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sexta-feira, 17 de março de 2017

IGHB lembra os 200 anos do fuzilamento do "Padre Roma"

Há precisamente 200 anos, em 29 de março de 1817, era fuzilado no Campo da Pólvora, em Salvador, o advogado pernambucano José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima (o “Padre Roma”), um dos líderes da Revolução Pernambucana de 1817. Ele viera à Bahia buscar apoio para o levante - irrompido três semanas antes em Recife - que pretendia derrubar a Monarquia, separar o Brasil de Portugal e implantar a República. A data será lembrada pelo Instituto Geográfico e Histórico da Bahia com uma conferência em sua sede, na próxima segunda-feira (20), às 17 horas, proferida pelo jornalista e pesquisador Jorge Ramos, estudioso do tema.

A Revolução Pernambucana de 1817 forma, ao lado da Inconfidência Mineira (1789) e da Revolução dos Alfaiates, na Bahia (1798), o conjunto das maiores revoltas separatistas ocorridas no Brasil. E foi a única a passar da fase conspiratória, pois chegou a depor o governador Caetano Montenegro e ocupar o poder em Pernambuco por 103 dias, até ser dominada por tropas leais à Monarquia.

Tão logo deflagrada e para obter apoio ao movimento sedicioso, o comando da Revolução enviou às demais províncias mensageiros como o “Padre Roma”, para  obter apoio. Vindo de jangada, ele foi preso ao desembarcar em Itapuã, não sem antes jogar ao mar os papéis que trazia, contendo documentos comprometedores e os nomes de membros da Maçonaria local com quem faria contato. Por ordem do então governador da Bahia, o 8º Conde dos Arcos, foi submetido a um julgamento militar sumário, no qual negou-se a declarar os nomes das pessoas a quem procuraria. Foi condenado à morte e executado no Campo da Pólvora, na manhã de 29 de março de 1817. Em junho do mesmo ano, após vencer os revoltosos, o governo de Dom João VI  reprimiu com violência o movimento e outros três líderes foram trazidos presos e também fuzilados em Salvador.

QUEM FOI - O advogado José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima (1768-1817) nasceu em  Recife e entrou para o seminário da cidade de Goiana mas foi em Portugal que concluiu o curso de Teologia e em Roma foi ordenado frei. Voltando ao Brasil, pediu dispensa da ordem carmelita, casou-se e passou a advogar. Por ter sido prelado católico ficou conhecido como “Padre Roma”. Possuía um grande poder de oratória e defendia ideias liberais para a época. Por  causa dos seus vastos conhecimentos jurídicos e filosófico ficou famoso em Pernambuco, principalmente porque defendia causas populares. Teve  dois filhos, um dos quais o acompanhou na viagem à Bahia. O outro, mais velho, com o mesmo nome do pai, era militar e já estava preso na Bahia, por insubordinação, quando o “Padre Roma“ foi preso. Por ordem do Conde dos Arcos foi obrigado a assistir à execução do pai. Mais tarde, Abreu e Lima deixou o Exército e viajou pela América do Sul, onde se alistou no exército de Simon Bolívar, sendo uma dos mais destacados generais da campanha pela libertação da Colômbia, Venezuela e Equador do domínio espanhol.

IGHB – Uma das 15 instituições apoiadas pelo programa de ações continuadas a instituições culturais, iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura.

O Que: Conferência sobre os 200 anos do fuzilamento do “Padre Roma”
Quando: Segunda-feira (20/03/2017), às 17h 
Onde: sede do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGBA)
Avenida Joana Angélica, 43
Conferencista: Jorge Ramos (jornalista e pesquisador)
Assessoria IGHB: 71 3329 4463/999745858

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