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segunda-feira, 28 de março de 2016

Quaderna, O Encantado


O diretor Edinilson Motta Pará revisita o sertão mítico inspirado na obra de Ariano Suassuna.

A peça mostra a saga epopeica de Felipe Quaderna, homem simples do sertão nordestino que, ao descobrir que faz parte de uma linhagem real, almeja se tornar Rei do Quinto Império do Sertão no Brasil, de onde proverá riqueza e prosperidade para todo povo nordestino.

Sua determinação em ascender à realeza surgiu ao constatar que ele é um descendente de profetas e beatos que acreditavam que através de rituais, preces e cânticos poderiam garantir o retorno de Dom Sebastião, O Desejado, ao poder, em pleno sertão nordestino. Com isso, teriam acesso a tesouros inimagináveis que "enricariam" todos os pobres sertanejos que acreditam no retorno do monarca português. 

Dom Sebastião foi o rei lusitano que desapareceu na Batalha de Alcácer-Quibir, contra os Mouros, em 1578. Com o seu sumiço, aos 24 anos, a coroa portuguesa entrou em crise e logo caiu nas mãos dos espanhóis, criando o mito de que um dia ele voltaria cercado de uma legião de anjos, trazendo riqueza e prosperidade para os portugueses. Essa história se espalhou e se tornou lenda nas colônias lusitanas da época, entre elas, o Brasil.

Sobre a encenação
O protagonista é inspirado em Pedro Dinis Ferreira-Quaderna, personagem principal do romance A Pedra do Reino, de Ariano Suassuana, que acredita ser uma pessoa fadada a erguer um reino sagrado no sertão nordestino e garantir riquezas para os pobres que acreditam em suas profecias. 

Porém, enquanto o personagem suassuriano fracassa na tentativa de se tornar rei do sertão, o nosso herói ou anti-herói quixotesco, vai até o fim na sua determinação e se autocoroa soberano, partindo para garantir o desencantamento dos tesouros sonhados. 

Os antepassados que o personagem cita como pertencentes a uma linhagem real realmente existiram como beatos messiânicos que tiveram grande número de seguidores em suas pregações: Mestre Quinhou, da Serra do Rodeador, em 1818; João Ferreira, do Sertão do Pageú, em 1935 e Pedro Antônio, da Pedra Bonita, em 1938. Todos tinham o sebastianismo como meio de agregar fieis em torno de si.

A Montagem
A peça foi escrita em forma de monólogo, na qual o protagonista Felipe Quaderna se apresenta descendente desses lideres messiânico e por isso com direito de herança de sangue erguer um Reino Encantado no Sertão Nordestino. 

A dramaturgia foi criada a partir de pesquisas sobre o ocorrido publicadas em jornais da época, relatos de historiadores e obras da literatura brasileira, mais especificamente, A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna; Pedra Bonita, de José Lins do Rego e Os Sertões de Euclides da Cunha.

Durante a encenação, o personagem mostra a formação da árvore genealógica de sua família, composta por pessoas que ele considera como reis, rainhas e príncipes, que sempre buscaram a melhoria de vida dos mais pobres através da ressurreição do Dom Sebastião. 

O relato é costurado por elementos sonoros e visuais do universo sertanejo: lamentos, súplicas, cantos, louvores, prosas, poesias, cantos e sons armoriais, vozes lamúrias, aboios, sons de chocalhos, apitos, etc. A trilha sonora e musical é executada ao vivo por um músico/personagem que divide o palco com o ator.

No elenco o ator Ricardo Stewart (Potocolo Lunar) e o músico Igor Reis (Trova Nova). Texto e direção de Edinilson Motta Pará (Escorial e Nhô Guimarães)
Quaderna, O Encantado, uma história sobre reinos, conquistas, batalhas e lutas pela criação de um Reino no Sertão do Brasil.

Três Tragédias no Sertão Brasileiro que serviram como base para a encenação Quaderna, O Encantado
Quaderna, O Encantado se propõe ser uma montagem teatral de cunho sertanejo, medieval e armorial, com base em fatos que são marcadamente sebastianistas, em localidades do sertão pernambucano:

Na serra do Rodeador
O primeiro, conhecido como A Tragédia do Rodeador, tinha como líder Silvestre José dos Santos, “Mestre Quiou”, que fundou um arraial no local denominado Sítio da Pedra, destruído em 25 de outubro de 1820 pelo governador de Pernambuco Luiz do Rego. Denominado de “massacre de Bonito”, a destruição do arraial pelas forças legais deixou um saldo de 91 mortos e mais de cem feridos. Após o massacre, mais de 200 mulheres e 300 crianças foram aprisionadas e enviadas para o Recife. 

Em São José do Belmonte
O segundo movimento fanático surgiu no município de São José do Belmonte, interior de Pernambuco, em 1836, um ano depois de o estado sofrer uma grande seca. Teve início com as pregações do beato João Antônio, segundo as quais o lusitano Dom Sebastião iria “desencantar” e voltar para distribuir riqueza com o povo. Logo, uma legião de seguidores se formou em torno do beato, mas, pressionado por padres católicos, desistiu da iniciativa. 

Na Pedra Bonita 
Dois anos depois, João Ferreira (um cunhado do beato João Antônio) reinicia o movimento, com as mesmas promessas de criação do “Reino Encantado”. O fanático João Ferreira reunia seus seguidores em torno de dois grandes rochedos (a Pedra Bonita) e dizia que, para que Dom Sebastião revivesse e pudesse realizar o milagre da riqueza, era preciso que a grande pedra ficasse totalmente tingida com sangue humano. Quem doasse o sangue para a volta do rei seria recompensado: velhos ressuscitariam jovens; pretos voltariam brancos e todos, além de ricos, seriam imortais na nova vida. Tiradas de suas lavouras pelo flagelo da seca, famílias de agricultores acamparam em volta da rocha e passaram a aguardar o milagre. 

A tentativa de tingir a pedra com sangue humano para que, finalmente, o milagre acontecesse foi levada à prática durante três dias de maio de 1838. O primeiro a ser degolado foi o pai do rei João Ferreira. Outras 52 pessoas foram sacrificadas, a maioria crianças. Mas, mesmo assim, Dom Sebastião não apareceu. Depois de uma rebelião contra o rei messiânico, que foi morto e esquartejado, os fanáticos, então, decidiram sair em procissão, tendo à frente Pedro Antônio (cunhado do rei). Encontraram uma patrulha de policiais e foram massacrados. 

Os registros oficiais sobre a Pedra Bonita citam um certo “vinho encantado” servido pelo beato aos seus seguidores à base de fortes alucinógenos: manacá com jurema, durante as cerimônias sebastianistas, por isso, acreditasse que o povo tinha visões induzidas pela beberagem. 


Serviço:
Temporada
Local: Teatro SESI Rio Vermelho
R. Borges dos Réis, nº 09
Rio Vermelho, Salvador – BA
CEP – 41950-600
Telefone:(71) 3616-7064
Data: 02, 03, 09, 10, 16, 17, 23 e 24 de abril de 2016.
Dias: sábados e domingos 
Horário: 20 horas 
Classificação Etária: 14 anos
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15, 00 (meia)

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