O subtítulo do filme diz muito de quem o dirigiu. Projeto abraçado pela estreante cineasta Patrícia Pillar, o documentário Waldick – Sempre no meu coração, que encerra neste sábado (26), às 20h30, no TCA, o IV Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, retrata uma referência de infância que bate fundo na memória afetiva da consagrada atriz.
Nascida em Brasília e criada no Rio de Janeiro, a urbana Patrícia, 44 anos, cresceu de ouvidos ligados no radinho de pilha que fazia companhia para a empregada doméstica de sua casa. No repertório, nomes como Odair José, Paulo Sérgio, Roberto Carlos, Fernando Mendes e um astro de Caetité, no sertão da Bahia, conhecido como Waldick Soriano.
A figura deste último sempre lhe chamou atenção desde criança. O chapéu de cowboy inspirado no personagem americano dos anos 40 Durango Kid, os ternos e os óculos escuros davam àquele nordestino uma estampa curiosa.
“Na época do Chacrinha, quando ele fazia parte do júri, eu o achava divertido e misterioso”, recordou a atriz. O tempo seguiu em frente, Patrícia passou dos 30 e a imagem daquele ídolo popular ficou adormecida no seu imaginário. Pelo menos até poucos anos atrás, quando escutou Tortura de amor, com versos dilacerados de Waldick, ficou encantada e botou na cabeça que iria dirigir um documentário sobre a trajetória do cantor.
Ao redescobri-lo, ela resolveu vasculhar reportagens e ouvir discos antigos do baiano. Um sertanejo que aprendeu a tocar acordeom no tempo em que Luiz Gonzaga já fazia muito sucesso, mas nem por isso enveredou pelo forró. Preferiu ser um artista romântico.
“Queria saber por que sua carreira aconteceu daquele modo. Por que foi rotulado de cafona, depois brega e ficou nesse nicho?”, questiona a diretora, que está em cartaz como atriz no filme Pequenas histórias, de Helvécio Ratton, e na novela A favorita, da Globo, no papel da protagonista Flora.
Mas a alegria do lançamento do documentário tem sido ofuscada pela gravidade do estado de saúde de Waldick Soriano, abalado, aos 75 anos, por um câncer de próstata em estado avançado.
A equipe médica responsável pelo tratamento do artista já comunicou que o quadro é irreversível, pois a doença se espalhou por várias partes do corpo. Ele continua lúcido, porém não consegue mais andar. Fazia tempo que tinha decidido morar sozinho em Fortaleza, mas nos últimos três meses vem sendo cuidado pelos parentes na casa da sua família na Ilha do Governador, subúrbio do Rio de Janeiro.
Amor e espinhos – Em pouco mais de 50 minutos, o filme Waldick – Sempre no meu coração mostra como a imagem do personagem foi construída até se consagrar na década de 60.
A canção cartão-postal é a pérola romântica Eu não sou cachorro, não, mas seu repertório, selado em mais de 80 discos, inclui uma fartura de hits do ídolo que cresceu ouvindo Vicente Celestino, Nelson Gonçalves e Augusto Calheiros. Na lista estão O moço pobre, Vestida de branco, Quem és tu, Dama de vermelho e Fujo de ti, dentre outros sucessos abolerados.
Patrícia Pillar conta que o documentário foca mais o homem do que o artista, através de temas recorrentes de sua obra, sobretudo o amor, a traição e as desilusões.
A partir da história do garoto pobre que deixou o interior da Bahia para se aventurar em São Paulo, a diretora diz ter conseguido rever várias fases do Brasil. Waldick Soriano encarou uma trajetória espinhosa. Ralou muito trabalhando de peão, lavrador, garimpeiro, engraxate e só conseguiu estudar até o quarto ano primário. Mas sempre soube que levava jeito para a música.
O interesse de Patrícia pela obra do chamado “rei da música brega”, autor de mais de 700 canções, também gerou o DVD e CD Waldick Soriano ao vivo (Som Livre), lançado no ano passado.
Os discos foram gravados em Fortaleza, diante de uma platéia calorosa e cercado por uma produção de categoria, que inclui nomes como o diretor musical José Milton, a cenógrafa e figurinista Rita Murtinho e o iluminador Maneco Quinderé. Tudo isso respaldado pela sensibilidade da nova cineasta, que ainda não confirmou se estará no lançamento do filme no TCA. Vai depender da sua apertada agenda de gravações da novela das oito.
FICHADocumentário: Waldick – Sempre no meu coraçãoDireção: Patrícia PillarQuando: Sábado (26), às 20h30Local: Teatro Castro Alves (Campo Grande)Ingresso: R$10/R$5
Nascida em Brasília e criada no Rio de Janeiro, a urbana Patrícia, 44 anos, cresceu de ouvidos ligados no radinho de pilha que fazia companhia para a empregada doméstica de sua casa. No repertório, nomes como Odair José, Paulo Sérgio, Roberto Carlos, Fernando Mendes e um astro de Caetité, no sertão da Bahia, conhecido como Waldick Soriano.
A figura deste último sempre lhe chamou atenção desde criança. O chapéu de cowboy inspirado no personagem americano dos anos 40 Durango Kid, os ternos e os óculos escuros davam àquele nordestino uma estampa curiosa.
“Na época do Chacrinha, quando ele fazia parte do júri, eu o achava divertido e misterioso”, recordou a atriz. O tempo seguiu em frente, Patrícia passou dos 30 e a imagem daquele ídolo popular ficou adormecida no seu imaginário. Pelo menos até poucos anos atrás, quando escutou Tortura de amor, com versos dilacerados de Waldick, ficou encantada e botou na cabeça que iria dirigir um documentário sobre a trajetória do cantor.
Ao redescobri-lo, ela resolveu vasculhar reportagens e ouvir discos antigos do baiano. Um sertanejo que aprendeu a tocar acordeom no tempo em que Luiz Gonzaga já fazia muito sucesso, mas nem por isso enveredou pelo forró. Preferiu ser um artista romântico.
“Queria saber por que sua carreira aconteceu daquele modo. Por que foi rotulado de cafona, depois brega e ficou nesse nicho?”, questiona a diretora, que está em cartaz como atriz no filme Pequenas histórias, de Helvécio Ratton, e na novela A favorita, da Globo, no papel da protagonista Flora.
Mas a alegria do lançamento do documentário tem sido ofuscada pela gravidade do estado de saúde de Waldick Soriano, abalado, aos 75 anos, por um câncer de próstata em estado avançado.
A equipe médica responsável pelo tratamento do artista já comunicou que o quadro é irreversível, pois a doença se espalhou por várias partes do corpo. Ele continua lúcido, porém não consegue mais andar. Fazia tempo que tinha decidido morar sozinho em Fortaleza, mas nos últimos três meses vem sendo cuidado pelos parentes na casa da sua família na Ilha do Governador, subúrbio do Rio de Janeiro.
Amor e espinhos – Em pouco mais de 50 minutos, o filme Waldick – Sempre no meu coração mostra como a imagem do personagem foi construída até se consagrar na década de 60.
A canção cartão-postal é a pérola romântica Eu não sou cachorro, não, mas seu repertório, selado em mais de 80 discos, inclui uma fartura de hits do ídolo que cresceu ouvindo Vicente Celestino, Nelson Gonçalves e Augusto Calheiros. Na lista estão O moço pobre, Vestida de branco, Quem és tu, Dama de vermelho e Fujo de ti, dentre outros sucessos abolerados.
Patrícia Pillar conta que o documentário foca mais o homem do que o artista, através de temas recorrentes de sua obra, sobretudo o amor, a traição e as desilusões.
A partir da história do garoto pobre que deixou o interior da Bahia para se aventurar em São Paulo, a diretora diz ter conseguido rever várias fases do Brasil. Waldick Soriano encarou uma trajetória espinhosa. Ralou muito trabalhando de peão, lavrador, garimpeiro, engraxate e só conseguiu estudar até o quarto ano primário. Mas sempre soube que levava jeito para a música.
O interesse de Patrícia pela obra do chamado “rei da música brega”, autor de mais de 700 canções, também gerou o DVD e CD Waldick Soriano ao vivo (Som Livre), lançado no ano passado.
Os discos foram gravados em Fortaleza, diante de uma platéia calorosa e cercado por uma produção de categoria, que inclui nomes como o diretor musical José Milton, a cenógrafa e figurinista Rita Murtinho e o iluminador Maneco Quinderé. Tudo isso respaldado pela sensibilidade da nova cineasta, que ainda não confirmou se estará no lançamento do filme no TCA. Vai depender da sua apertada agenda de gravações da novela das oito.
FICHADocumentário: Waldick – Sempre no meu coraçãoDireção: Patrícia PillarQuando: Sábado (26), às 20h30Local: Teatro Castro Alves (Campo Grande)Ingresso: R$10/R$5
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