Ferryboat: Internacional Marítima vende “gato por lebre” à população.
Internacional Marítima já usa os mesmos e falhos argumentos da TWB para tentar justificar os péssimos serviços que vem prestando à população.
A “reforma total e defintiva” dos navios do sistema ferryboat, que consumiu dos cofres públicos mais de R$ 30 milhões, não passa de uma maquiagem feita com o objetivo de o governo mostrar para a população que as embarcações “estão novas”. Todos os navios que entraram para a “reforma” na Base Naval de Aratu, saíram e quebraram com menos de 10 dias.
O secretário Otto Alencar não perde uma “reinauguração” dos ferries “reformados”. Todos que voltaram ao tráfego quebraram em menos de 10 dias e vivem constantemente fazendo “manutenção preventiva”. Mas, o importante é ficar na mídia. Enquanto isso, os usuários seguem comendo o pão que o diabo amassou. A concessionária Internacional Marítima copia a TWB: “Os ferries são velhos”. E a Agerba nada diz, nada fiscaliza.
O último navio entregue como ”reformado” pelo secretário Otto Alencar, dia 27 de abril, só fez mesmo a viagem de “reinauguração” e parou três dias depois para uma ”manutenção preventiva”. O mesmo aconteceu com os navios “Rio Paraguaçu”, “Pinheiro” e “Agenor Gordilho”.
Enquanto o secretário costuma se gabar e dizer que agora “nós temos sete embarcações”, na prática o sistema não funciona com mais que três. Foi assim durante toda a semana passada, para desespero de milhares de usuários, que continuam contando com um serviço de baixíssima qualidade, sem horários fixo e com os navios levando até uma hora e meia para fazer a travessia de apenas 14 quilômetros. O “Anna Nery”, que tem somente dois anos em tráfego, leva uma hora e dez, hoje. Antes, fazia o percurso em 35 minutos.
| Usuária habitual do sistema ferryboat, a empresária Lenise Ferreira aponta a repetição de erros e volta a chamar a atenção pelos péssimos serviços prestados aos usuários. |
Quem fez a “reforma” dos ferries foi a Internacional Marítima, empresa do Maranhão de José Sarney contratada para operar o sistema ferryboat, em parceria com a baiana Lumar. A Internacional, que assinou contrato com o Estado há menos de dois meses, já vinha prestando serviços desde setembro de 2012. Não se sabe em que condições ela já estava atuando na reforma, como disse o secretário Otto Alencar. Não existia contrato anterior, mas a Internacional já trabalhava na Base Naval.
“A reforma que estamos fazendo nos navios é definitiva, com troca de motores, chapas, modernização dos salões de passageiro. Esses navios vão durar muito. O que faltava era manutenção que a TWB nunca deu”, afirmou o diretor-executivo da Agerba, Eduardo Pessoa, em entrevista (gravada) ao JORNAL DA MÍDIA.´”É reforma para durar 10 anos”, completou Bruno Moraes, ex-interventor da Agerba no sistema ferryboat. “Trata-se de um esforço sem precedentes feito pelo governo para garantir a população um serviço de excelência”, resumiu o secretário Otto Alencar a bordo do “novo” ferry “Juracy Magalhães.
Na verdade, os ferries foram completamente sucateados pela TWB e precisavam realmente de uma reforma completa. Mas o questionamento que se faz é sobre que tipo de reforma foi feito. Os navios continuam quebrando constantemente. O “Rio Paraguaçu” dá até pena.
Usuária habitual do sistema ferryboat, a empresária Lenise Ferreira aponta a repetição de erros e volta a chamar a atenção pelos péssimos serviços prestados aos usuários.
De mal a pior - A empresária Lenise Ferreira, presidente da Associação Comercial de Vera Cruz, Ilha de Itaparica, usa os ferries diariamente. Ela não conseguiu ainda identificar melhorias desde que a Internacional Marítima assumiu as operações.
“Realmente o sistema vai de mal a pior e não digo que existe omissão da Agerba. O que existe é a velha permissividade de sempre. As embarcações continuam quebrando constantemente. Nada de consertos para durar 10 anos. As primeiras viagens dos navios recém “maquiados” bastaram para colocá-los no estaleiro. Funcionários denunciam que não houve troca de motor no ferry Pinheiro, como garantiu a Agerba. Insatisfeitos com os baixos salários, não poupam criticas à concessionária. Os ferries Ana Nery e Ivete continuam a mesma cachaça de sempre. Um porre com direito a muita ressaca”, sustentou Lenise.
A empresária despeja mais críticas ao quadro atual do sistema:
“O ferry ‘Agenor Gordilho’ me assustou em uma viagem no último dia 2. Um forte cheiro de óleo queimado exalava por todo o salão de passageiros incomodando a todos. Fazia muito calor e o ambiente estava abafado, pois todas as janelas foram lacradas, sabe Deus por qual motivo. Alguns passageiros solicitaram a abertura das portas laterais. O marinheiro assim o fez, quando então percebí que não existem grades de proteção: era a porta aberta e o mar. Crianças brincavam no salão, o que me apavarou. Chamei um membro da tripulação e pedi que a porta permanecesse fechada, pois oferecia risco maior estando aberta. Denunciei o fato à Capitania dos Portos”.
Lenise Ferreira critica também a falta de cumprimento de horários e denuncia que muitos horários são queimados sem satisfação da concessionária ao público. “Hoje, para aumentar a minha indignação, ao chegar no terminal de São Joaquim, pátio de veículos lotado, resolvi deixar meu carro no estacionamento, que ainda é da TWB. No salão de passageiros encontrei longas filas e apenas dois caixas em funcionamento. Descobri naquele momento que não existem mais filas de prioridade, ou seja: idosos, gestantes, portadores de deficiências estão sendo obrigados a encarar as filas. Não existe mais o cartão Sibe, que ao menos nos permitia colocar crédito e não enfrentar filas todos os dias”.
Em seu relato ao JORNAL DA MÍDIA, a empresária conta que entrou em contato com Carlos Henrique, diretor da Internacional Marítima, e foi informada que a suspensão do atendimento prioritário partiu da Agerba. “Foi a Agerba, foi a Agerba, foi a Agerba”, repetiu ele. “Eu disse ao referido diretor que a Agerba não pode se sobrepor a leis federais e ele me respondeu que sim, que podia. Mas isto só acontece com quem desconhece seus direitos, que não é o meu caso”.
TWB x Internacional Marítima – Em contato com o JORNAL DA MÍDIA no último sábado (4), Carlos Henrique disse que o problema com a reforma dos navios é que as “embarcações são velhas” e vivem a quebrar. Em resumo, discordou da opinião de diretores da Agerba e do próprio secretário Otto Alencar, constantemente divulgada na imprensa, de que a reforma foi definitiva e que os navios estão saindo novos.
O argumento utilizado pelo diretor da Internacional Marítima é o mesmo que a TWB usava. Se a Agerba e Seinfra vão concordar com o que disse Carlos Henrique, fica provado que a TWB tinha razão. Disse mais Carlos Henrique ao JM:
“Esta situação só vai melhorar quando os ferries novos chegarem. O governo está comprando navios da Grécia e aí vamos fazer o sistema funcionar bem. Mas com esses navios, não dá”.
A Internacional Marítima mudou o discurso. Não era isso que a empresa dizia ao assinar o contrato com o Governo do Estado. E mais: a Internacional Marítima já está apostando nos navios que virão da Grécia? Muito estranho.
A empresa do Maranhão, ao que se sabe, tem um contrato de apenas seis meses com o governo da Bahia. Mas seu diretor já fala como se fosse ficar em definitivo, por mais 25 anos. Não haverá licitação para a concessão do sistema?
Ou a carta já está marcada?
(Jornal da Mídia)
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