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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Cuidar da saúde reprodutiva desde cedo pode reduzir problemas

 
Cuidar da saúde reprodutiva desde cedo pode reduzir problemas de infertilidade feminina


Além do relógio biológico, fatores hormonais, endometriose e IST’s são algumas das principais causas que podem comprometer a fertilidade da mulher


De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a infertilidade é uma condição que afeta uma a cada seis pessoas adultas em todo mundo, o que equivale a cerca de 17,5% da população adulta global. Hoje boa parte das mulheres começam a planejar sua gravidez após os 35 anos, justamente na idade em que a fertilidade feminina entra em declínio. “Cuidar da saúde ginecológica e reprodutiva desde cedo evita situações que podem impactar negativamente na sua fertilidade”, esclarece a médica Bárbara Melo, especialista em medicina reprodutiva da equipe do Cenafert - Centro de Medicina Reprodutiva.


“A realidade de hoje é que muitas mulheres têm decidido ter filhos em idade cada vez mais avançada, quando já estão com sua vida profissional estabilizada. Então, elas chegam ao consultório para buscar ajuda especializada, muitas vezes, já com a fertilidade comprometida”, afirma a especialista.



Relógio biológico e preservação da fertilidade


Segundo Bárbara Melo, o relógio biológico é uma das principais causas da infertilidade no sexo feminino. A partir dos 35 anos, as chances de uma gravidez espontânea caem consideravelmente, uma vez que a qualidade e quantidade dos óvulos diminuem progressivamente até a menopausa, quando a mulher para de ovular e encerra sua vida fértil. “Quando a mulher deseja adiar seu projeto de ser mãe, seja por motivos pessoais ou profissionais, ela deve avaliar sempre a possibilidade do congelamento de óvulos para preservação da fertilidade”, orienta. “A criopreservação de óvulos através da técnica de vitrificação deve ser incluída no planejamento familiar nesses casos”, explica.


Considerado um método mais avançado de criopreservação, a técnica de vitrificação proporciona taxas de gestação altas, uma vez que o procedimento preserva as características, a idade e a qualidade dos gametas femininos. “O sucesso da técnica está associado com a idade da mulher no momento do congelamento e a quantidade de óvulos congelados, a recomendação é que o congelamento seja realizado antes dos 35 anos de idade”, reforça a médica. Quanto mais jovens forem os óvulos congelados e em maior quantidade, maior a chance de uma fertilização bem sucedida.


Outros fatores de infertilidade feminina



Além do avanço da idade, vários sinais podem acender um alerta para a saúde reprodutiva das mulheres, como ciclos menstruais irregulares, menopausa precoce, dor durante o ato sexual, alterações hormonais, dismenorreia intensa e progressiva (dor no período menstrual), obstrução nas trompas e problemas de malformação ou tumores no útero. 


Obesidade, tabagismo e Infecções Sexualmente Transmissíveis são alguns dos inúmeros fatores que podem desencadear infertilidade e dificultar o sonho de ter filhos. “Praticar sexo seguro também é fundamental para a saúde reprodutiva, uma vez que as Infecções Sexualmente Transmissíveis podem comprometer a fertilidade”, esclarece Bárbara Melo.


 “A endometriose, doença que atinge cerca de 10% das mulheres brasileiras, quando não tratada ou diagnosticada tardiamente também pode comprometer o sistema reprodutivo feminino e causar infertilidade”, lembra a especialista em medicina reprodutiva.


Prevenção e saúde reprodutiva 


Praticar atividade física regularmente, manter-se no peso adequado, não fumar, controlar o estresse e a ansiedade, ter uma alimentação equilibrada, manter uma vida sexual saudável com uma frequência de três relações por semana, saber o período fértil, dormir bem e evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas são algumas das medidas que podem aumentar as chances de uma gravidez natural. 


Além dos hábitos saudáveis, as consultas e exames de rotina com o ginecologista são essenciais para a preservação da saúde reprodutiva. “Ao menor sinal de algo irregular na sua saúde reprodutiva ou mesmo quando se pretende adiar o projeto de maternidade, é importante buscar ajuda especializada para avaliar sua condição reprodutiva”, recomenda Bárbara Melo. 


Uma mulher com menos de 30 anos e vida sexual ativa, que deseja ser mãe, pode esperar até dois anos para que aconteça a gravidez se ela já foi avaliada por um especialista e não apresenta nenhum problema que possa afetar sua fertilidade. Caso a mulher tenha mais de 30 anos não deve aguardar mais que um ano para iniciar uma investigação com o especialista. Se atingiu 35 anos, o prazo de espera não deve ultrapassar seis meses. Após os 40 anos de idade, se a mulher deseja engravidar, ela deve iniciar a investigação da sua capacidade fértil imediatamente.


 


Infertilidade compartilhada 


A infertilidade é caracterizada quando não ocorre gravidez em um casal que mantem relações sexuais com frequência sem usar medidas de proteção contraceptiva por um período de um ano ou mais. A responsabilidade pela gravidez deve ser compartilhada igualmente pelos dois sexos. Segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), cerca de 35% dos casos de infertilidade podem ser atribuídos à mulher, outros 35% são de responsabilidade do homem, 20% estão relacionados a ambos e 10% são de causas desconhecidas. 


“Quando a gravidez não acontece espontaneamente, é fundamentar realizar a investigação da infertilidade nos dois sexos”, ressalta Bárbara. A condição reprodutiva de cada um deve ser avaliada pelo especialista para que se tenha um diagnóstico preciso das causas da infertilidade e assim seja indicado o tratamento mais adequado. .


 

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