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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Baianas de acarajé recebem certificado do curso de empreendedorismo

As baianas de acarajé que participaram do curso de empreendedorismo na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), em Salvador, entre outubro e novembro do ano passado, receberam os certificados nesta quarta-feira (24). A iniciativa resultou de parceria do Governo do Estado com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), em atendimento à solicitação da Associação das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivos e Similares (Abam).

Foram contempladas 60 profissionais da área, entre elas Célia Maria Nascimento, que começou a trabalhar no ofício com 17 anos de idade. Hoje ela tem 67 e sustenta a família – quatro filhos e dois netos – com a atividade em Itapuã. “Eu lavava roupa de ganho, mas depois pedi ajuda para ter meu tabuleiro, vender acarajé e dar comida aos meus”, contou. O que mais chamou a sua atenção no curso foi o módulo de qualidade no atendimento. “Foi uma experiência única, que vai melhorar o nosso trabalho”, concluiu.

Já Mônica Lisboa, de 37 anos, que herdou o ponto de sua mãe na praia de Jardim de Alah, achou interessante a aula de boas práticas na manipulação de alimentos. “Aprendi muitas coisas, principalmente em relação à higiene, saber como manejar a salada, por exemplo. Seria bom se todas as baianas de acarajé fizessem esse curso”. Segundo a representante do Senac, Cleópatra Moraes, o cuidado com a compra do material, armazenamento, preparo e distribuição é fundamental para evitar danos à saúde.

Multiplicadoras de conhecimento

A baiana de acarajé Angelimar Trindade, de 58 anos, que trabalha no bairro IAPI, também considerou a iniciativa positiva e pretende compartilhar o conhecimento com outras profissionais. “Temos a responsabilidade de multiplicar o que aprendemos em sala de aula. Vou levar as informações adquiridas para minha família, vizinhança, mostrar a forma correta de fazer. O aprendizado não é só para o tabuleiro, mas para a vida inteira”, disse.

Para a presidente da Abam, Rita Santos, a parceria foi estratégica e precisa ter continuidade. “Estimamos que exista em Salvador de três a quatro mil baianas. Então não formamos nem 10% desse número. Por isso, a necessidade de realizar mais capacitações e contemplar, inclusive, o interior. Profissionais de aproximadamente 20 municípios já procuraram a associação para receber o curso”. Outro tema abordado na capacitação foi empreendedorismo e mercado de trabalho.

Resistência

Na ocasião, foi apresentada a Lei 13.208/2014, que instituiu a Política Estadual de Fomento ao Empreendedorismo de Negros e Mulheres e prevê ações, inicialmente, em Salvador e Recôncavo. Já existe uma comissão composta por diversas secretarias para desenvolver iniciativas voltadas aos segmentos.

O coordenador de Promoção da Igualdade Racial da Sepromi, Sérgio São Bernardo, disse que a experiência das baianas de acarajé serve de modelo para outras áreas por “conseguir avançar e consolidar o negócio sem perder a identidade cultural e religiosa”. Ele também apontou a necessidade de se pensar estratégias em conjunto para desenvolver outras iniciativas, como fontes de financiamento.

Patrimônio Imaterial

As baianas de acarajé, que começaram a mercar no período da escravidão, são Patrimônio Imaterial da Bahia. O ofício também consta no livro de Registro Especial dos Saberes e Modos de Fazer, consolidando uma tradição no estado, além de ser Patrimônio Imaterial Brasileiro.

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