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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Estudantes com deficiência realizam apresentações artísticas em festival na Biblioteca Central

Mais de 50 estudantes com deficiências do Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP) e de outras unidades da rede estadual de ensino realizaram, nesta quarta-feira (12), na Biblioteca Central do Estado da Bahia, apresentações artísticas como coral, exposições de quadros e artesanatos, música e recital de poesia durante o I Festival das Artes da Pessoa com Deficiência. O evento, que também contou com a presença de familiares, teve o objetivo de promover a autonomia e o protagonismo dos estudantes, através da inserção da arte e cultura no processo de educação inclusiva.

De acordo com o diretor do CAP, Rivelto Carvalho, o festival é uma das atividades que compõe a primeira jornada de formação da educação inclusiva. “Queremos demonstrar que todas as formas de inclusão são possíveis e quando a gente pensa a linguagem das artes e da cultura dentro de uma matriz de formação integral, pensamos também que as pessoas com deficiência têm múltiplas possibilidades. Nós, dentro da escola pública, podemos dar a oportunidade de eles serem os protagonistas deste processo, rompendo as barreiras da sala de aula”, destaca o gestor.

Antônia Maria Alves, 68, que possui deficiência visual (baixa visão) estava entusiasmada para apresentar suas peças de artesanato, confeccionadas com crochê e tecidos, a exemplo de panos prato, jogos americanos e porta- moedas. “O CAP é minha vida, porque lá eu me desenvolvo, participo de muitas atividades como braile, coral, aulas de teclado, informativa, violão e artesanato. É muito bom estar aqui mostrando a minha arte neste evento”, conta, animada, segurando as suas peças artesanais feitas com muita dedicação.

A filha de Antônia, Jane Cavalcante, fez questão de acompanhar sua mãe no festival. “O trabalho do CAP é muito importante, pois mostra que as pessoas com deficiência podem ter perspectivas de vida ao realizarem diversas atividades que elevam a autoestima e contribuem para o aprendizado”, afirma, orgulhosa.

Para Maria Crispina Cunha, 60, a feira foi uma grande oportunidade para expor os seus 20 quadros pintados com a técnica de acrílico sobre tela. “Eu tenho uma capacidade reduzida de visão e isso não me impede de pintar os quadros. Eu não poderia deixar de oferecer o belo para outras pessoas e esta exposição significa muito para mim porque serve de incentivos para outras pessoas que também possuem deficiência visual”, afirma, em meio às suas obras de arte após também se apresentar tocando teclado para o público presente.

Matheus Tourinho Álvarez, 39, conta que ficou emocionado ao ver o coral do CAP cantando o hino do Centro que ele compôs juntamente com um colega. “O hino mostra a união que existe no CAP e apresentar nossos talentos no festival é uma forma de mostrar que nós somos pessoas normais e que limitações todos têm”, diz, o estudante.


 Fotos: Emerson Santos

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