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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Missa e Procissão marcam terceiro dia da Festa da Boa Morte, em Cachoeira


É linda de se ver! A Festa da Boa Morte, realizada em Cachoeira, município do Recôncavo Baiano, chega ao seu terceiro dia, reunindo beleza, cultura e a história de um império construído por 22 mulheres negras. Nesta quarta-feira (15) uma missa festiva pela Assunção de Nossa Senhora e a Procissão de Nossa Senhora da Glória encerraram a comemoração sagrada da festa secular, que contou ainda com a cerimônia de posse das novas irmãs que cuidarão dos festejos em 2013. 

Enquanto a Irmandade da Boa Morte se preparava para realizar a Missa Festiva, na capela da Casa da Boa Morte os admiradores e fiéis se amontoavam em frente ao local e aguardavam, ansiosos, a saída das irmãs, para terem a oportunidade de vislumbrar aquele momento único e sagrado.

Era a oportunidade de guardarem na memória cada detalhe que compõe uma história de representação da ancestralidade africana. Após a missa na capela, os visitantes seguiram a procissão, que percorre as principais ruas do município, com a imagem da Nossa Senhora da Glória.

De um lado, o público espectador mantinha a curiosidade, o respeito e a idolatria por aquelas mulheres soberanas; do outro, as anfitriãs da festa esbanjavam simplicidade, dedicação e amor à festa, que, por mérito, tornou-se Patrimônio Imaterial da Bahia desde 2010. A irmã Anália Santos, 76 anos, falou da importância da irmandade em sua vida. “Para mim, é maravilhoso fazer parte desta história linda que, a cada ano, fica melhor. Eu conheci o mundo através da irmandade.”, disse Anália, que há 40 anos é membro da Confraria.

Durante a procissão as irmãs desfilaram toda a sua imponência e beleza representadas pelo traje composto por saia plissada, na cor preta, torço branco, bata branca e um pano da beca em duas cores: preta e vermelha.  As irmãs utilizaram ainda colares grandes, pulseiras brilhantes e brincos, compondo assim um verdadeiro traje de rainha, com uma riqueza de detalhes.  O tom vermelho das roupas representa a luta enfrentada pelos escravos, e a cor preta, as escravas alforriadas. 

O gerente do Mercado Americano da Bahiatursa, Billy Arquimimo, destacou o grande número de visitantes ao evento: “Há uma movimentação de 500 afro- americanos na festa e isso quer dizer que estamos colhendo bons frutos para o Turismo étnico-afro do Estado”, explicou, ressaltando ainda a felicidade dos turistas de estarem vivenciando momentos de rara beleza na cidade baiana. A americana Florence Ruffingarrison falou da suntuosidade da festa: “Está tudo maravilhoso e muito lindo. A festa é especialmente bela e histórica”, disse Florence.

Em meio ao cortejo, americanos, italianos, nigerianos e brasileiros, pessoas de diferentes idiomas, falavam uma só linguagem, a da fé.  Entre as ruas, becos e vielas do município o que se via era a disputa das diversas máquinas fotográficas que os visitantes empunhavam, no intuito de registrar o melhor ângulo, a melhor foto e o menor detalhe da festa. Os turistas estavam determinados a fazer de tudo para não perderem de vista nenhum momento da celebração; nem a rápida chuva que caiu quase no final da procissão espantou a legião de fiéis que seguiam o cortejo. A americana Isis Davidson visitou a festa pela primeira vez e se mostrou encantada. “Estou gostando muito do clima da festa. A história dessas mulheres me deixou emocionada”, disse Isis. 

Muitos seguiram o cortejo, e diversos moradores aguardavam a passagem das senhoras em frente às suas casas para fazerem uma oração e saudarem a irmandade. O mineiro Luick Fernandes, que ficou sabendo da festa pela internet, elogiou os festejos. “Eu estou achando tudo muito interessante e com uma riqueza de detalhes incrível”, disse Fernandes. 

Programação- Devido o falecimento da juíza perpétua da irmandade, Dona Estelita, as comemorações profanas foram suspensas este ano. Na quinta- feira (16) e sexta-feira (17) serão servidos um cozido e um caruru, na sede da irmandade, para celebrar o encerramento da Festa da Boa Morte.

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