É linda de se ver! A Festa da Boa Morte, realizada em Cachoeira, município do Recôncavo Baiano, chega ao seu terceiro dia, reunindo beleza, cultura e a história de um império construído por 22 mulheres negras. Nesta quarta-feira (15) uma missa festiva pela Assunção de Nossa Senhora e a Procissão de Nossa Senhora da Glória encerraram a comemoração sagrada da festa secular, que contou ainda com a cerimônia de posse das novas irmãs que cuidarão dos festejos em 2013.
Enquanto a Irmandade da Boa Morte se preparava para realizar a Missa Festiva, na capela da Casa da Boa Morte os admiradores e fiéis se amontoavam em frente ao local e aguardavam, ansiosos, a saída das irmãs, para terem a oportunidade de vislumbrar aquele momento único e sagrado.
Era a oportunidade de guardarem na memória cada detalhe que compõe uma história de representação da ancestralidade africana. Após a missa na capela, os visitantes seguiram a procissão, que percorre as principais ruas do município, com a imagem da Nossa Senhora da Glória.
Durante a procissão as irmãs desfilaram toda a sua imponência e beleza representadas pelo traje composto por saia plissada, na cor preta, torço branco, bata branca e um pano da beca em duas cores: preta e vermelha. As irmãs utilizaram ainda colares grandes, pulseiras brilhantes e brincos, compondo assim um verdadeiro traje de rainha, com uma riqueza de detalhes. O tom vermelho das roupas representa a luta enfrentada pelos escravos, e a cor preta, as escravas alforriadas.
O gerente do Mercado Americano da Bahiatursa, Billy Arquimimo, destacou o grande número de visitantes ao evento: “Há uma movimentação de 500 afro- americanos na festa e isso quer dizer que estamos colhendo bons frutos para o Turismo étnico-afro do Estado”, explicou, ressaltando ainda a felicidade dos turistas de estarem vivenciando momentos de rara beleza na cidade baiana. A americana Florence Ruffingarrison falou da suntuosidade da festa: “Está tudo maravilhoso e muito lindo. A festa é especialmente bela e histórica”, disse Florence.
Em meio ao cortejo, americanos, italianos, nigerianos e brasileiros, pessoas de diferentes idiomas, falavam uma só linguagem, a da fé. Entre as ruas, becos e vielas do município o que se via era a disputa das diversas máquinas fotográficas que os visitantes empunhavam, no intuito de registrar o melhor ângulo, a melhor foto e o menor detalhe da festa. Os turistas estavam determinados a fazer de tudo para não perderem de vista nenhum momento da celebração; nem a rápida chuva que caiu quase no final da procissão espantou a legião de fiéis que seguiam o cortejo. A americana Isis Davidson visitou a festa pela primeira vez e se mostrou encantada. “Estou gostando muito do clima da festa. A história dessas mulheres me deixou emocionada”, disse Isis.
Muitos seguiram o cortejo, e diversos moradores aguardavam a passagem das senhoras em frente às suas casas para fazerem uma oração e saudarem a irmandade. O mineiro Luick Fernandes, que ficou sabendo da festa pela internet, elogiou os festejos. “Eu estou achando tudo muito interessante e com uma riqueza de detalhes incrível”, disse Fernandes.
Programação- Devido o falecimento da juíza perpétua da irmandade, Dona Estelita, as comemorações profanas foram suspensas este ano. Na quinta- feira (16) e sexta-feira (17) serão servidos um cozido e um caruru, na sede da irmandade, para celebrar o encerramento da Festa da Boa Morte.
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