Galeria Acbeu ( Corredor da Vitória). Batizada de "New York Street Scenes", a mostra expõe a produção do fotógrafo, natural do Espírito Santo, ao longo dos 27 anos em que esteve radicado nos Estados Unidos, onde trabalhou para diversos jornais americanos, entre os quais o New York Times e New York Post. Trata-se da primeira exposição realizada por ele no Brasil, ficando em cartaz até o dia 16 de julho, com visitação de segunda a sexta-feira, das 14h às 20h. A entrada é gratuita.
As imagens de “New York Street Scenes” foram capturadas desde meados dos anos 1980 até os dias atuais. É uma compilação de quando o artista cursava seu Mestrado em Fotografia pela NYU-New York University, bem como de viagens posteriores feitas aos Estados Unidos, sendo constituída exclusivamente de flagrantes de pessoas, da arquitetura e da movimentação urbana de Nova York. Cenas de parques, estações de metrô e trânsito que refletem o agitado cotidiano dessa que é uma das mais instigantes e populosas cidades do mundo ocidental.
Afastando-se um pouco da sua marca etnográfica, Mari revela-se um atento observador do cotidiano, sem se comprometer em fazer uma síntese dos costumes inerentes a essa que é a mais celebrada das metrópoles. Na mostra, ele Inclui desde imagens em preto e branco capturadas em filme Kodak Tri-X com uma Nikon FM2 até a era dos mega pixels.
Influenciado pelo fotojornalismo, Antonio Mari expressa com sua produção um pouco da experiência que acumulou ao trabalhar em jornais diários no meio oeste dos Estados Unidos. Foi nesses jornais que começou a desenvolver seu estilo, impulsionado pela adrenalina do fechamento, pela competição interna e externa. “Era comum o assignment editor nos instruir a rodar de carro em busca de uma imagem peculiar da comunidade. Em um dia de poucas ou irrelevantes noticia os editores preferiam publicar essas chamadas feature shots de temática local em lugar de imagens obtidas nas agencias de noticia”, lembra.
Segundo ele, uma frase clássica no jargão jornalístico americano é f 8 and be there – f oito e esteja lá, numa referência à abertura ideal de diafragma f 8.0 para uma foto nítida e a obrigação de estar na hora certa e no lugar exato. “Ou como diria Bresson – le moment décisive - de apertar o botão e eternizar um flagrante da realidade. Para mim, o desafio é muito maior na fotografia do que no vídeo uma vez que na primeira uma única imagem estática tem que carregar um grau de informação suficiente para invocar sentimentos, despertar curiosidade e aguçar sua imaginação”, diz ele.
Para compor a mostra, Antonio Mari procurou as fotos que, ao longo de sua carreira, foram as mais marcantes, ou pela estética ou pelo inusitado da situação. Está presente, por exemplo, a foto que conseguiu fazer para o jornal New York Post, na época do Natal, de um grupo de quase 60 “Papai Noel” que foram obrigados a tomar o metrô conjuntamente pelo não comparecimento do ônibus que os deveriam conduzir para a sede da ONG Volunteers of America, para a qual trabalhavam.
A exposição “New Uork Street Scenes” tem curadoria de Dilson Midlej ereúne 21 imagens, entre elas duas fotografias iluminadas por trás (conhecida por backlit Duratrans) e ampliações coloridas e em preto e branco sobre papel. A Galeria ACBEU está situada na Av. Sete de Setembro, 1883, no Corredor da Vitória.
Currículo
Antonio Mari tem Mestrado em Fotografia pela NYU -New York University e bacharelado em Comunicação Social pela UFMG - Universidade Federal de Minas Geral e especializado em temas etnográficos como o registro da arte e modo de vida de povos e culturas fora do universo da civilização ocidental.
Durante seu curso de graduação na UFMG, entre 1980 e 1984, o fotógrafo desenvolveu um projeto de documentação sobre as manifestações folclóricas nas cidades históricas de Minas Gerais com bolsa de iniciação científica concedida pelo CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Ao graduar-se em 1984, ele foi contemplado com uma bolsa de estudos para cursar Mestrado na Ohio University nos Estados Unidos onde desenvolveu um projeto de fotografia etnográfica sobre a comunidade Amish (grupo religioso critão anabatista baseado nos Estados Unidos e Canadá. São conhecidos por seus costumes conservadores, como o uso restrito de equipamentos eletrônicos, inclusive telefones e automóveis) no estado de Ohio.
Em 1986, Mari se transferiu para a New York University, onde participou de duas exposições coletivas na Washington Square East Gallery e na New Exhibition Space - NYU. Foi também contemplado com uma menção honrosa na competição nacional de fotografia "Best of College Photo Contest" promovida pela Photographers Forum Magazine. Ao graduar-se em 1988, Antonio Mari foi escolhido em um concurso nacional para participar de um programa de treinamento editorial promovido pela Capital Cities/ABC Broadcast e trabalhou em três dos jornais diários daquela corporação, através dos Estados Unidos. Em um desses jornais, o Belleville News Democrat, foi agraciado com uma menção honrosa de história fotográfica de 1989, concedido pela Illinois Press Association. Em 1990 ele encerrou sua carreira em jornais para se tornar um fotógrafo independente trabalhando em projetos artísticos, comerciais e pessoais.
O trabalho do fotógrafo Antonio Mari é distribuído e licenciado para publicação pela agencia norte americana Zuma Press. Nos Estados Unidos, um ensaio fotográfico com seis imagens foi publicado pela revista Newsweek e múltiplas historias fotográficas impressas na revista Time, Science e no jornal Boston Globe. Seu trabalho tem sido publicado também no New York Times, New York Post, Newsday, Gannett Newspapers, Asahi Shimbun (Japão), Geo Magazine (Alemanha) e revista Veja. Entre seus clientes comerciais estão a Ford Foundation, American Cancer Society, Greenpeace Brasil, entre outros. Antônio Mari divide seu tempo entre os Estados Unidos e Brasil e, se especializa cada vez mais no conceito social buscando clicar diferentes características de grupos étnicos.
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