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terça-feira, 1 de agosto de 2023

Serasa aponta maior endividamento dos últimos três anos

 


"A tendência é que continue crescendo o número de recuperações judiciais", explica o especialista Douglas Duek


O número de recuperação judicial no Brasil alcançou a marca de 593 pedidos, 52,1% em relação ao mesmo período do ano passado


São Paulo - Com um início de ano marcado pela recuperação de gigantes como Americanas, Light, Oi, Grupo Petrópolis, Raiola, Nexpre e Avibrás, que juntas somam mais de R$ 100 bilhões, o Serasa Experian destacou que no primeiro semestre deste ano o número de recuperação judicial no Brasil alcançou a marca de 593 pedidos, 52,1% em relação ao mesmo período do ano passado e maior número dos últimos três anos. 


Douglas Duek, especialista em reestruturação e recuperação judicial de empresas e CEO da Quist Investimentos - empresa que atua há mais de 10 anos com recuperação judicial no Brasil, explica que a tendência é que continue crescendo este número de recuperações, pois das muitas empresas que estão com problemas financeiros, nem todas adotaram as soluções necessárias. Algumas ainda estão na fase de  tentar negociar suas dívidas e boa parte ainda deve adotar a recuperação judicial, uma vez que, por exemplo, os juros ainda não cederam e muitas ainda estão aguardando a baixa deles. “Por isso, ainda devemos ter um incremento expressivo até o final deste ano. Além disso, temos novas crises acontecendo, posso citar como exemplo a crise do agronegócio. Como o preço das commodities caíram bastante, principalmente de soja e milho, devemos esperar que no segundo semestre tenha uma nova onda de recuperação no agronegócio devido a esta queda bruta e rápida da soja e milho”, destaca.


O especialista diz que que esta somatória de R$ 100 Bilhões vêm de setores diferentes e que cada setor tem motivos das suas dívidas serem grandes, como podemos observar em empresas sem capital próprio, como o varejo, no qual os juros acabam sendo uma dificuldade recorrente. Douglas salienta também que este número expressivo acaba endurecendo ainda mais as negociações com os bancos. “Os bancos continuarão rígidos nas operações porque se normalmente 3% da carteira dos bancos trazem  problemas, eles acabam ficando tranquilos para renegociar, mas o cenário de hoje está bem acima disso. Se hoje se negocia e facilita para muitas empresas, vai representar grande parte da carteira, principalmente tendo em vista que o atual índice de endividamento é de  mais de 50% acima do ano anterior. Então os bancos precisam endurecer para receber o máximo possível. Imaginem que é igual a um cabo de força e cada um vai fazer a força para o seu lado. É por isso que a recuperação está sendo tão  adotada, pois a partir dela não precisamos pedir licença e nem o aval dos bancos. O que é necessário para uma recuperação judicial é mostrar a dificuldade da empresa para a justiça e usar os requisitos da lei para fazer o processo acontecer”, pontua.


O economista ainda ressalta que é indispensável a procura por assessoria financeira com profissionais especializados para diagnóstico assertivo, pois a recuperação judicial não é recomendada para todos os casos. 

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