Desde o início da manhã da quarta-feira (02), centenas de pessoas se reuniram na praia de Buraquinho, em Lauro de Freitas, para entregar oferendas e festejar Yemanjá. A procissão de barcos partiu da foz do rio Joanes, atravessando a rebentação, com os presentes que foram lançados em alto mar. Em terra, uma banda de sopro e percussão animou os banhistas e pescadores que não embarcaram. A festa continuou até o início da noite ao som do samba do grupo do terreiro São Jorge da Goméia. Protegida por um amplo chapéu, a atriz Mariana Ximenes, devota de Yemanjá, também reverenciou a orixá com presentes.
A praia foi tomada pelo branco, cor da Rainha do Mar, das roupas dos seus devotos. Só as flores quebravam a monocromia. Também, apenas os fogos enfrentavam o som dos tambores e trompetes. A multidão, animada, acompanhava a banda ao ritmo carnavalesco. Baianas, filhos de santos e pescadores se uniam para celebrar, conforme o ritual tradicional, a entidade que os protegem. O número de pessoas, este ano, quase dobrou. Mas a essência da festa, popular, religiosa e sem tumultos, continua sendo a grande marca do evento.
A administradora, Patrícia Correia, que observava de longe a procissão, comparou a festa com a do Rio Vermelho. “Aqui é mais gostoso porque é tranqüilo, não tem aquela confusão toda”. O presidente da Associação Carnavalesca de Portão, Valmir Pereira dos Santos, o popular Tatu, que todo ano participa, aprovou a homenagem à Rainha do Mar. “Maravilhoso! Se precisar de nota, darei 10!”. A marisqueira mais velha de Lauro de Freitas, Maria Mattos dos Santos, 75 anos, elogiou a organização do evento. “Cada ano que passa, a festa fica mais bonita”.
O secretário de Cultura de Lauro de Freitas, Antônio Lírio, salientou a importância da manifestação. “É o que há de mais verdadeiro da nossa cultura. A festa é belíssima, com muitas flores, público animado, e representa a reverência à natureza”. Para ele, é importante se preservar a essência da tradição: “Percebo que podemos fazer muito mais bonito, sendo acolhedor, sem os trios elétricos. É um orgulho para nossa gestão poder participar de um evento tão belo quanto este”.
Para o presidente da Associação São Jorge da Goméia, Raimundo Neves, o festejo é uma “forma simples, mas muito sincera de homenagem”. E completou: “Tem um significado muito grande. Estamos aqui celebrando a comunhão com a natureza”. O presidente da Colônia de Pescadores, Jonas Tomaz dos Santos, mais conhecido como Touro, ficou contente com o resultado. “Todo sacrifício valeu a pena. Apesar de ser uma quarta-feira, dia de trabalho, a praia estava cheia. Fico muito grato. Não tem dinheiro que pague ver o nosso dever cumprido”. Com o crescimento do número de participantes a cada edição, Touro já pensa em 2012: “Espero que, no próximo ano, a gente possa fazer uma festa ainda melhor”
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