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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Missas, caruru e doces para homenagear Cosme e Damião

Missas, caruru e doces para homenagear São Cosme e São Damião nesta quarta-feira (27)

Um dos pratos mais tradicionais da culinária baiana, o caruru ganha destaque durante o mês de setembro, especialmente no dia 27, dia de render graças a São Cosme e São Damião, os santos gêmeos muito populares e queridos entre os baianos. Embora na religião católica a data dedicada aos santos seja 26, é no dia 27 que as homenagens tornam-se mais fortes com a incorporação dos festejos dos cultos afro-brasileiros, incorporados pelo sincretismo baiano.   

Além de missas e procissões para louvar os santos católicos, que, por terem estudado medicina, são considerados padroeiros dos médicos, farmacêuticos e das faculdades de medicina, o caruru (de origem africana) é a comida oferecida como forma de pagamento das promessas feitas para alcançar graças com a ajuda dos “Santos Meninos”.  Como também são considerados protetores das crianças, faz parte das oferendas a distribuição de balas e outros doces que agradam em cheio à meninada.

Com o sincretismo, São Cosme e São Damião são equiparados aos Ibejis, divindades gêmeas que representam a infância no Candomblé (ibeji em iorubá significa gêmeos).  Venerados na tradição católica como santos adultos que praticaram a medicina, é como “santos meninos” que estão no imaginário popular e são louvados pela maioria dos devotos.

Caruru - O "caruru de São Cosme e Damião" ou “caruru de Cosminho” é normalmente ofertado pelos que tiveram pedidos alcançados com a intercessão dos santos.  Não faltam relatos de fé e devoção.  Assim como não falta casa em que a iguaria seja servida nesta época, principalmente em Salvador e no Recôncavo.  Também não é difícil encontrar quem espera ansioso a chegada do mês de setembro para se deliciar com o caruru dos santos gêmeos. Pode ser para muitos convidados ou apenas para sete meninos, que representam Cosme, Damião e seus irmãos Dou, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi.  Antes do dia 27, no dia ou mesmo depois dessa data, dar o caruru de São Cosme e Damião, como se costuma falar, é uma forma de agradecer aos santos.

Reza a tradição que, antes de ser servida aos convidados, a iguaria seja oferecida primeiro aos santos. Depois, é a vez dos sete meninos, que se sentam no chão, em volta de uma toalha. O caruru então é colocado em sete pratinhos ou numa única vasilha, onde as crianças comem, sem-cerimônia, com as mãos, enquanto palmas e músicas rendem graças aos donos da festa. Só depois é a vez dos convidados.  Também faz parte da tradição colocar sete quiabos inteiros no preparo. Quem for agraciado com um desses quiabos, fica na obrigação de, no ano seguinte, oferecer a iguaria.

São Joaquim – Um dos locais mais procurados para a compra de ingredientes para o caruru é a Feira de São Joaquim, na Cidade Baixa, que, segundo os comerciantes, já experimenta aumento do movimento desde o início do mês e, asseguram, vai ficar mais forte esta semana, com a proximidade da data.



Programação - Na Paróquia dos Santos Mártires Cosme e Damião, na Liberdade, única em Salvador dedicada aos santos, missas são realizadas durante todo o dia 27 para homenageá-los. O templo fica lotado de fiéis que vão, na maioria, agradecer as graças alcançadas.

 O dia festivo já começa com uma alvorada às 5h. Em seguida, acontecem missas às 6h, 7h, 8h30, 10h e 12h. Após uma pausa, as celebrações são retomadas às 14h (um grande louvor aos santos) e 15h30.  Às 17h uma procissão segue pelas ruas em direção ao bairro da Lapinha, retornando à igreja, onde, às 18h, é realizada a missa solene de encerramento.

A história - Relatos indicam que São Cosme e São Damião nasceram na Arábia, no século III, de pais ricos e cristãos. Estudaram medicina na Síria, exercendo a profissão na Egéia e Ásia Menor, sem receber nenhum pagamento. Aliado aos conhecimentos médicos, também usavam a palavra de Deus para curar os doentes, divulgando, assim, a fé cristã e convertendo os pagãos. O fato despertou a ira do imperador romano Diocleciano, que os mandou prender.  Mesmo forçados a renunciar à sua fé, os dois se mantiveram fiéis, por isso foram mortos.

Muitas versões e lendas cercam a história dos dois santos.  Conta-se que várias formas foram utilizadas para matá-los. Por afogamento, queimaduras, a pedradas.  Como nada surtiu efeito, foram degolados. No Brasil, a devoção aos santos veio com os portugueses, durante a colonização, sendo aqui associada aos cultos afros.

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