Mostra cinematográfica internacional que expõe diferentes leituras da diáspora africana começa nesta quinta-feira, 13 de maioFamoso pela preservação das tradições, cultura e história de raiz africana, o município de Cachoeira sediará, pela primeira vez, o mais expressivo evento cinematográfico de temática afro do país. O III Bahia Afro Film Festival (BAFF 2010) adentrará o recôncavo baiano com a missão de aproximar milhares de pessoas da sétima arte sob a perspectiva da diáspora africana. Quarenta e seis filmes nacionais e internacionais, entre produções concorrentes e convidadas de curta e longa-metragem, mostra de filmes de animação, exibição especial de documentários do cineasta cubano Santiago Alvarez, além de conferências, seminários, oficinas e quatro shows musicais serão apresentados gratuitamente ao público estimado de 25 mil pessoas, de 13 a 23 de maio.
“Esta edição inaugura um novo conceito do Festival, ao inserir produções com eixos temáticos diversos, produzidas por diretores inspirados na diáspora africana, raízes e ancestralidade, sincretismo cultural e reparações, enaltecendo a diversidade cultural prevalecente no mundo contemporâneo”, explica o coordenador de programação do evento, Luiz Cachoeira. Patrocinada pela Petrobras, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual e Governo da Bahia, a mostra é uma iniciativa da Casa de Cinema da Bahia e traz como uma das novidades a parceria com o curso de cinema da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) e com os Pontos de Cultura da Rede Terreiro Cultural de Cachoeira (Cepasc).
O BAFF 2010 tem pré-estreia emblemática no dia da abolição da escravatura, com a conferência “Os significados do dia 13 de maio de 1888”, abertura da exposição “Imagens do Universo Afro”, com obras do artista plástico Hansen Bahia e dos fotógrafos Pierre Verger e Adenor Gondim e performance do Projeto “Povo da Música”, do Maestro Abolicionista Tranquilino Bastos.
A abertura oficial do BAFF 2010 ocorrerá na sexta-feira, 14, com a presença do ministro da cultura Juca Ferreira, do assessor da presidência da Petrobras Rosemberg Pinto, do reitor da UFRB Paulo Gabriel e do secretário estadual de Turismo Antônio Tramm, além de representantes de órgãos e instituições culturais, artistas e convidados, às 20h, no auditório do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Um show musical com lançamento do CD “5 Sentidos”, do cantor e compositor Mateus Aleluia encerrará a noite, às 21h, com participação da Orquestra Afro Sinfônica e convidados especiais.
Os dez dias de resgate do sincretismo cultural às margens do Paraguaçu terão ainda a adesão de personalidades que se tornaram referência na produção audiovisual baiana e na manutenção da identidade e valores emergidos da relação entre Brasil e África. É o caso do fotógrafo Adenor Gondim, do cineasta Roque Araújo, da secretária de promoção da igualdade da Bahia, Luiza Bairros, do músico Juvino Alves, do cineasta e pesquisador mineiro Joel Zito Araújo, entre outros expoentes. “A realização do festival em Cachoeira é um marco e um diferencial nosso em relação a grandes festivais do gênero, a exemplo da Bienal de Cinema de Burkina Fasso e do Pan-Africano de cinema e artes festival em Los Angeles. O recôncavo baiano é o cenário de uma parte importante da formação da cultura brasileira, ligada, ao mesmo tempo, à escravidão e às estratégias de sobrevivência da cultura de matriz africana”, afirma o curador do evento, Lázaro Faria.
Entre os pontos altos da programação, a primeira exibição no recôncavo de “Pau Brasil”, de Fernando Belens, e de “Atabaque Nzinga”, de Octávio Bezerra, produção rodada em Cachoeira, além da estreia nacional do curta-metragem “Mandinga en Colômbia”, de Lázaro Faria. As três produções integram o hall de filmes convidados do BAFF. Na mostra competitiva, produções como “A Ilha dos Escravos”, de Francisco Manso, “Benguelê”, de Helena Martinho da Rocha, “Da Roda ao Samba”, de Paulo Dourado e “Doido Lelé”, de Ceci Alves, classificado para o Festival da Cannes. No sábado, 22, será feita a divulgação dos trabalhos premiados acompanhada de homenagens, no auditório da UFRB. No encerramento do Festival, no domingo, 23, haverá a exibição dos filmes premiados, a partir das 20h, e lançamento da Mostra Itinerante de Filmes do BAFF 2010, percorrendo 24 municípios de 6 estados.
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SOBRE O BAHIA AFRO FILM FESTIVAL
Movido pelo interesse de dar visibilidade às produções audiovisuais de matriz africana, através da reunião de obras de diretores brasileiros e internacionais, o BAFF teve a sua primeira edição realizada em 2007 na capital baiana. No ano seguinte, o evento atraiu centenas de pessoas para a Senzala do Barro Preto, sede do Ilê Aiyê, no Curuzu, em Salvador, com a exibição de filmes de países africanos e da Diáspora Negra, como Brasil, Estados Unidos e Colômbia, de 16 a 21 de dezembro. Em 2009, ano em que Glauber Rocha completaria 70 anos de nascimento, a mostra teve a programação de filmes dedicada ao movimento artístico conhecido como “Cinema Novo” e integrou a Semana da Cultura Baiana, de 16 a 20 de novembro, em Florença, na Itália. Em 2010, a expectativa é de que milhares de pessoas se mobilizem em torno da temática afrodescendente, no município baiano de Cachoeira, em uma efervescência cultural norteada pelo cinema e extensiva a outras formas de manifestação artística.
MOSTRAS COMPETITIVAS E DE FILMES CONVIDADOS
O Festival contempla os amantes da sétima arte com uma rica produção cinematográfica que remete à ancestralidade africana. Curtas e longas-metragens, entre filmes de animação, documentário e ficção, trazem nomes da filmografia de países como Alemanha, Itália, França, Estados Unidos, Portugal e Espanha (que exibirá o filme “O milagre do Candeal”, de Fernando Treuba).
INTERCÂMBIO CULTURAL
O Festival marca também o incentivo aos novos talentos formadores da linguagem audiovisual, através de oficinas conduzidas por profissionais renomados dirigidas para o aperfeiçoamento de estudantes e cineastas atuantes no mercado. “Tela em Transe: Oficina de Cinema, com Operação de Câmeras cinematográficas com introdução ao cinema digital” será uma das temáticas desenvolvidas no evento, com coordenação de Lázaro Faria, Roque Araújo e Xeno Veloso, quinta-feira, 20, das 8h às 12h, no Centro Cultural Danneman, em São Félix. No mesmo horário, em Cachoeira, a experiência da Escola Internacional de Cinema de Cuba será demonstrada aos participantes, com a presença de Lazara Herrera, diretora da oficina de documentário Santiago Alavarez do Instituto de Cinema Cubano/ICAIC e de Savatori Braca, da Escola Livre de Documentários de San Pólo (Itália). A ocasião servirá ainda para viabilizar a formação de parcerias entre a escola cubana, a UFRB e demais apoiadores do evento, para intercâmbio cultural com alunos do curso de cinema da universidade. O Pólo Cinematográfico de Paulínea, em São Paulo, será outro case discutido dentre as conferências voltadas para propostas de fomento à cultura, como referencia para amadurecer a criação de uma Film Comission de Cachoeira, São Felix e Recôncavo da Bahia.
III BAHIA AFRO FILM FESTIVAL - BAFF 2010
Quando: De 13 a 23 de maio
Onde: Cachoeira - Bahia
Horário: Das 8h às 21h30
Entrada: Gratuita. Inscrições pela internet no site http://www.bahiaafrofilmfestival.com.br/ ou pelo telefone (71) 3322-1279
Programação de Abertura:
DIA 13.05 (quinta-feira)
14h30 – Conferência “Os Significados do Dia 13 de Maio de 1888”.Local: auditório do Colégio Estadual da Cachoeira.
17h – Abertura da exposição “Imagens do Universo Afro”, com obras do artista plástico Hansen Bahia e dos fotógrafos Pierre Verger e Adenor Gondim.Local: nova sede da Fundação Hansen Bahia.
20h – Performance do Projeto “Povo da Música”, do Maestro Abolicionista Tranquilino Bastos. Homenagem aos 122 Anos da Airosa Passeata, alusiva à assinatura do Decreto de Abolição da Escravatura e aos 140 anos de fundação da Filarmônica Lira Ceciliana, criada pelo próprio maestro. Local: Sede da Filarmônica Lira Ceciliana, percorrendo o Centro Histórico de Cachoeira.
DIA 14.05 (sexta-feira)
19h – Abertura do Memorial da História dos Equipamentos de Cinema, organizado pelo cineasta Roque Araújo. Varal de entalhes do artista Davi Rodrigues e mosaico fotográfico de Seo Zé, com feitura de Azeite de Dendê no Massapé.Local: foyer do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.
20h – Abertura Oficial do III Bahia Afro Film Festival.Com homenagem póstuma ao maestro abolicionista Tranquilino Bastos. Homenagens ao artista Mateus Aleluia, ao cineasta Arnold Conceição, ao Ministro da Cultura – Juca Ferreira.
Local: auditório do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.
PROGRAMA ESPECIAL
20h30 – Exibição do filme institucional do Bahia Afro Film Festival/BAFF e do curta- metragem “Massapê”, do cineasta homenageado Arnol Conceição.Local: auditório do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.
21h – Show Musical e lançamento do CD “5 Sentidos” de Mateus Aleluia, com Orquestra Afro Sinfônica e convidados especiais.
Local: auditório do Centro de Artes, Humanidades e Letras da UFRB.
PROGRAMAÇÃO DO EVENTO
• Mostra de filmes nacionais e internacionais – Concorrentes e convidados.
• Presença de cineastas, atores e convidados especiais.
• Mostra de filmes do documentarista cubano Santiago Alvarez.
• Seminário de Antropologia Audiovisual. Conferências. Oficinas. Debates. Exposições.
• Encontros de Pontos de Cultura, Cineclubes, TVs Universitárias.
• Lançamento de livros e CDs.
• Show musical “5 Sentidos”, de Mateus Aleluia. Com Orquestra Afro Sinfônica e convidados especiais. Lançamento do CD.
• Lançamento do CD “Cartas Musicais”, do músico Juvino Alves executando músicas do maestro abolicionista Tranquilino Bastos. Com apresentação da Filarmônica Lira Ceciliana,
em homenagem ao maestro.
• Ações de responsabilidade social.
FICHA TÉCNICA
Patrocínio: Petrobras, Ministério da Cultura através do Fundo Nacional de Cultura, Secretaria do Audiovisual, Secretaria da Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, Secretaria de Turismo, Instituto de Radiodifusão da Bahia/DIMAS da Secretaria de Cultura e Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.
Realização: Casa de Cinema da Bahia, IRDEB, Dimas, TVE Bahia, Cultura Cine, Centro de Educação e cultura Vale do Iguape - CECVI, Cineclube e Rede Terreiro Cultural - CEPASC, Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB).
Apoio: Dannemann, Sociedade Lira Ceciliana, Fundação Hansen Bahia, Irmandade da Boa Morte, Raízes do Recôncavo, ABCV, Centro Cultural João Antônio Santana, Maria Comunicação, Colégio Estadual da Cachoeira, Centro Educacional Rômulo Galvão, Colégio Edvaldo Brandão, Colégio Estadual de Belém, Colégio Eraldo Tinoco, UNEB e Junta Dados.
Coordenação Geral: Luiz Cachoeira e Danillo Barata
Curadoria: Lázaro Faria
Coordenação de Conferencias e Oficinas: Danillo Barata
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