A roupa desde sua origem foi determinada pela necessidade de abrigo eaparência para o corpo como a arquitetura, desde os tempos da cavernaque o homem criou hábitos de pintar o corpo ou fazer uso deindumentárias confeccionadas com peles de animais para expressar seudesejo de poder e exibição. A veste e seus acessórios são meios decomunicação que espelham o modelo social. A moda é uma linguagemsimbólica que ultrapassa a sua função de proteção para significar oindivíduo na sociedade, é uma espécie de identidade que fala de suacondição e/ou opções social, profissional e sexual. Em todas as épocasa roupa, além de sua função, explicitou significados, como umaembalagem que protege, embeleza, decora e identifica o produto. Comsuas cores e estilos, a vestimenta é um signo e um dispositivo dacondição social e cultural através do qual o homem atende suasnecessidades de comunicação e expressão.As obras de arte do passado são o principal meio de informação docorpo e suas indumentárias. Grandes retratistas, como Velásquez, naEspanha de Felipe IV, registraram nas suas pinturas a moda de seutempo, quando retrataram os nobres e sua corte. Em Velásquez podemosperceber como o preto era a cor predominante para ambos os sexos,veludos com ornamentos de prata e ouro. O vermelho também uma corfavorita e o branco era usado em raras ocasiões. No ocidente, surgedurante o Renascimento o conceito de moda, quando o interesse pelotraje deixa de ser uma necessidade puramente funcional para afirmarposições hierárquicas de poder.Roland Barthes e sua semiologia da moda, fala da existência de umalíngua do vestuário, postulada em escritores como Balzac, Proust ouMichelet. Para Barthes: “A moda é uma combinatória que tem uma reservainfinita de elementos e de regras de transformação.” Uma língua faladapor todos e ao mesmo tempo desconhecida de todos. A roupa não sóprotege (função) , informa, embeleza, contesta (significa), nacondição de um fenômeno semiótico fala de seu usuário.A leitura da vestimenta mostra a multiplicidade, diferenças econtradições da sociedade. Valores culturais e condições econômicasdeterminam as opções do figurino. Existem sistemas de codificação,tais como: a cor, o tipo de tecido ou o estilo do uniforme associadosàs profissões, crenças, identificação de classe, estações do ano.Podem informar o destino do usuário, a cada lugar um código ou umestilo.A roupa além de ser “uma extensão da pele” (Mcluhan) é também umanecessidade de consumo criada pela publicidade da etiqueta. WaldemirDias-Pino, um dos criadores da poesia concreta, faz relações entre osmodelos da roupa e as formas da arquitetura: O homem moderno de calçae paletó com o arranha-céu, a tanga do índio e a palha que cobre ataba, o árabe se veste com a forma de uma tenda, a japonesa carreganas mangas do vestido as formas dos beirais de seus telhados.A moda do vestuário aproximou-se da vanguarda, no processo dasrevoluções nas linguagens artísticas, cada época tem as suas vestes eelas integram o individuo ao meio ambiente social, cultural,tecnológico e ao grupo social. A moda pode acentuar também a divisãode classes, ou ao contrario, participar das contestações sociais. Comos Beatles, o tropicalismo e os hippies com um estilo naturalistadescontraído, nos finais da década de 1960, a roupa tinha um sentidocrítico, em aparente contradição com a moda corrente, imposta pelaindústria da moda, produto da revolução industrial.A partir da modernidade designers e artistas interessam-se em desenharroupas e objetos utilitários que atendam à funcionalidade do mundomoderno. Artistas transformam a roupa ou o ato de vestir em objeto desua experiência artística. Os construtivistas russos criaram a roupado trabalhador, cuja principal preocupação, era a funcionalidade. Oprofessor da Bauhaus Johannes Ittens desenhou uma roupa para ser usadapelos seguidores de uma doutrina de vida, criada por ele, que tinhacomo objetivo a perfeição. Os futuristas italianos pregavam anecessidade de uma roupa confortável, prática, agressiva ágil ealegre, decorada eventualmente por lâmpadas elétricas.Os surrealistas e dadaístas posicionaram ironicamente, apropriaram-seda roupa como um instrumento de transformação da linguagem da arte.Marcel Duchamp que já havia posado como Rrose Sélavy em 1921 numapratica de “readymade”. Em 1938, numa exposição em Paris vestiu ummanequim feminino com chapéu, paletó, colete, gravata e sapatosmasculino.No Brasil, algumas experiências são pioneiras, principalmente na obrade dois artistas: Flavio de Carvalho e Hélio Oiticica. Em umamovimentada rua do centro de são Paulo em 1956, o arquiteto e artistaplástico Flávio de Carvalho, autor da coluna do Diário de São Paulo “AModa e o Novo Homem”, desfilou com sua “indumentária do futuro”, porele denominada “New Look”. Vestindo com meias rendadas de bailarina,saiote, blusa de nylon com aberturas laterais, o artista lançou o novotraje para o verão dos trópicos, provocou pânico e escândalo napopulação. Artista, arquiteto, engenheiro e escritor, Flavio umpersonagem excêntrico na história da arte brasileira, apelidado de“divino louco”, não teve ainda o reconhecimento à altura do seutalento por nosso meio cultural.Na década de 1960, as experiências de Hélio Oiticica e seuenvolvimento com o samba resultaram em capas denominadas “Parangolés”.Propostas para o espectador/participante em lugar de simplesmentecontemplar a cor, vestir-se nela. Uma estética da existência e não doobjeto/arte, o corpo não é o suporte da obra. "O objetivo é dar aopúblico a chance de deixar de ser público espectador, de fora, paraparticipante na atividade criadora" (Oiticica).Lígia Clark e suas “máscaras sensoriais”, que integram a fasesensorial de seu trabalho, a exemplo da obra que consiste num macacãopara ser vestido por um homem, contendo um zíper que ao ser aberto,ele retira uma "barriga grávida", feita de borracha cor-de-rosa e dedentro dessa barriga, retira uma espuma de borracha. Ao praticar essaoperação "cesariana", as pessoas experimentam reações maisinesperadas.Até os heróis das histórias em quadrinhos têm suas identidadesgarantidas pela veste. Essa embalagem que envolve o corpo ocupa umlugar no sistema da linguagem e sua leitura é uma necessidade do mundocontemporâneo. Como forma de comunicação é abordada por várias teoriascomo: a antropologia, a semiologia, a sociologia e a teoria dainformação.
Almandrade(artista plástico, poeta e arquiteto)CURSOO CORPO, A ROUPA E A LIMGUAGEM PLÁSTICA CONTEMPORÂNEAINSTRUTORESAlmandrade, Ilber Acsis e Silverino OjúEste curso propõe uma reflexão sobre a apropriação do corpo e da roupapelas linguagens artísticas contemporâneas estabelecendo interfacescom a moda dos séculos XX e XXI.Será realizado no auditório do MAM - Bahia entre 15 setembro a 22 deoutubro de 2010 com três encontros semanais, quartas quintas esextas-feiras, de 9:00 às 12:00, somando 48 horas no total.LOCALAuditório do Museu de Arte Moderna da BahiaAv. Contorno, S/N, Solar do Unhão, Salvador, BahiaInscrições abertas no MAMINSCRIÇÕES:De 10 de agosto a 10 e setembro de 2010.E-mail: educativomam@gmail.comm ou site http://www.mam.ba.gov.br/Presenciais: Núcleo de Arte Educação Galpão das Oficinas do MAM-BA,Av. Contorno, S/N, Solar do Unhão, Salvador, Bahia. (gratuitas)VAGAS LIMITADAS. INFORMAÇÕES: E-mail: educativomam@gmail.com Telefone: (71) 3117-6143--------------------------------------------Almandrade é artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano epoeta. Desde 1972 dedica-se ao pensamento da arte concretizado em suaspinturas, esculturas, instalações e poemas visuais, participando devárias mostras coletivas, nacionais e internacionais. Realizou cercade trinta exposições individuais em Salvador, Recife, Rio de Janeiro,Brasília e São Paulo; escreve em jornais e revistas especializados emarte, arquitetura e urbanismo. Recebeu diversos prêmios, dentre eles oda Fundarte em 1986 e da Copene em 1997 e publicou vários livrosdentre os quais “Arquitetura de Algodão" e “Escritos sobre arte: arte,cidade e política cultural”.
Almandrade(artista plástico, poeta e arquiteto)CURSOO CORPO, A ROUPA E A LIMGUAGEM PLÁSTICA CONTEMPORÂNEAINSTRUTORESAlmandrade, Ilber Acsis e Silverino OjúEste curso propõe uma reflexão sobre a apropriação do corpo e da roupapelas linguagens artísticas contemporâneas estabelecendo interfacescom a moda dos séculos XX e XXI.Será realizado no auditório do MAM - Bahia entre 15 setembro a 22 deoutubro de 2010 com três encontros semanais, quartas quintas esextas-feiras, de 9:00 às 12:00, somando 48 horas no total.LOCALAuditório do Museu de Arte Moderna da BahiaAv. Contorno, S/N, Solar do Unhão, Salvador, BahiaInscrições abertas no MAMINSCRIÇÕES:De 10 de agosto a 10 e setembro de 2010.E-mail: educativomam@gmail.comm ou site http://www.mam.ba.gov.br/Presenciais: Núcleo de Arte Educação Galpão das Oficinas do MAM-BA,Av. Contorno, S/N, Solar do Unhão, Salvador, Bahia. (gratuitas)VAGAS LIMITADAS. INFORMAÇÕES: E-mail: educativomam@gmail.com Telefone: (71) 3117-6143--------------------------------------------Almandrade é artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano epoeta. Desde 1972 dedica-se ao pensamento da arte concretizado em suaspinturas, esculturas, instalações e poemas visuais, participando devárias mostras coletivas, nacionais e internacionais. Realizou cercade trinta exposições individuais em Salvador, Recife, Rio de Janeiro,Brasília e São Paulo; escreve em jornais e revistas especializados emarte, arquitetura e urbanismo. Recebeu diversos prêmios, dentre eles oda Fundarte em 1986 e da Copene em 1997 e publicou vários livrosdentre os quais “Arquitetura de Algodão" e “Escritos sobre arte: arte,cidade e política cultural”.
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