O médico também aponta que tecnologias como os airbags salvam vidas em acidentes automobilísticos graves, mas não protegem os pés. Consequentemente, com alta frequência, ocorrem fraturas graves nesta região anatômica. Desta forma, é estimado que as lesões nos membros inferiores têm se tornado mais frequentes nos últimos anos, afirma.
Diabetes
A diabetes também é uma das causas para o crescimento de problemas de saúde ligados aos pés. Recente pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde mostrou que 12,9% da população brasileira tem o diagnóstico de diabetes. O número é referente ao ano de 2024 e demonstra um aumento de 134,5% em relação à primeira edição da pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico do Ministério da Saúde), realizada em 2006.
É fundamental controlar adequadamente a doença, para minimizar a ocorrência das complicações mais graves da diabetes. A doença pode apresentar quadros como o pé diabético, e entre os principais fatores de risco estão a perda da sensibilidade tátil, vibratória e térmica, a presença de doença arterial periférica (DAP) e de deformidades nos pés. Em casos mais extremos o paciente pode necessitar de cirurgias extensas e até amputação do membro, afirma José Sanhudo.
Tecnologia aliada ao tratamento
Ao sentir dores na região dos pés é fundamental buscar um ortopedista que através do exame clínico e com auxílio de exames de imagem pode avaliar com maior precisão o estado da doença. Exames de imagem, como raio x e ressonância são de grande utilidade na avaliação e direcionamento do tratamento na maioria dos casos, afirma.
A tecnologia não para no diagnóstico. Este ano, buscando oferecer mais opções de implantes e próteses, a NeoOrtho lançou o maior portfólio de placas anatômicas de pé do mercado nacional, o sistema Neofix Pé. A nova linha, desenvolvida para o tratamento de fraturas nas extremidades inferiores, abrange a fixação óssea na região do mediopé, antepé, retropé e tornozelo.
Para muitos pacientes com desordens debilitantes, uma cirurgia bem sucedida divide a vida em duas metades: antes e após o procedimento. O restabelecimento da autonomia e mobilidade nos casos de pacientes com deformidades severas é grandemente facilitado pela utilização de implantes de qualidade, afirma o ortopedista e traumatologista José Antônio Veiga Sanhudo, médico consultor no desenvolvimento do sistema Neofix Pé.
Sobre a NeoOrtho
quarta-feira, 22 de abril de 2026
Afogamento é uma das principais causas de morte infantil no Brasil
Afogamento é uma das principais causas de morte infantil no Brasil e motiva campanha da Galzerano sobre segurança no banho de bebês
Galzerano lança iniciativa “Sem susto, mamãe” com orientações práticas para prevenir acidentes domésticos
O afogamento segue como um dos principais riscos à saúde infantil no Brasil — inclusive dentro de casa. Dados do Ministério da Saúde indicam que o país registrou mais de 71 mil mortes por afogamento entre 2010 e 2023, com maior incidência entre crianças e adolescentes.
Entre os mais vulneráveis, crianças de 1 a 4 anos estão entre as principais vítimas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o afogamento está entre as principais causas de morte nessa faixa etária, sendo um dos acidentes mais letais na primeira infância.
Outro dado relevante aponta que grande parte das ocorrências acontece dentro da própria residência, em locais como piscinas, baldes e banheiras. A Criança Segura alerta que, em bebês, poucos centímetros de água já são suficientes para provocar afogamento, muitas vezes em decorrência de breves momentos de distração dos cuidadores.
O cenário se insere em um contexto mais amplo de acidentes domésticos. Segundo o Ministério da Saúde, milhares de crianças são atendidas anualmente no país por ocorrências dentro de casa, reforçando o ambiente doméstico como um dos principais pontos de atenção para a prevenção.
Diante desse quadro, a Galzerano, marca brasileira de produtos infantis, lança a campanha “Sem susto, mamãe”, com foco na prevenção de acidentes durante o banho de bebês e crianças.
A iniciativa reúne conteúdos educativos voltados a pais e cuidadores, abordando desde a escolha e montagem correta das banheiras até cuidados essenciais no uso diário. Entre os principais pontos estão orientações sobre o kit banho, instruções para montagem segura dos equipamentos, controle da temperatura da água — que deve ficar entre 36 °C e 37 °C — e práticas de higienização e conservação para evitar desgaste e ferrugem nos suportes.
Além das recomendações técnicas, a campanha reforça a importância da supervisão constante e da atenção integral durante o banho — fator apontado por especialistas como determinante para evitar acidentes.
Com a iniciativa, a Galzerano busca ampliar o acesso à informação e contribuir para a redução de ocorrências domésticas, transformando o momento do banho em uma experiência segura, tranquila e positiva para as famílias.
sábado, 18 de abril de 2026
Anestesiologia assume papel estratégico no controle da dor
Anestesiologia assume papel estratégico no controle da dor em pacientes com câncer
Especialidade amplia atuação no cuidado oncológico com técnicas modernas, monitoramento avançado e foco no bem-estar do paciente
O controle da dor é um dos principais pilares no tratamento do câncer e influencia diretamente a qualidade de vida dos pacientes. Nesse contexto, a anestesiologia tem ampliado sua atuação e deixado de ser vista apenas como suporte cirúrgico para assumir um papel estratégico no acompanhamento da dor ao longo de toda a jornada oncológica.
Segundo o anestesiologista Anderson Gazineu, diretor comercial da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas da Bahia (Coopanest-BA), a especialidade evoluiu significativamente nas últimas décadas e hoje vai muito além da administração de anestésicos. “Atuamos desde a avaliação pré-operatória até o controle da dor no pós-operatório e, em muitos casos, no acompanhamento da dor crônica relacionada ao câncer, utilizando técnicas específicas para alívio dos sintomas e melhora da funcionalidade”, afirma.
De acordo com Anderson, o controle da dor pode envolver procedimentos minimamente invasivos, como bloqueios de nervos periféricos, infiltrações guiadas por ultrassom e técnicas como a radiofrequência. Esses recursos permitem um alívio mais direcionado e duradouro, com menor necessidade de opioides e menos efeitos colaterais.
Quando não tratada adequadamente, a dor compromete o sono, a alimentação, a mobilidade e o estado emocional do paciente, podendo, inclusive, interferir na adesão ao tratamento. “O controle eficaz desse sintoma é parte essencial da assistência oncológica. Não se trata apenas de eliminar a dor, mas de garantir qualidade de vida. Um paciente com dor controlada enfrenta o tratamento com mais disposição e dignidade”, frisa Anderson Gazineu.
Coopanest-Ba
A Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas da Bahia foi fundada em 2 de julho de 1985, inicialmente sob o nome COPAS – Cooperativa dos Anestesiologistas de Salvador. Em 5 de agosto de 1991, com a ampliação de sua atuação para além da capital, passou a se chamar COOPANEST-BA, congregando anestesiologistas de todo o estado. Ao longo de quatro décadas, a cooperativa permanece firme na defesa dos interesses de seus cooperados, oferecendo serviços de excelência reconhecidos nacionalmente, investindo em tecnologia e promovendo iniciativas que fortalecem a anestesiologia na Bahia.
Mais informações: https://www.coopanestba.com.br/
Foto: Freepik
segunda-feira, 6 de abril de 2026
Capacitismo e violência nas escolas
Capacitismo e violência nas escolas adoecem estudantes com deficiência, alerta Defensor Público Federal
No Dia Mundial da Saúde, especialista chama atenção para os impactos do bullying na saúde mental e no desenvolvimento de crianças e adolescentes com deficiência.
O Dia Mundial da Saúde, celebrado nesta terça-feira, 7 de abril, traz à tona um alerta urgente: a relação direta entre saúde pública, ambiente escolar e inclusão. Para o Defensor Público Federal André Naves, o bullying - especialmente quando direcionado a estudantes com deficiência - deve ser tratado como uma grave questão de saúde coletiva.
“Não é possível falar em saúde integral sem enfrentar o capacitismo estrutural presente nas escolas. A violência cotidiana, muitas vezes naturalizada, compromete o desenvolvimento emocional, cognitivo e social dessas crianças”, afirma.
Dados de organismos internacionais indicam que estudantes com deficiência estão entre os principais alvos de bullying no ambiente escolar. As consequências vão além do sofrimento imediato: incluem evasão escolar, isolamento social, ansiedade, depressão e outros agravos à saúde mental.
Segundo André Naves, o problema não se resume a comportamentos individuais, mas reflete uma falha estrutural. “O bullying contra pessoas com deficiência não é um desvio pontual - é expressão de uma sociedade que ainda não incorporou a inclusão como valor central. É o capacitismo operando de forma silenciosa, mas devastadora”, destaca.
O defensor ressalta que políticas públicas precisam avançar para além do discurso. Isso inclui formação adequada de professores, adaptação de ambientes escolares, fortalecimento de práticas pedagógicas inclusivas e implementação efetiva de mecanismos de prevenção e enfrentamento à violência.
Além disso, ele enfatiza a necessidade de integração entre educação e saúde. “A escola é um espaço fundamental de promoção da saúde. Quando ela falha em garantir um ambiente seguro e inclusivo, contribui diretamente para o adoecimento de estudantes, especialmente os mais vulneráveis”, pontua.
Neste contexto, a data do Dia Mundial da Saúde se torna uma oportunidade estratégica para ampliar o debate e reforçar que inclusão não é apenas uma pauta educacional, mas um compromisso com a dignidade humana e o bem-estar coletivo.
Para saber mais sobre o trabalho de André Naves, acesse o site andrenaves.com ou acompanhe pelas redes sociais: @andrenaves.def.
segunda-feira, 23 de março de 2026
Delação de Vorcaro – caso Master
O jurista alemão Rudolf von Ihering, no ano de 1853, escreveu:
“Um dia, os juristas vão ocupar-se do direito premial. E farão isso quando, pressionados pelas necessidades práticas, conseguirem introduzir a matéria premial dentro do direito, isto é, fora da mera faculdade ou arbítrio, delimitando-o com regras precisas, não tanto no interesse do aspirante ao prêmio, mas sobretudo no interesse superior da coletividade.”
A previsão feita em 1853 hoje é uma realidade no Brasil, por meio do instituto comumente conhecido como delação premiada, ou, como definido em lei, colaboração premiada, na qual o indivíduo, respondendo a inquérito penal ou a processo criminal, negocia um benefício com o Estado (Ministério Público ou Polícia Judiciária) em troca de colaborar com as investigações, no intuito de confessar os crimes praticados, delatar coautores, produzir provas que estejam sob seu poder e/ou de que tenha conhecimento — e que seriam de difícil apuração —, além de cessar a atividade ilícita.
O instrumento da justiça negocial não pode se ater apenas à delação do colaborador; é necessário que aquilo que for declarado venha acompanhado da apresentação ou indicação de provas de suas práticas e das demais pessoas envolvidas na conduta delitiva.
Diante do escândalo envolvendo o Banco Master, ao que tudo indica — ao menos pelo que vem sendo veiculado na imprensa —, seu ex-presidente, Daniel Vorcaro, pretende colaborar com a Justiça em troca de algum benefício. A transferência do ex-banqueiro da penitenciária para a sede da Polícia Federal é um indicativo de que as negociações já se iniciaram.
Há várias pessoas que criticam o instituto, sob o argumento de que não é correto que o indivíduo que cometeu ilícito seja beneficiado por sua própria conduta ao delatar seus comparsas, ainda que com efetiva apresentação de provas.
Penso de forma diversa. Com a evolução dos tempos e das condutas delituosas, principalmente aquelas ligadas à corrupção — crime que envolve tanto o corruptor quanto o corrupto —, de difícil apuração, dado o engendramento de complexas engenharias financeiras, como lavagem de dinheiro, pagamentos por meio de contratos fictícios, remessa de valores ao exterior, aquisição de bens por valores superiores aos de mercado, utilização de fundos de investimento, entre outros mecanismos, torna-se necessário, para a cessação do crime, que sejam apontados todos os envolvidos, o modus operandi e o desmantelamento dessa engenharia financeira, a fim de que cesse a conduta criminosa, com o processamento e a condenação de todos os envolvidos.
Tomo emprestado, para justificar meu ponto de vista, o pensamento de Rudolf von Ihering: a colaboração não objetiva o interesse do aspirante ao prêmio, mas, sobretudo, o interesse superior da coletividade, para ver cessada a atividade criminosa praticada e todos os envolvidos responsabilizados, o que, sem a colaboração, seria praticamente impossível de apurar.
No caso do Banco Master, segundo veiculado na imprensa, há pessoas dos altos escalões dos Poderes da República que poderiam ter participado, direta ou indiretamente, da fraude cometida pela instituição financeira, e que precisam ser identificadas e responsabilizadas.
Há de se apurar quem são as autoridades que se beneficiaram do esquema fraudulento, bem como o grau de responsabilidade e envolvimento de cada uma. Não me refiro a pessoas que, porventura, tenham participado de eventos privados ou mantido relações de amizade com o banqueiro — o que constitui questão de ordem moral, alheia ao Direito —, mas àquelas que efetivamente tenham recebido vantagens pecuniárias, direta ou indiretamente, para facilitar, encobrir ou proteger as fraudes perpetradas.
A colaboração premiada permitirá uma apuração mais célere, sem poupar ninguém, independentemente de partido ou ideologia política — sejam parlamentares, autoridades do Banco Central, governantes, ministros ou quaisquer outros agentes públicos que, segundo noticiado, integrariam a chamada “rede de contatos” de Vorcaro.
O escândalo alcançou proporções inimagináveis, atingindo até mesmo a instituição que deveria representar a última trincheira da cidadania, a qual, há tempos, por meio de decisões heterodoxas de alguns de seus membros, vêm sofrendo desgaste de credibilidade.
Agora, surgem também suspeitas de desvios de conduta, como, por exemplo, a compra de resort pertencente ao Ministro Toffoli e seus irmãos, bem como a celebração de contrato, a título de honorários advocatícios, com a esposa do Ministro Moraes, em valor expressivo e estratosférico – 129 milhões de reais.
Todas essas suspeitas devem ser devidamente esclarecidas e apuradas, seja para responsabilizar eventuais condutas delituosas, seja para afastá-las, restabelecendo a credibilidade de nossas instituições — elemento essencial ao Estado Democrático de Direito.
Importante frisar que, segundo reportagem publicada no site da CNN Brasil em 20/03/2026, pessoas próximas ao Ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master — magistrado independente, imparcial e de reconhecida conduta ilibada —, afastam qualquer possibilidade de acordo/delação premiada que venha proteger qualquer pessoa, mesmo membros do STF.
Por todo o exposto, defendo o instituto da colaboração premiada, não em benefício do delinquente, mas em prol da sociedade como um todo.
Aguardemos as cenas dos próximos capítulos do caso Master.
Tenho dito!
Bady Curi Neto, advogado fundador do Escritório Bady Curi Advocacia Empresarial, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) e professor universitário.
quinta-feira, 19 de março de 2026
Liderança: habilidade que transforma
Janguiê Diniz - Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional, Fundador da JD Business Academy, Presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo e da ABMES - Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior
Muito se fala, no ambiente empresarial, sobre estratégias de negócios, inovação, tecnologia e planejamento. Todos esses elementos são importantes para o crescimento de uma corporação. No entanto, existe um fator que muitas vezes determina se uma organização prosperará ou ficará estagnada: a qualidade da liderança. Liderar é uma habilidade fundamental, não apenas para quem empreende, mas também para quem constrói sua carreira dentro de uma empresa.
Durante muito tempo, acreditou-se que liderança era uma característica restrita a poucos indivíduos, quase como um talento raro. Hoje, sabemos que essa visão está ultrapassada. Embora algumas pessoas naturalmente demonstrem maior facilidade para liderar, a liderança também pode ser aprendida, desenvolvida e aperfeiçoada ao longo da vida. Trata-se de um conjunto de competências que envolvem comunicação, visão estratégica, empatia, capacidade de decisão e, sobretudo, habilidade para trabalhar com pessoas.
Ao longo da minha trajetória como empreendedor, tive a oportunidade de construir e desenvolver empresas em diferentes áreas. Esse caminho me ensinou que nenhuma organização cresce de forma consistente sem liderança. Para transformar ideias em projetos, projetos em negócios e negócios em organizações sólidas, foi necessário desenvolver essa habilidade constantemente. Liderar pessoas, inspirar equipes e manter todos alinhados em torno de objetivos comuns tornou-se parte essencial da jornada.
A liderança, porém, não é importante apenas para quem está no topo de uma organização. Profissionais que desenvolvem essa competência também se destacam dentro das empresas. Um colaborador que demonstra iniciativa, capacidade de organizar processos, apoiar colegas e contribuir para soluções naturalmente se torna uma referência dentro da equipe. Mesmo sem ocupar cargos formais de gestão, esse profissional já exerce uma forma de liderança. Esse é um ponto fundamental: liderança não se resume a um cargo, mas a uma atitude. Ela se manifesta na maneira como alguém assume responsabilidades, propõe melhorias e influencia positivamente o ambiente ao seu redor. Em empresas modernas, esse tipo de comportamento é cada vez mais valorizado, pois contribui para equipes mais engajadas e produtivas.
Ao falar sobre liderança, também é importante distinguir dois conceitos que muitas vezes são confundidos: o líder e o chefe. O modelo tradicional de chefia, bastante comum no passado, baseava-se em hierarquia rígida, autoridade e distância entre quem comandava e quem executava. O chefe dava ordens, cobrava resultados e raramente se envolvia diretamente no processo ou nas dificuldades da equipe. A liderança contemporânea, por outro lado, exige uma postura diferente. O líder inspira, orienta e participa. Ele não apenas define metas, mas ajuda a equipe a alcançá-las. Está presente nos desafios, compartilha responsabilidades e celebra conquistas coletivas. Mais do que mandar, o líder sabe ouvir, compreender e motivar.
Isso, no entanto, não significa ausência de disciplina ou de cobrança por resultados. Pelo contrário: um bom líder estabelece metas claras e cobra comprometimento. A diferença está na forma como conduz esse processo. Enquanto o chefe impõe, o líder convence. Enquanto o chefe exige obediência, o líder conquista confiança.
Uma das maiores responsabilidades da liderança é extrair o melhor de cada pessoa da equipe. Cada colaborador possui talentos, habilidades e potencialidades diferentes. Cabe ao líder identificar essas características e criar condições para que elas se desenvolvam. Quando isso acontece, a equipe se torna mais forte, mais criativa e mais comprometida com os resultados. Além disso, liderar também significa construir um ambiente de confiança e propósito. Pessoas trabalham melhor quando entendem a importância de suas funções e percebem que fazem parte de algo maior. Um líder eficiente consegue conectar os objetivos individuais com os objetivos da organização, criando uma cultura de colaboração e crescimento coletivo.
No fim das contas, empresas de sucesso não são feitas apenas de boas ideias ou bons produtos. Elas são feitas de pessoas bem lideradas. E quando a liderança é exercida com responsabilidade, respeito e inspiração, os resultados vão muito além do crescimento financeiro: criam-se equipes mais fortes, profissionais mais preparados e organizações capazes de prosperar de forma sustentável.
Porque, no verdadeiro sentido da palavra, liderar não é mandar, mas conduzir pessoas rumo a um objetivo comum, crescendo juntos ao longo do caminho.
segunda-feira, 2 de março de 2026
Quais erros levam à malha fina e podem bloquear restituição no IR 2026
Saiba quais erros levam à malha fina e podem bloquear restituição no IR 2026
O prazo para a entrega do Imposto de Renda 2026 exige atenção redobrada dos contribuintes. Um dos motivos é a tecnologia utilizada pela Receita Federal no cruzamento eletrônico de dados. O órgão mantém sistemas sofisticados que confrontam, em tempo real, as informações declaradas com dados fornecidos pelo contribuinte. O Conselho Regional de Contabilidade da Bahia (CRCBA) reforça a importância do planejamento ao realizar a declaração e ressalta que pequenas inconsistências, que antes passavam despercebidas, hoje são rapidamente identificadas e podem levar o contribuinte à malha fina.
No ano de 2025, a Receita recebeu 45.645.935 declarações. Desse total, 8,7% ficaram retidas em malha fiscal durante o processamento. Entre as declarações retidas no mesmo ano, 69,2% eram de contribuintes que tinham imposto a restituir, 27,9% de pessoas com imposto a pagar e 2,9% apresentavam saldo zero. Isso demonstra que nem mesmo quem tem valores a pagar está livre da fiscalização.
Os principais motivos de retenção revelam os maiores deslizes. As deduções com despesas médicas lideraram, representando 32,6% das inconsistências. Em seguida, aparecem a omissão de rendimentos, com 30,8%; outras deduções (exceto médicas), com 16,0%; e diferenças no Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), com 15,1%. Esses dados reforçam que o cruzamento automático identifica divergências entre o que foi informado e os dados transmitidos por prestadores de serviços.
Entre os erros mais comuns que levam à malha fina estão a omissão de rendimentos, incluindo os dependentes, a declaração de despesas médicas sem comprovação adequada, a inclusão indevida de dependentes, divergências com informes de rendimentos fornecidos por empresas e bancos, além da não declaração de rendimentos de aluguel.
A penalidade para quem não regulariza a situação pode incluir multa mínima de 1% ao mês sobre o imposto devido, limitada a 20%, sendo o valor mínimo de R$ 165,74, além de juros calculados com base na taxa Selic. Em casos mais graves, a restituição pode ficar retida por tempo indeterminado e o CPF pode apresentar situação irregular até a resolução da pendência.
O presidente do CRCBA explica que é fundamental que o contribuinte reúna toda a documentação antes do envio da declaração e, se necessário, busque orientação profissional. “O nível de detalhamento e cruzamento das informações é cada vez maior. Declarar com atenção e responsabilidade evita transtornos, multas e bloqueios futuros. A prevenção ainda é a melhor estratégia para manter a regularidade fiscal”, destaca Altino Alves.

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