Endividamento recorde faz governo liberar uso do FGTS no Desenrola 2
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Provável tema central da eleição deste ano, o endividamento chegou a 49,9% das famílias brasileiras em fevereiro, voltando ao recorde registrado em julho de 2022, segundo dados do Banco Central. O comprometimento da renda com o sistema financeiro também avançou para 29,7%. Em contrapartida, as concessões de crédito consignado para trabalhadores do setor privado aumentaram 52% em março, devido ao novo modelo do Crédito do Trabalhador, lançado no ano passado. (Estadão)
O Executivo promete atuar em duas frentes. De acordo com o Ministério do Trabalho, o governo passou a prever punições para bancos que cobrarem taxas de juros muito acima da média no crédito consignado privado, atualmente em 3,66% ao mês, mais encargos e seguros. Analistas do BTG Pactual calculam que, na prática, o custo máximo permitido deve ficar em torno de 5,98% ao mês. Na outra frente o ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou a liberação do uso de recursos do FGTS para o Desenrola 2, nova etapa do programa de renegociação de dívidas. O plano será apresentado hoje ao presidente Lula e deve focar em famílias que recebem até cinco salários mínimos. Segundo Ana Flor, para destravar esse uso do FGTS, o governo estuda recorrer a uma Medida Provisória (MP). A ideia é que, como uma MP entra em vigor imediatamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia anunciá-la nesta sexta-feira, Dia do Trabalhador. (g1)
O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fizeram a primeira agenda conjunta de pré-campanha após definirem seus respectivos caminhos eleitorais para este ano. O encontro ocorreu na maior feira agrícola do país, a Agrishow, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Durante o evento, o senador exaltou Tarcísio como um aliado leal e disse torcer para vê-lo presidente da República no futuro. Diante do público do agronegócio, também criticou o governo Lula, acusando-o de tratar o setor como “lixo” e oferecer crédito insuficiente, além de perseguir adversários políticos. Tarcísio seguiu na mesma linha, questionando medidas como o financiamento de máquinas e o nível dos juros. (g1)
Pedro Doria: “Não tem nenhum problema o PT discordar de liberais e da garotada das periferias urbanas. Numa democracia liberal, cada grupo político faz seu diagnóstico, propõe o que tem de ser mudado, e vai à luta conquistar votos. A peça que é difícil de encaixar é como que o partido aprova um manifesto dizendo que os neoliberais, que é como eles chamam a nós liberais, são o problema e aí dizem que querem nosso apoio”. Veja a análise no Ponto de Partida. (Meio)
A Genial/Quaest divulgou nesta segunda-feira sua primeira leva de pesquisas sobre as eleições em três estados: Rio de Janeiro, Paraná e Pará. Se o pleito fosse hoje, Eduardo Paes (PSD) seria eleito governador do Estado do Rio no primeiro turno. Nos três cenários apresentados, as intenções de voto nele são maiores que a soma dos adversários, variando entre 34% e 40%, dependendo dos adversários. Seu concorrente mais próximo, o deputado estadual Douglas Ruas (PL), varia entre 9 e 11%. No Paraná, embora o governador Ratinho Júnior tenha índices de aprovação na casa dos 80%, seu candidato, Sandro Alex, aparece apenas em quarto lugar com 5%, muito longe do líder, o senador e ex-juiz Sergio Moro (PL). Dependendo do cenário, Moro venceria ou não no primeiro turno. Com Rafael Greca (MDB) na lista, o senador do PL tem 35%, mas não atinge a soma dos rivais. Sem Greca, Moro vai a 42%, o que lhe garantiria a eleição. E no Pará, a briga é apertada, com Dr. Daniel Santos (Podemos) e Hana Ghassan (MDB) em empate técnico, respectivamente 22% a 19% ou 24% a 22%, dependendo de quem são os demais concorrentes. (g1)
A investigação das fraudes no Banco Master avançou a ponto de travar acordos de delação premiada. O banqueiro Daniel Vorcaro, seu cunhado e operador financeiro Fabiano Zettel e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa buscam colaborar, mas enfrentam resistência da PF, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação é que o núcleo central do caso, a fraude financeira e a tentativa de venda do Master ao BRB, já está praticamente esclarecido. Com provas robustas, há pouco espaço para novas revelações, a menos que os delatores consigam ampliar o alcance da investigação, apontando, por exemplo, eventual envolvimento de autoridades ou viabilizando a recuperação de recursos desviados. (Estadão)
Para ler com calma. A tentativa de venda do Master virou uma operação caótica às vésperas da prisão de Daniel Vorcaro, em novembro do ano passado. Documentos revelam que o banqueiro correu para fechar acordos com a Fictor e investidores árabes e russos, contando inclusive com a intermediação do ex-presidente Michel Temer (MDB). Contratos foram assinados às pressas, alguns com CPFs de terceiros, como o do lutador Renzo Gracie, e sem comprovação clara de participação. (Estadão)