Gestantes e nutrizes carecem da melhor orientação nutricional possível. Apesar da realização de campanhas que incentivam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade,ainda é muito comum, no Brasil, o hábito de fornecer outros alimentos ao bebê em substituição ou em complementação à amamentação. A justificativa mais comum é o “leite fraco”, que seria, na visão da mãe ou nutriz, incapaz de saciar a fome do recém-nascido. A idéia é fruto de um mito construído pelo marketing da indústria alimentícia a partir da década de 1970.
A ilusão, porém, se desfaz a partir de uma explicação científica simples. Como a digestibilidade do leite humano é muito mais rápida e fácil do que a de fórmulas artificiais (o tempo de digestão de um chega a ser três vezes menor que o outro), é comum que o bebê tenha fome num espaço de tempo menor e por isso ele chora com uma frequência maior “pedindo mais”. “Com o ritmo acelerado da vida contemporânea, muitas mães não têm tempo e/ou paciência para amamentar tantas vezes ao dia. Além disso, algumas justificam o fato de não quererem amamentar por uma questão estética”, lamenta a nutricionista da Coordenadoria de Atenção e Promoção à Saúde (Coaps), Gleide de Jesus Santos.
Muitas mães “novatas” desconhecem as inúmeras vantagens do leite materno para a vida humana. “Nós, nutricionistas e demais profissionais da Atenção Básica, temos a responsabilidade de divulgar os benefícios desde os mais simples, como a capacidade de saciedade do bebê ser muito melhor desenvolvida com a exclusividade do leite materno, já que a leptina (hormônio da saciedada) é ativada no tempo certo quando ele mama”, diz Gleide.
Nutrição na gravidez
A nutricionista integrante do Núcleo de Nutrição e Epidemiologia da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Juliana Argolo, afirma que grande parte das gestantes desconhece os cuidados alimentares importantes para uma boa gestação. “Elas normalmente mantém uma alimentação inadequada, pobre em vitaminas e minerais, exceto o sódio, que normalmente é consumido em demasia, voluntariamente (introduzido nas preparações caseiras) ou através do seu consumo nos alimentos industrializados. Além disso, há um consumo excessivo de gorduras e carboidratos simples que podem comprometer a saúde materna e a gestação, visto sua relação com a ocorrência de Diabetes Gestacional”.
É função dos nutricionistas incentivar as futuras mães a evitarem também a ocorrência de anemia e deficiências de vitaminas bem como controlar a Hipertensão Arterial para evitar riscos de pré-eclampsia e eclampsia. “Tenho observado um maior número de gestantes realizando pré-natal e preocupadas em ter uma alimentação saudável. No entanto, entre o desejo e a prática ainda existe uma distância enorme”, declara a professora, mestre em Alimentos pela UFBA.
A maior dificuldade enfrentada na orientação nutricional desse público específico, segundo a nutricionista, é garantir a adesão ao tratamento. “As gestantes, muitas vezes, apresentam apetite aumentado, dificultando as escolhas alimentares adequadas. Algumas apresentam enjôo no primeiro trimestre gestacional ou, mais raramente, durante toda a gestação, o que também gera dificuldade para o exercício das orientações. Ademais, é sempre muito complicado lidar com o hábito alimentar, culturas e crenças”, declara.
O adicional energético das gestantes depende da quantidade de peso que elas precisam ganhar durante a gestação e isso depende do estado nutricional em que iniciaram a gestação. De modo geral, gestantes eutróficas precisam ganhar de 11, 5 a 16 kg, as com baixo peso devem somar de 12, 5 a 18 kg, as com sobrepeso de 7 a 11,5 kg e as obesas 7 kg. Estas últimas não podem obter ganho ponderal inferior a 0,3 kg por semana, devido à produção de prostaglandinas e stress metabólico, que podem levar a ocorrência de partos prematuros.
“Se para cada 1 kg são necessárias 6.400 kcal, então fazemos um cálculo para descobrir quantas calorias são necessárias para aquela gestante e dividimos pelo número de semanas gestacionais restantes. Ou seja, o adicional energético é individual”, explica Juliana Argolo. Vale ressaltar que gestantes adolescentes têm necessidades nutricionais diferentes.
De modo geral, as gestantes precisam de suplementos de ferro e ácido fólico. “Nós os recomendamos para todas as gestantes, a fim de prevenir a anemia, mal comum durante a gestação e que possui um impacto muito negativo tanto para a saúde materna como infantil”, conta Argolo. O ácido fólico é um nutriente importante para o desenvolvimento neurológico das crianças, sendo seu consumo recomendado em quantidades adequadas antes mesmo da gestação. “Podemos também prescrever suplemento de cálcio para mães que estejam com dificuldades para consumir leite e derivados”, lembra.
Nutrição de Lactentes
No período da lactação, o acompanhamento nutricional tem como principais objetivos orientar a nutriz sobre a importância do aleitamento materno e dar o apoio necessário para que ela amamente da melhor forma possível. A “pega” correta do bebê ao seio materno, que não pode ser limitada ao mamilo, deve ser facilitada.
Atenção especial deve ser dada ao consumo, pelas mães, de cálcio, ferro, proteínas de alto valor biológico e carboidratos complexos, em detrimento nos carboidratos simples e gorduras mono ou poliinsaturadas, em detrimento das saturadas. “Recomendamos que respeitem seu apetite muitas vezes aumentado, mas façam escolhas saudáveis”, conta Argolo.
O adicional energético para a produção de leite humano depende do estado nutricional gestacional, mas costuma variar de 500 a 700 kcal, a depender das reservas energéticas maternas. Nutrizes que cursaram a gestação com sobrepeso ou obesidade terão um adicional energético de 500 kcal.
Até procurarem uma orientação nutricional adequada, as nutrizes costumam consumir alimentos ricos em gordura saturada devido ao mito de que preparações como cuscuz de milho e mingaus levam a uma maior produção de leite materno. Só que essas preparações são acompanhadas costumam ser acompanhadas pelo consumo excessivo de manteiga e queijo prato ou lanche e até mesmo carne frita e leite integral, no caso dos mingaus, acarretando num perfil lipídico inadequado e ganho de peso excessivo.
Não existem comprovações acerca dos alimentos que possam provocar problemas ao recém-nascido durante a amamentação. “Especula-se que o consumo materno de alimentos flatulentos, como cebola, feijão, brócolis, alho, possam levar a ocorrência de cólicas na criança, mas ainda não temos comprovação científica. No entanto, na prática clínica observamos melhora do quadro apresentado por alguns lactentes quando restringimos esses tipos de alimentos”, conta Juliana Argolo. Algumas crianças podem apresentar alergia à proteína do leite de vaca. Neste caso, as mães não poderão consumir leite de vaca e derivados.
Vale ressaltar que atualmente não se atribui a ocorrência de cólicas no lactente à produção excessiva de gases (flatos), e sim a uma imaturidade neurológica infantil, sendo ocasionada por peristaltismo intestinal “desordenado”. Por isso as cólicas têm dia e hora marcada para começar e terminar – início a partir da segunda ou terceira semana de vida e término ao terceiro ou quarto mês, sendo mais comum no terceiro e chegando a ocorrer até no quinto mês. Carla Santana - Jornalista (Salvador Notícias)
A ilusão, porém, se desfaz a partir de uma explicação científica simples. Como a digestibilidade do leite humano é muito mais rápida e fácil do que a de fórmulas artificiais (o tempo de digestão de um chega a ser três vezes menor que o outro), é comum que o bebê tenha fome num espaço de tempo menor e por isso ele chora com uma frequência maior “pedindo mais”. “Com o ritmo acelerado da vida contemporânea, muitas mães não têm tempo e/ou paciência para amamentar tantas vezes ao dia. Além disso, algumas justificam o fato de não quererem amamentar por uma questão estética”, lamenta a nutricionista da Coordenadoria de Atenção e Promoção à Saúde (Coaps), Gleide de Jesus Santos.
Muitas mães “novatas” desconhecem as inúmeras vantagens do leite materno para a vida humana. “Nós, nutricionistas e demais profissionais da Atenção Básica, temos a responsabilidade de divulgar os benefícios desde os mais simples, como a capacidade de saciedade do bebê ser muito melhor desenvolvida com a exclusividade do leite materno, já que a leptina (hormônio da saciedada) é ativada no tempo certo quando ele mama”, diz Gleide.
Nutrição na gravidez
A nutricionista integrante do Núcleo de Nutrição e Epidemiologia da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Juliana Argolo, afirma que grande parte das gestantes desconhece os cuidados alimentares importantes para uma boa gestação. “Elas normalmente mantém uma alimentação inadequada, pobre em vitaminas e minerais, exceto o sódio, que normalmente é consumido em demasia, voluntariamente (introduzido nas preparações caseiras) ou através do seu consumo nos alimentos industrializados. Além disso, há um consumo excessivo de gorduras e carboidratos simples que podem comprometer a saúde materna e a gestação, visto sua relação com a ocorrência de Diabetes Gestacional”.
É função dos nutricionistas incentivar as futuras mães a evitarem também a ocorrência de anemia e deficiências de vitaminas bem como controlar a Hipertensão Arterial para evitar riscos de pré-eclampsia e eclampsia. “Tenho observado um maior número de gestantes realizando pré-natal e preocupadas em ter uma alimentação saudável. No entanto, entre o desejo e a prática ainda existe uma distância enorme”, declara a professora, mestre em Alimentos pela UFBA.
A maior dificuldade enfrentada na orientação nutricional desse público específico, segundo a nutricionista, é garantir a adesão ao tratamento. “As gestantes, muitas vezes, apresentam apetite aumentado, dificultando as escolhas alimentares adequadas. Algumas apresentam enjôo no primeiro trimestre gestacional ou, mais raramente, durante toda a gestação, o que também gera dificuldade para o exercício das orientações. Ademais, é sempre muito complicado lidar com o hábito alimentar, culturas e crenças”, declara.
O adicional energético das gestantes depende da quantidade de peso que elas precisam ganhar durante a gestação e isso depende do estado nutricional em que iniciaram a gestação. De modo geral, gestantes eutróficas precisam ganhar de 11, 5 a 16 kg, as com baixo peso devem somar de 12, 5 a 18 kg, as com sobrepeso de 7 a 11,5 kg e as obesas 7 kg. Estas últimas não podem obter ganho ponderal inferior a 0,3 kg por semana, devido à produção de prostaglandinas e stress metabólico, que podem levar a ocorrência de partos prematuros.
“Se para cada 1 kg são necessárias 6.400 kcal, então fazemos um cálculo para descobrir quantas calorias são necessárias para aquela gestante e dividimos pelo número de semanas gestacionais restantes. Ou seja, o adicional energético é individual”, explica Juliana Argolo. Vale ressaltar que gestantes adolescentes têm necessidades nutricionais diferentes.
De modo geral, as gestantes precisam de suplementos de ferro e ácido fólico. “Nós os recomendamos para todas as gestantes, a fim de prevenir a anemia, mal comum durante a gestação e que possui um impacto muito negativo tanto para a saúde materna como infantil”, conta Argolo. O ácido fólico é um nutriente importante para o desenvolvimento neurológico das crianças, sendo seu consumo recomendado em quantidades adequadas antes mesmo da gestação. “Podemos também prescrever suplemento de cálcio para mães que estejam com dificuldades para consumir leite e derivados”, lembra.
Nutrição de Lactentes
No período da lactação, o acompanhamento nutricional tem como principais objetivos orientar a nutriz sobre a importância do aleitamento materno e dar o apoio necessário para que ela amamente da melhor forma possível. A “pega” correta do bebê ao seio materno, que não pode ser limitada ao mamilo, deve ser facilitada.
Atenção especial deve ser dada ao consumo, pelas mães, de cálcio, ferro, proteínas de alto valor biológico e carboidratos complexos, em detrimento nos carboidratos simples e gorduras mono ou poliinsaturadas, em detrimento das saturadas. “Recomendamos que respeitem seu apetite muitas vezes aumentado, mas façam escolhas saudáveis”, conta Argolo.
O adicional energético para a produção de leite humano depende do estado nutricional gestacional, mas costuma variar de 500 a 700 kcal, a depender das reservas energéticas maternas. Nutrizes que cursaram a gestação com sobrepeso ou obesidade terão um adicional energético de 500 kcal.
Até procurarem uma orientação nutricional adequada, as nutrizes costumam consumir alimentos ricos em gordura saturada devido ao mito de que preparações como cuscuz de milho e mingaus levam a uma maior produção de leite materno. Só que essas preparações são acompanhadas costumam ser acompanhadas pelo consumo excessivo de manteiga e queijo prato ou lanche e até mesmo carne frita e leite integral, no caso dos mingaus, acarretando num perfil lipídico inadequado e ganho de peso excessivo.
Não existem comprovações acerca dos alimentos que possam provocar problemas ao recém-nascido durante a amamentação. “Especula-se que o consumo materno de alimentos flatulentos, como cebola, feijão, brócolis, alho, possam levar a ocorrência de cólicas na criança, mas ainda não temos comprovação científica. No entanto, na prática clínica observamos melhora do quadro apresentado por alguns lactentes quando restringimos esses tipos de alimentos”, conta Juliana Argolo. Algumas crianças podem apresentar alergia à proteína do leite de vaca. Neste caso, as mães não poderão consumir leite de vaca e derivados.
Vale ressaltar que atualmente não se atribui a ocorrência de cólicas no lactente à produção excessiva de gases (flatos), e sim a uma imaturidade neurológica infantil, sendo ocasionada por peristaltismo intestinal “desordenado”. Por isso as cólicas têm dia e hora marcada para começar e terminar – início a partir da segunda ou terceira semana de vida e término ao terceiro ou quarto mês, sendo mais comum no terceiro e chegando a ocorrer até no quinto mês. Carla Santana - Jornalista (Salvador Notícias)
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