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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Açúcares e carboidratos refinados podem causar dependência

A proximidade do Dia Mundial de Combate à Obesidade (11 de outubro) levanta discussão sobre alimentos que contribuem diretamente para crescimento da doença no mundo. 
A maneira como a bioquímica dos alimentos ricos em açúcares e carboidratos refinados afeta o cérebro e deixa os indivíduos vinculados a eles é o tema da pesquisa do norte-americano Grant Brinkworth, divulgada recentemente. O estudo de Brinkworth vem chamando atenção no mundo pelo fato de ser o primeiro a provar, por meio de scaneamento cerebral, que tais alimentos agem no cérebro de forma muito similar a de substâncias químicas, como a cocaína. Ao fim, ele propõe que esses alimentos passem a ser comercializados com tarja preta e o seguinte alerta: "Este alimento é aditivo".

Os estudos de Grant Brinkworth provam que carboidratos refinados e açucares atuam no cérebro humano sob os mesmos critérios de dependência química de usuários de cocaína, anfetaminas e antidepressivos, à medida que atuam sobre neurotransmissores como dopamina e serotonina.

Na pesquisa, ele investigou, por meio de Ressonância Magnética Funcional, o cérebro de 48 mulheres jovens com idade média de 20 anos, durante a ingestão de alimentos de alta palatabilidade, como pão, milk shake e chocolate. Durante o exame, os cérebros das pacientes obesas tiveram ativadas as zonas de recompensa cerebral, a exemplo do hipocampo, que é estimulado durante o uso abusivo de substâncias químicas.

Tal pesquisa concluiu que o sucesso dos tratamentos para redução de peso depende da não-ingestão desses tipos de alimentos. “Ingerir esses alimentos durante o processo de emagrecimento é uma das causas da baixa adesão dos pacientes aos tratamentos de redução de peso”, comenta a psicóloga do Centro Terapêutico Máximo Ravenna Salvador, Fernanda Landeiro.

DIETA SEM FARINHA E AÇUCAR - “É importante entender a obesidade como um problema relacionado ao comer demais e entender o comer demais como um vínculo automático descontrolado, que pode também ser traduzido pela dependência aos carboidratos refinados: açúcares e farinhas”, afirma Dr. Máximo Ravenna, idealizador de um método de emagrecimento que já tratou mais de 50 mil pessoas no mundo, e autor do livro Teia de Aranha Alimentar: Quem Come Quem?, que ganha tradução para o português, com lançamento em Salvador, no próximo dia 9 de novembro, no Teatro Jorge Amado.

Durante o tratamento de emagrecimento proposto pelo Método Ravenna, açúcares e carboidratos refinados são proibidos. O método parte do princípio de que o desejo por tais alimentos transcende a função de saciedade. “É necessário inicialmente cortar esses alimentos que geram comportamento compulsivo para que o paciente tenha sucesso no processo de emagrecimento e consiga controlar a ansiedade pra seguir no tratamento. Numa segunda etapa, é importante mudar o comportamento em relação à comida, e isso pode ser alcançado através de um tratamento psicoterapêutico, individual ou em grupo”, explica Landeiro.

Ela relata que um estudo da Universidade de Oxford, na Inglaterra, scaneou o cérebro de pacientes obesas que nunca haviam sido submetidas a terapias, posteriormente submeteu essas pacientes a 16 sessões de terapia cognitiva, e a seguir fez um novo scaneamento cerebral. Com isso, os pesquisadores concluíram que as áreas responsáveis pelo circuito de recompensa, como o hipocampo, passaram a ser menos ativadas após o tratamento piscoterápico. “A boa notícia é que mudando o comportamento em relação a comida, os circuitos cerebrais também são modificados”, comenta a psicóloga.

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