
A Bahia já é considerada, pelas características da cultura que cultiva, um pedaço do continente africano. Mas na noite desta quarta-feira (31/10), o Teatro Cidade do Saber, localizado em Camaçari, ganhou dimensões musicais de uma África inteira. O concerto, realizado pela Orquestra Sinfônica Popular Brasileira, contou com participações especiais que elevaram o evento para um patamar de qualidade que agradou até os mais criteriosos espectadores.
A expectativa de conhecer o estilo e a voz dos cantores angolanos Dodô Miranda e Wyza, era clara nos olhares que denunciavam a curiosidade, bem como era perceptível a ansiedade em deleitar-se ao som da doce voz de Jussara Silveira e da sofisticação em formato MPB, característica do músico Roberto Mendes, ambos baianos.
Antes do encontro entre convidados e plateia, a Sinfônica Popular, regida pelo maestro Bira Marques, sacudiu as emoções com a execução das peças Antakarana e Hereros, mostras das pulsações latentes que estavam prestes a explodir em estrondos ritmados, crescentes, que invadiam os sentidos e conduziam os ouvintes para além do Oceano Atlântico. Música, dança e efeitos visuais amparados pela tecnologia contribuíam para libertar a imaginação.
Com passos despretensiosos, tranquilos, Dodô Miranda surgiu no palco. Foi cantando que mostrou porque estava ali. Dono de uma extensão vocal cultivada na larga experiência com a atuação em canto coral gospel, o cantor passeou por notas graves e agudas, explorando com ousadia e muito soul as possibilidades que as notas executadas pela orquestra permitiam.
Wyza apresentou um estilo musical que, para os baianos, pode ser considerado mais exótico. Mas a novidade agradou, conquistou, cativou. Forjada na ancestralidade, confunde-se em alguns momentos com a música árabe, mas é som angolano: o kilapanga.
A musicalidade já conhecida de Jussara e Roberto Mendes encerrou o ciclo musical com chave de ouro, aparando arestas, preenchendo lacunas. No final, de presente, a música Humbi Humbi foi entoada pelos quatro convidados e a orquestra. Bahia e África numa mistura homogênea!
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