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domingo, 5 de fevereiro de 2023

Antidepressivos: O uso como fuga das variações emocionais

Getty Imagens


● Venda de medicamentos para a saúde mental cresceu cerca de 58% entre 2017 e 2021, apontam Dados do Conselho Federal de Farmácia; ● Um dos motivos da busca é a necessidade de aplacar sentimentos que são normais na vida, diz a Psicóloga Ana Gabriela Andriani


A busca incessante ao bem-estar tem chamado a atenção de especialistas. A ausência de controle emocional e a fuga em lidar com os sentimentos como a angústia e a tristeza tornam os medicamentos antidepressivos a “solução” até para as depressões consideradas mais leves, onde o uso de remédios não costuma ser recomendado como tratamento, por exemplo. A busca por resultados rápidos e bem-estar a qualquer custo têm sido alvo de preocupação e um assunto amplamente discutido por profissionais da área.


Segundo dados do Conselho Federal de Farmácia, a venda de medicamentos para a saúde mental cresceu cerca de 58% entre 2017 e 2021, porém a maioria dos pacientes que tomam esses medicamentos apresentam casos leves de depressão ou apenas sentimentos negativos. Os antidepressivos têm o poder de normalizar o estado de humor quando o paciente se encontra deprimido, com sentimentos de tristeza, angústia, desinteresse, desmotivação, falta de energia, alterações do sono e apetite etc. O seu uso pode causar dependência dos pacientes se forem usados de forma indiscriminada.


É de extrema importância o acompanhamento médico para a escolha do medicamento, da dosagem e o tempo de uso. Os efeitos colaterais muitas das vezes limitam a vida, eles incluem disfunção sexual, tonturas, ganho de peso, alterações no sono e apetite e, em idosos, podem afetar funções urinárias, intestinais ou cognitivas.


“É importante saber tolerar e viver os momentos de angústia, de tristeza, de insegurança e desorganização, a busca por remédios tem como objetivo tentar aplacar esses sentimentos, que são normais da vida. Um profissional pode fazer um diagnóstico da necessidade de fazer uso desses estabilizadores de humor, mas, outros métodos podem ser levados em consideração se o caso de depressão for leve. Pode ser o caso da psicoterapia até a recomendação para mudança de estilo de vida, como alimentação mais saudável, prática de exercícios físicos e regular o sono”, aponta a Psicóloga Ana Gabriela Andriani.


Na sociedade contemporânea o que se percebe é cada vez uma intolerância em relação ao sofrimento, à angústia e decepções, as pessoas ficam muito assustadas quando estão em um momento que as fazem se sentirem deprimidas. Existe uma necessidade de compra e venda das pílulas de felicidades com o objetivo de aplacar esses sentimentos, mas é importante viver a tristeza e não a ignorar, pois está desempenha um papel de grande importância para o desenvolvimento e crescimento pessoal.


 


Sobre Ana Gabriela Andriani - CRP 06/58907 


É psicóloga formada pela PUC- SP, Mestre e Doutora pela Unicamp, especialista em terapia de casal e família pela Northwestern University - EUA, especialista em Psicoterapia Breve pelo Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, e membro Filiado da Sociedade Brasileira de Psicanálise.


 

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