
Analfabeta, Juciara Batista dos Santos não sabe precisar há quanto tempo está cadastrada no programa Bolsa Família e mal consegue contar o dinheiro que recebe. Mas sabe que o benefício ajuda a pagar o aluguel do quarto 2x2 onde mora com dois filhos, no bairro de Nova Brasília da Estrada Velha do Aeroporto. Dos R$76 mensais que recebe do programa, Juciara dedica R$50 para a moradia.O caso de Jaciara é um exemplo de como o benefício é importante para famílias de baixa renda. Na rua São Paulo, onde o asfaltamento é precário, ela mora em um quarto alugado. Dentro do cômodo, ainda sem piso e reboco, poucos móveis: uma cama de solteiro, um fogão, um pequeno armário onde ela improvisa também uma mesa. O guarda-roupa é improvisado em uma caixa de papelão. De eletrodoméstico, apenas uma pequena TV, que ganhou de presente. “Ganhei tudo que tenho: móveis, talher, prato, panela. Vivo com a ajuda das pessoas. Agora estou precisando de um berço e roupas para a bebê”, diz.Além de pagar o aluguel, Juciara separa parte do que sobra do dinheiro para comprar comida para a filha de um ano. Na lista, itens como macarrão instantâneo, leite e farinha para mingau. Para consumo próprio e do filho mais velho, de 14 anos, ela busca ajuda na vizinhança. “Todo dia vou ao açougue pegar resto de carne. É a primeira coisa que faço quando acordo”, diz. Nesta sexta, dentro da panela tinha apenas um pacote de macarrão.Devido a sua condição financeira, deu sua outra filha, de 11 anos, para outra pessoa criar. “Se pudesse, não dava, não gosto disso. Mas não tinha como criar mesmo”, conta. Juciara vendia picolé e amendoim assado durante a noite, mas depois do nascimento da filha mais nova, não teve mais condição de trabalhar. “Ela ainda mama e não tenho condição de pagar para uma pessoa tomar conta”, explica.No próximo dia 15, Juciara completa 39 anos, mas não tem o que comemorar. “Já acostumei. Todo ano, no meu aniversário, não tenho comida em casa. Queira não ter que pedir ajuda às pessoas, mas não tem jeito. Só peço que Deus me dê força e saúde para criar meus filhos. Tem horas que choro, fico com fome. Mas tenho muito que agradecer a Deus por esse dinheiro. Se não fosse ele, como é que ia viver?”, questiona.Agora, vive na expectativa de aumento do valor recebido do benefício. Há dois meses cadastrou a filha caçula no programa. “Tomara que o dinheiro aumente. Assim vou poder comprar umas coisinhas que a pequena precisa. Roupa mesmo, ela não tem. A sandália foi uma senhora que deu”, diz.
*Fonte atarde
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