Sistema de saúde canadense é tema de palestra no Hospital Roberto Santos
O escocês Thomas Clement “Tommy” Douglas é considerado um heroi nacional no Canadá, onde viveu até a década de 1980, quando faleceu em 1986. Seu mérito: a criação do sistema de saúde canadense. Pastor Batista, político social-democrata, combatia a desigualdade social e idealizou um sistema de saúde onde todos, de qualquer etnia ou classe social, incluindo-se imigrantes legais sem a cidadania canadense, recebem os mesmos cuidados, rigorosamente nas mesmas condições.
Os princípios, fundamentos, particularidades desse sistema criado por “Tommy” Douglas, hoje chamado Canada Health Act, foram expostos pelo médico intensivista pediátrico Daniel Garros em palestra realizada hoje (29) no Hospital Geral Roberto Santos. O evento contou com a presença da superintendente de Atenção Integral à Saúde da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), Gisélia Santana Souza, dos diretores do HGRS Delvone Almeida (Geral) e Miguel Mota (Médico), e diretores, coordenadores e técnicos de vários hospitais e maternidades, Sesab e HGRS.
“O Canada Health Act é uma ação do governo, que tem todos como segurados. Não existe medicina privada, com exceção para procedimentos de caráter estético, e não se paga nada, exceto o serviço odontológico”, explica Daniel Garros. Brasileiro, ele reside há mais de 20 anos no Canadá, onde atua no Alberta Children´s Hospital, situado na província de Alberta, meio-oeste do país. O desafio é fazer o cuidado em saúde chegar a todo o Canadá, que, assim como o Brasil, possui grande extensão territorial.
Prevenção e 10% do PIB
Embora seja um sistema público, os profissionais médicos são contratados para prestação de serviços, seja por consulta, por procedimento ou mesmo por pacote anual, e se comprometem a prestar um atendimento de alto padrão. O cartão de saúde é fornecido pelo Ministério da Saúde de cada província e território para seus habitantes, e todos devem receber o mesmo nível de assistência. O cuidado preventivo e a detecção precoce de doenças são importantes e as pessoas são encorajadas a realizar exames médicos anualmente.
Esse foco na prevenção, diz Garros, visa a ampliar a expectativa e a qualidade de vida e diminuir os custos da assistência médica. E funciona. “Hoje, o Canadá registra a maior expectativa de vida, só perdendo para o Japão”, afirma. O médico de família é o centro da assistência, e ninguém vai a um especialista sem passar por ele. “Não existe luxo nos hospitais e centros de saúde, mas o atendimento é o que se precisa ter, e a morte de um paciente por falha na assistência é vergonha nacional”, atesta o palestrante.
O custo do sistema é correspondente a 10% do PIB – Produto Interno Bruto – do país. No debate que se seguiu à exposição de Daniel Garros, a superintendente da SAIS, Gisélia Souza, contrapôs as realizações do sistema de saúde brasileiro, o SUS, que cobre da vacina ao transplante mesmo padecendo de subfinanciamento, e a luta da sociedade brasileira para chegar ao patamar de 10% do PIB no financiamento da saúde pública.
Garros destaca a grande parceria com a indústria e com a própria população, que colaboram para cobrir os custos. “A saúde é socializada, mas com nuances do capitalismo permeando”, disse Garros, citando a presença de marcas e nomes de empresas em unidades e equipamentos médicos. Ainda assim, embora o sistema conte com aprovação de 70% dos canadenses e 82% prefiram o sistema de saúde do Canadá ao dos Estados Unidos, os problemas existem: “Nunca há leitos suficientes para todos e há emergências lotadas”, atestou.
0 comentários :
Postar um comentário