
A polícia resgatou, nesta terça-feira, 10, pela manhã, uma mulher que contou viver em regime de escravidão há 14 anos em uma casa de classe média que pertence à professora Maria Helena Silva, 55 anos, no bairro de Itapuã. Cabisbaixa, Gabriela de Jesus Silva, 25 anos, não sabia dizer a própria idade e quanto tempo vinha sendo submetida aos serviços domésticos e a maus tratos. O caso está sendo apurado pela delegada Francineide Moura, titular da 12ª CP (Itapuã), que indiciou a professora e seu marido José Carlos Carreira da Silva por crime de escravidão, artigo 149 do Código Penal Brasileiro (CPB), que trata de “manter alguém em condição análoga a de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva”. “Esta jovem não recebe salário, não tem carteira de trabalho, faz todos os afazeres e não tem autorização de sair sozinha. Vive numa condição de escravo”, afirmou. A acusação secreta foi feita através de um e-mail por vizinhos à Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. De acordo com o correio eletrônico, a jovem não estudava, cuidava de afazeres domésticos na casa de três pavimentos, além de ser vítima de freqüentes torturas. A denúncia foi encaminhada ao Núcleo de Atendimento para Assuntos Criminais (Naocrim), da Bahia, que enviou a psicóloga Bruna Matos de Araújo à residência da professora. A visita aconteceu no dia 28 de maio deste ano, quando Gabriela estava sozinha em casa.De posse das denúncias, a psicóloga organizou seu relatório indicando que a jovem não tinha noção de tempo e precisa de um tratamento psicológico. “Precisa ser mais avaliada. Ela apresenta muito sofrimento psíquico por conta da situação sofrida com essa família”, afirmou.O documento foi passado à delegada titular que começou a apurar o fato. Francineide solicitou busca e apreensão da jovem, por achar que tratava-se de uma adolescente. Ontem, pela manhã, uma equipe da 12ª CP foi à casa número 11 da Rua Princesa Isabel, no bairro de Itapuã, onde Gabriela foi resgatada por volta das 8 horas. Maria Helena foi levada à unidade, onde foi ouvida. Em depoimento, contou que não remunerava a jovem por não achar necessário. Ela negou que agredia a jovem juntamente com o esposo e duas filhas. Natural de Cansanção, a 341 quilômetros de Salvador, a jovem diz ter chegada na residência quando ainda tinha 11 anos. Apesar de a professora alegar que trouxe a menina para Salvador para lhe oferecer melhores condições de vida, a garota nunca estudou.“Eu quero me alfabetizar e fazer uma universidade. Ainda acho que posso ser feliz”, afirmou, entre lágrimas. Segundo a jovem, a professora não permitia que ela fosse à escola por que atrapalhava os afazeres domésticos. A menina limpava casa, lavava roupa, cuidava dos cachorros e da neta da professora de sete anos. De acordo com ela, dormia no chão. “Eu sempre pedi a Deus para que alguém me ajudasse. Eles dizem que eu quero ser igual a eles, mas eu não quero mesmo é estudar, Ter um futuro melhor”, lamentou. A jovem passou a noite em uma casa de acolhimento e o Ministério Público deve definir hoje o que vai ser feito com ela. As acusações contra a professora surpreenderam as funcionárias da Escola Municipal Jenny Gomes, em Itapuã, onde ela trabalha como agente administrativa. A coordenadora, Fátima Almeida informou que a delegada responsável pelo caso e a psicóloga estiveram lá em busca de informações sobre Maria Helena. Ambas foram informadas que Gabriela de Jesus Silva vinha sendo matriculada desde 1993 na escola, mas nunca conseguiu ser alfabetizada, e que abandonou as aulas antes do fim do período letivo."A jovem ficava em fase pré-silabica e tinha dificuldade de relacionamento com os colegas. Ela vinha para a escola com Maria Helena no horário noturno, turno em que ela trabalhava porque a área é muito perigosa, com vários registros de assaltos a estudantes. Gabriela foi matriculada este ano, mas já perdeu o ano porque não compareceu a nenhuma aula", explicou a coordenadora. Fátima Almeida disse que a delegada tirou cópias das fichas e informou que vai avaliar estas informações.A coordenadora disse ainda que Maria Helena é uma pessoa muito religiosa e que trabalha em obras assistenciais com crianças e idosos em Valéria.
*Fonte atarde
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