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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Trilogia baiana discute violência contra mulher (PING-PONG NO FINAL)


Cineasta baiana realiza trilogia que discute machismo e violência contra a mulher

Em 2017, o Datafolha divulgou uma pesquisa revelando que 503 mulheres são vítimas de violência a cada hora. Agressões de diversos tipos, que vão da verbal até a física, persistem. Os números revelados pelo instituto não são nada agradáveis, como o fato de 1,4 milhões de moças sofreram espancamento ou estrangulamento em 2016. Pensando e digerindo todas essas informações, a cineasta baiana Hilda Lopes Pontes idealizou uma trilogia de curtas que discutem a temática se apropriando de uma linguagem que vai da sutileza até os extremos mais tensos.

O primeiro filme já está pronto! “Estela” aborda a rotina de uma gestante e seus conflitos internos relacionados Ao tratamento que seu marido lhe oferece. Quase perto do período do parto previsto pelo médico, ela precisa lidar com o olhar desleixado do cônjuge, o que geram tensões e uma reflexão intensa, principalmente nos homens que assistem. “É muito curioso observar a relação que os caras estabelecem assistindo nossas exibições, eles se veem ali e essa era uma das sensações que eu gostaria de passar”. O curta está inscrito em festivais de todo o Brasil e a diretora aguarda as respostas neste momento.

O segundo projeto, “Onze minutos”, entrou em fase pré-produção neste mês. Com Rafael Medrado (A finada mãe da madame) e Laís Machado (Obsessiva Dantesca) no elenco, o roteiro deste intento é um pouco mais pesado que o anterior. A ideia de Pontes é demonstrar a fragilidade da segurança que a mulher possui e que esta pode ser quebrada a qualquer instante por um homem. “Desde que eu fui chamado para fazer o filme eu fiquei encantado com o texto, pela potência do que ele fala, pela estrutura, pela situação, por tudo”, conta Medrado.

O roteiro e a direção ficam por conta de Pontes, de sua vontade de discutir sobre a temática, investir no protagonismo feminino e provocar reflexões na sociedade. Para esclarecer mais sobre seu projeto e suas ideologias, a cineasta respondeu algumas perguntas.


1. Como surgiu a ideia da trilogia?

Quando terminei de montar meu curta, Estela, eu tive a ideia de escrever Onze minutos. Quando percebi, havia escrito sobre mais um homem que parece bonzinho, mas, na verdade, é mais um daqueles homens que se trajam de boas pessoas para esconder seus comportamentos abusivos. Há uma intenção de minha parte de entender como superar esses homens, tanto verdadeira como metaforicamente.


2. Qual a importância da trilogia para o mercado e para a sociedade?

Acho que é justamente o fato de tentar elucidar que existe muito abuso ainda e os homens que o fazem são vistos como boas pessoas na sociedade. Eles são justamente os que mais estupram, acabam com o psicológico e o físico de muitas mulheres. A maioria dos estupradores não são aqueles do beco na rua escura. São os maridos, os amigos, os conhecidos. As ameaças masculinas estão perto das mulheres, destruindo a autoestima, a felicidade e o bem estar de todas nós. Pode ser o pai que faz pouco da filha e a persegue tratando-a como inferior, pode ser aquele amigo que se aproveita da amiga bêbada ou ainda o marido que não é companheiro com a mudança do corpo e da mente de sua mulher grávida.

3. Quais as suas inspirações para a realização dos curtas?

Para Onze minutos eu busquei referência de filmes que se passam dentro de um carro, como Locke e Colateral. Também me inspirei na atmosfera de Taxi Driver. Para a temática do estupro tenho três fortes referências: Irreversível, O silêncio do seu e o curta 15 de agosto. São obras que mostram o estupro de maneira crua, sem erotizar uma violência como muitos filmes fazem.

4. Como você constrói a personalidade das protagonistas?

A minha busca é a tridimensionalidade das personagens. Eu tento não deixá-las tipo para que a compreensão do espectador esteja para além das caricaturas de bem e mal. 

5. Como as pessoas, artistas ou não, também podem contribuir para a causa?

Acredito que a união das mulheres faz muita diferença. Creio que os homens gostam de atiçar a rivalidade feminina, a briga das mulheres por conta de um homem, justamente porque quando estamos juntas chegamos muito mais rápido em nossos objetivos. Seja por algo fútil, seja por uma luta importante. As mulheres juntas possuem um poder muito especial e, eu acredito, que quase cósmico de mover coisas impossíveis, de transformar a sociedade da maneira menos bélica possível. Resta aos homens, admitir o privilégio que têm, parando de afirmar coisas como "somos todos seres humanos". Quando o machismo for admitido o primeiro grande passo dos homens será dado, o passo de admitir a condição que nós mulheres vivemos.

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