Com trapezistas e acrobatas saltando em direção aos olhos do público, o longa "Cirque du Soleil - Outros Mundos" chega nesta quinta (21) aos cinemas brasileiros. O 3D produzido pelo diretor James Cameron tem como referência os sete espetáculos da trupe canadense residentes em Las Vegas.
Em entrevista ao UOL, o produtor executivo Ed Jones disse que o filme é como uma "atmosfera de sonho". "É como Alice no País das Maravilhas, você entra em um mundo de fantasia junto com a personagem". "Nós não só falamos sobre o amor, nós mostramos o amor. Nós queremos que a audiência vivencie o show", completou o também produtor Jacques Méthé.
Segundo Méthé, a ideia de levar os espetáculos para o cinema de outra forma é uma preocupação antiga da trupe. "A ideia surgiu faz algum tempo, quando conversávamos sobre como poderíamos levar o Cirque para o cinema de uma forma diferente. Aí surgiu o 3D e isso provou que era possível. A conversão nos mostrou que dava para transmitir as emoções do teatro para o cinema. Foi aí que nos convencemos a fazer o filme e logo surgiu o nome de Cameron, o mestre do 3D".
Para Jones, a ideia principal do 3D é "mostrar ângulos que o público não consegue ver, se tornando parte da ação. James Cameron conseguiu chegar com a câmera mais perto do que poderíamos imaginar. O resultado é uma ótima experiência que leva o público que às vezes não tem como pagar o ingresso do espetáculo para dentro do show".
Dirigido e escrito por Andrew Adamson, de "Shrek 2" e "As Crônicas de Nárnia", o filme conta a história de uma jovem, interpretada por Erica Linz, que se apaixona por um acrobata e se perde nos sete mundos do circo (representados pelos cenários dos espetáculos "O","KÀ", "Mystère", "Viva ELVIS", "CRISS ANGEL Believe", "Zumanity" e "The Beatles LOVE") para poder reencontrá-lo.
"A experiência ao vivo dos shows é incrível. Mas no cinema, podemos te oferecer a experiência de estar realmente no meio do show vendo todo o trabalho detalhado feito nos personagens, como a coreografia e a maquiagem", completou o diretor, vencedor do Oscar com "Titanic".
Protagonista troca palco pelas telonas
Para a atriz Erica Linz, que interpreta Mia, mais que ficar pendurada a dez metros de altura, a grande dificuldade foi sua estreia no cinema. "A diferença entre atuar no teatro e no cinema é a câmera. Quando estamos filmando, você tem que fazer as acrobacias em direção as câmeras", explicou.
Linz, que trabalha no Cirque desde os 19 anos, aos 30 já planeja abandonar a trupe e seguir a carreira de atriz. "A vida de acrobata é muito curta", comentou. "Mas não é todo mundo que tem a oportunidade de voar pelos shows e ganhar conhecimento de diversas culturas. Tem sido inacreditável pra mim", acrescentou.
Sobre Cameron, a atriz disse que ele é "atensioso e sabe o que faz". "Apesar de ser famoso, é super gentil com qualquer um que conhece. Tomei um café com ele antes de fazermos o filme e nem percebi que era James Cameron", disse entre risos.
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Filme tem tanta história quanto os espetáculos
Em exibição dos primeiros minutos do filme em Las Vegas, o filme se mostra semelhante aos espetáculos da trupe apresentados no teatro. Com menos atenção para o roteiro, que é pincelado com poucos diálogos, o que ganha atenção são as cenas de acrobatas voando e engenhocas como um palco que fica na vertical e cenas gravadas na água.
Com o tratamento 3D de Cameron, os detalhes de figurino e maquiagem, minunciosamente cuidadosos, saltam aos olhos. A história é pincelada no início com a chegada de Mia ao mundo dos sonhos, complementada com cenas dos espetáculos muito bem captadas.

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