Novas técnicas na cirurgia laparoscópica e o uso de telas sintéticas mais leves e flexíveis permitem diminuição da dor crônica após operação
Estudos apresentados no último Congresso Internacional de Hérnia, em Nova Iorque, apontam avanços no tratamento de pacientes que sofrem de hérnia. O uso de telas sintéticas mais leves e flexíveis e os avanços técnicos na cirurgia laparoscópica, incluindo a intervenção por acesso único, já vêm garantindo a diminuição da dor crônica após a operação. “A modernização dos equipamentos utilizados nos procedimentos e a realização de operações por métodos menos invasivos vêm garantindo o aprimoramento do tratamento”, afirma João Ettinger, cirurgião do aparelho digestivo.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que cerca de 5,4 milhões de brasileiros sofrem de hérnia. A doença caracteriza-se por um orifício(defeito) na musculatura que reveste a cavidade abdominal. As hérnias mais frequentes são umbilicais, inguinais(virilha), incisionais (ocorrem após cirurgias no abdômen), epigástricas, lombares e de hiato que causam refluxo gastro-esofágico. Os principais sintomas são dor na parede abdominal, sensação de peso e um abaulamento (caroço) que aparece no abdômen após esforços físicos. Além de provocar fortes dores, a hérnia pode trazer consequências mais sérias como o estrangulamento (complicação que pode causar necrose do intestino), que pode acarretar a septicemia (infecção sanguínea) e causar até a morte.
As telas sintéticas atualmente utilizadas, além de mais leves e flexíveis, são mais delgadas e resistentes. “As novas telas são colocadas no local onde houve ruptura da parede abdominal, causando o defeito herniário, fechando o orifício e corrigindo a musculatura defeituosa. Além disso, o uso de colas biológicas, telas auto-fixantes e grampos absorvíveis vêm proporcionando uma fixação mais segura, menos dor e menor reincidência da doença”, explica Ettinger.
Outra novidade é o uso de um único orifício para realizar a operação ao invés de três, como é comum. Além de proporcionar um pós-operatório mais tranquilo, o procedimento contribui para a melhoria da estética da cicatriz. “A laparoscopia por acesso único é realizada com a passagem de apenas um trocater (tubo) no abdômen, diferente da laparoscopia tradicional para cura das hérnias inguinais, onde são utilizados três acessos”, afirma o especialista.
Alguns cuidados ainda devem ser tomados durante e após cirurgias abdominais para evitar o aparecimento das hérnias nessa região. Durante o procedimento, o cirurgião deve realizar um fechamento com fio de espessura adequada e realizar a aproximação dos tecidos de maneira delicada e meticulosa, evitando a formação de hematomas. “Muitos centros já estão utilizando telas no fechamento da parede abdominal como forma de prevenir o aparecimento de hérnias”, adianta Ettinger.
Para evitar a doença, algumas orientações devem ser seguidas. Os pacientes obesos devem perder peso antes de realizar operações abdominais, uma vez que a obesidade favorece o surgimento das hérnias incisionais e os fumantes devem abandonar o cigarro, já que a substância dificulta a cicatrização da parede abdominal. Prevenir a tosse, que provoca ruptura dos pontos após cirurgias abdominais e evitar esforços físicos, que aumentam a pressão intrabdominal, são outras indicações importantes. Pacientes com quadros de desnutrição também devem receber cuidados especiais, pois esse é outro fator que dificulta a cicatrização, favorecendo o aparecimento das hérnias.
(16.04.12)
***
Com atuação em cirurgia bariátrica, cirurgia do aparelho digestivo, hérnias e cirurgia laparoscópica, o especialista é doutor em Medicina Interna pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Coordenador do Fellowship de Cirurgia Bariátrica do Hospital São Rafael, e membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva.
Estudos apresentados no último Congresso Internacional de Hérnia, em Nova Iorque, apontam avanços no tratamento de pacientes que sofrem de hérnia. O uso de telas sintéticas mais leves e flexíveis e os avanços técnicos na cirurgia laparoscópica, incluindo a intervenção por acesso único, já vêm garantindo a diminuição da dor crônica após a operação. “A modernização dos equipamentos utilizados nos procedimentos e a realização de operações por métodos menos invasivos vêm garantindo o aprimoramento do tratamento”, afirma João Ettinger, cirurgião do aparelho digestivo.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que cerca de 5,4 milhões de brasileiros sofrem de hérnia. A doença caracteriza-se por um orifício(defeito) na musculatura que reveste a cavidade abdominal. As hérnias mais frequentes são umbilicais, inguinais(virilha), incisionais (ocorrem após cirurgias no abdômen), epigástricas, lombares e de hiato que causam refluxo gastro-esofágico. Os principais sintomas são dor na parede abdominal, sensação de peso e um abaulamento (caroço) que aparece no abdômen após esforços físicos. Além de provocar fortes dores, a hérnia pode trazer consequências mais sérias como o estrangulamento (complicação que pode causar necrose do intestino), que pode acarretar a septicemia (infecção sanguínea) e causar até a morte.
As telas sintéticas atualmente utilizadas, além de mais leves e flexíveis, são mais delgadas e resistentes. “As novas telas são colocadas no local onde houve ruptura da parede abdominal, causando o defeito herniário, fechando o orifício e corrigindo a musculatura defeituosa. Além disso, o uso de colas biológicas, telas auto-fixantes e grampos absorvíveis vêm proporcionando uma fixação mais segura, menos dor e menor reincidência da doença”, explica Ettinger.
Outra novidade é o uso de um único orifício para realizar a operação ao invés de três, como é comum. Além de proporcionar um pós-operatório mais tranquilo, o procedimento contribui para a melhoria da estética da cicatriz. “A laparoscopia por acesso único é realizada com a passagem de apenas um trocater (tubo) no abdômen, diferente da laparoscopia tradicional para cura das hérnias inguinais, onde são utilizados três acessos”, afirma o especialista.
Alguns cuidados ainda devem ser tomados durante e após cirurgias abdominais para evitar o aparecimento das hérnias nessa região. Durante o procedimento, o cirurgião deve realizar um fechamento com fio de espessura adequada e realizar a aproximação dos tecidos de maneira delicada e meticulosa, evitando a formação de hematomas. “Muitos centros já estão utilizando telas no fechamento da parede abdominal como forma de prevenir o aparecimento de hérnias”, adianta Ettinger.
Para evitar a doença, algumas orientações devem ser seguidas. Os pacientes obesos devem perder peso antes de realizar operações abdominais, uma vez que a obesidade favorece o surgimento das hérnias incisionais e os fumantes devem abandonar o cigarro, já que a substância dificulta a cicatrização da parede abdominal. Prevenir a tosse, que provoca ruptura dos pontos após cirurgias abdominais e evitar esforços físicos, que aumentam a pressão intrabdominal, são outras indicações importantes. Pacientes com quadros de desnutrição também devem receber cuidados especiais, pois esse é outro fator que dificulta a cicatrização, favorecendo o aparecimento das hérnias.
(16.04.12)
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Com atuação em cirurgia bariátrica, cirurgia do aparelho digestivo, hérnias e cirurgia laparoscópica, o especialista é doutor em Medicina Interna pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Coordenador do Fellowship de Cirurgia Bariátrica do Hospital São Rafael, e membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva.
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