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terça-feira, 27 de junho de 2017

Walter Smetak é homenageado em concerto da orquestra alemã

Walter Smetak é homenageado em concerto da orquestra alemã Ensemble Modern
Goethe-Institut e DAAD trazem ao Brasil o projeto “Reinventando Smetak”, que resgata a obra do artista suíço que foi inspiração para a Tropicália brasileira.
Em Salvador, concerto acontece no Teatro Castro Alves, no dia 5 de julho

Vinda da Alemanha, a Ensemble Modern, mais importante orquestra de música contemporânea do mundo, apresenta no Brasil “Reinventando Smetak”, um mergulho no fascinante trabalho do suíço naturalizado brasileiro Walter Smetak (1913-1984), que morou na Bahia desde a década de 1950 até o fim da vida. Com agenda também no Rio de Janeiro e em São Paulo, a apresentação única em Salvador será no dia 5 de julho (quarta-feira), às 19h, na Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA), executando um repertório de peças inéditas criadas por compositores contemporâneos reconhecidos na cena mundial, tendo como inspiração a obra deste precursor da contracultura brasileira e um dos influenciadores do movimento Tropicália. Os ingressos têm o valor simbólico de R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia).

O quarteto de compositores convidados para o desafio criativo é formado pela australiana Liza Lim, que compôs a peça “Ronda – O Mundo em Rotação”, junto com três brasileiros: Arthur Kampela, baseado nos Estados Unidos, que assina a composição “...tak-tak...tak...”; Daniel Moreira, radicado na Alemanha, que criou “Instrumentarium”; e o baiano Paulo Rios Filho, que compôs “Volvere”. Para cumprirem a encomenda, eles viveram uma imersão no trabalho Smetak e conviveram com ambientes e pessoas importantes na sua história. Lim, Kampela e Moreira fizeram residência no Goethe-Institut Salvador-Bahia, em meados de julho do ano passado, para esta experiência e pesquisa sobre o mundo sincrético do inventor musical e pensador.

As composições resultantes, por fim, revigoram aspectos de Smetak: sua microtonalidade, que ele concebeu como ato de libertação das normas dos sistemas tonais, suas práticas coletivas de improvisação, seus instrumentos experimentais e suas “plásticas sonoras”, que compõem exposição permanente do Solar Ferrão, na capital baiana. O concerto, já ouvido em março deste ano em Berlim e Frankfurt, na Alemanha, utiliza também réplicas e instrumentos originais de Smetak, criados na Bahia entre as décadas de 1960 e 70, agora especialmente construídos ou reconstruídos para esse projeto.

“Smetak nos revigora com a sua visão de que instrumentos musicais contêm poderes cósmicos, trazendo conceitos indígenas e orientais para uma prática de arte contemporânea no Ocidente”, reflete a compositora Liza Lim. “Instrumentos não são apenas objetos inertes e fazer arte não é algo decorativo ou apenas entretenimento: são ferramentas para nos mostrar nossa interconexão essencial com todas as coisas”, completa ela

Já Daniel Moreira contextualiza: “Todo o processo artístico de Smetak se baseava em transformação, em partir de algum elemento, algo que ele encontrava no estúdio ou em influências que tinha, para tentar sintetizar e criar algo novo, algo dele. Ele não era só um músico, era um inventor, um criador, um escultor. Ele era extremamente obstinado, tinha essa convicção de correr atrás do que acreditava, uma convicção quase inabalável”, opina.

“Reinventando Smetak” é um projeto do Programa Artistas-em-Berlim do Deutscher Akademischer Austauschdienst (DAAD), maior organização alemã no campo de intercâmbio acadêmico, em cooperação com o Goethe-Institut. É patrocinado pela Fundação Cultural Federal da Alemanha, com apoio da Ernst von Siemens Musikstiftung, Pro Helvetia Fundação Suíça para a Cultura, Ministério das Relações Exteriores da Alemanha e Sociedade dos Amigos do Ensemble Modern e.V. Em Salvador, o concerto tem o importante apoio local da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) e do Teatro Castro Alves.

Nesta turnê brasileira, o grupo Ensemble Modern se apresenta no Rio de Janeiro (Sala Cecília Meireles), no dia 1º de julho, em São Paulo (Sala São Paulo), em 12 de julho, além de outros concertos durante o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão.

CONVERSA ABERTA, FILME E OFICINA – Complementando o aprofundamento no mundo de Smetak, o Goethe-Institut Salvador-Bahia recebe em seu teatro, no dia 4 de julho, véspera do concerto, às 19h, a conversa aberta “Reinventando Smetak”, com participação do músico, arte-educador e pesquisador Bira Reis; do compositor, escritor e professor Paulo Costa Lima, membro da Academia Brasileira de Música e da Academia de Letras da Bahia; do cantor, músico, compositor e produtor musical Tuzé de Abreu; do músico Uibitu Smetak, filho caçula do homenageado; e do cineasta Walter Lima, cujo filme documentário “O Alquimista do Som” (1978), sobre Walter Smetak, abre o debate da noite. A mediação será feita pela Profª Dra. Carmen Paternostro, vice-diretora da Escola de Dança da UFBA, dançarina, coreógrafa e diretora de espetáculos. O encontro é aberto ao público, com entrada franca, e tem colaboração da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal da Bahia (PROEXT-UFBA).

Além disso, durante sua permanência em Salvador, a Ensemble Modern promoverá uma oficina para alunos e professores da Escola de Música da UFBA.

SOBRE A ENSEMBLE MODERN – Criada em 1980 na Alemanha, a Ensemble Modern reúne 20 músicos solistas de diversos países e tem como marca registrada a intensa atuação junto a compositores em atividade. Com projetos que incluem música para teatro, vídeo e dança, além de música de câmara e orquestral, o grupo chega a ensaiar cerca de 70 novas peças por ano, sendo 20 delas estreias mundiais. Ao longo de sua trajetória, fez parcerias duradouras com grandes nomes da composição, como John Adams, György Ligeti, Karlheinz Stockhausen, Steve Reich e Frank Zappa, entre outros.

SOBRE WALTER SMETAK – Músico violoncelista, compositor, inventor de instrumentos musicais, escultor e escritor, nasceu em Zurique, Suíça, em 1913. Sua primeira instrução musical foi recebida do pai, um renomado virtuose de cítara de origem tcheca. Estudou no Mozarteum de Salzburgo, formando-se concertista pelo Conservatório de Viena, junto a Pablo Casals, em 1934. A dificuldade de trabalho e a iminência da guerra o fizeram abandonar a Europa. Rumou ao Brasil em 1937, onde havia obtido, por intermédio de um de seus professores, a contratação numa orquestra sinfônica de Porto Alegre. Ao chegar na cidade, descobriu que o contratante não mais existia, e começou a atuar em orquestras de rádios, cassinos e bailes, em São Paulo e Rio de Janeiro. Em 1957, foi convidado pelo compositor alemão Hans Joachim Koellheutter a ir para Salvador, para integrar os Seminários Livres de Música, parte do ambicioso projeto do reitor da Universidade Federal da Bahia, Edgard Santos, de criar um núcleo de excelência em artes e humanidades, e que teria um papel fundamental no surgimento do movimento tropicalista.

Na Bahia, Walter Smetak iniciou pesquisas microtonais inspiradas pela teosofia e começou a construir instrumentos musicais com materiais inusitados, como tubos de PVC, cabaças e isopor. Criou cerca de 150 desses “instrumentos-esculturas”, os quais denominou de “plásticas-sonoras”. A partir de 1969, a sua oficina de experimentação sonora passou a ser frequentada por importantes artistas da música brasileira: Gilberto Gil, Rogério Duarte, Tom Zé, Gereba, Tuzé de Abreu, Djalma Correia e Marco Antônio Guimarães (fundador do grupo Uakti), entre outros.

Gravou dois discos: “Smetak” (1975), com produção de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Roberto Santana, e “Interregno” (1980), com o conjunto Microtons e produção de Carlos Pitta. Nos últimos 10 anos de vida, resolveu não mais escrever partituras de suas composições, preferindo a improvisação em grupo com seus instrumentos e deixando uma série de gravações dessas sessões. Escreveu três peças de teatro e mais de 30 livros.

REINVENTANDO SMETAK
“Reinventando Smetak” é um projeto do Programa Artistas-em-Berlim do Deutscher Akademischer Austauschdienst (DAAD), maior organização alemã no campo de intercâmbio acadêmico, em cooperação com o Goethe-Institut. É patrocinado pela Fundação Cultural Federal da Alemanha, com apoio da Ernst von Siemens Musikstiftung, Pro Helvetia Fundação Suíça para a Cultura, Ministério das Relações Exteriores da Alemanha e Sociedade dos Amigos do Ensemble Modern e.V. Em Salvador, o concerto tem o importante apoio local da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) e do Teatro Castro Alves.

Conversa aberta + exibição do filme “O Alquimista do Som” (1978)
Quando: 4 de julho (terça-feira), 19h
Onde: Goethe-Institut Salvador-Bahia (Av. Sete de Setembro, 1809 – Corredor da Vitória)
Quanto: Gratuito
Concerto da Ensemble Modern
Quando: 5 de julho (quarta-feira), 19h
Onde: Sala Principal do Teatro Castro Alves (Praça Dois de Julho, s/n – Campo Grande)
Quanto: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia)
Vendas: Bilheteria do Teatro Castro Alves, SACs do Shopping Barra e do Shopping Bela Vista ou pelo site www.ingressorapido.com.br

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