Coqueirais de Moçambique são ameaçados pelo amarelecimento letal que devasta coqueiros e pode chegar ao Brasil.
O Grupo Aurantiaca, empresa baiana do ramo de agronegócios de coco, organizou uma missão técnica a Moçambique, na África. Durante a viagem, foram coletados dados sobre comportamento da doença Amarelecimento Letal do Coqueiro. Os coqueirais, típicos das paisagens tropicais, estão ameaçados pelo Amarelecimento Letal, a mais devastadora doença do coqueiro no planeta. Diante do risco de extermínio dessa espécie de palmáceas, tão características da paisagem e da economia do Nordeste, a Aurantiaca, colheu dados durante a visita. O Grupo pretende continuar as sinalizações para as autoridades brasileiras sobre a necessidade de ações preventivas para conter o perigo.
Calcula-se que, em Moçambique, 40 mil hectares de coqueirais já foram dizimados pela doença. Por enquanto, o mal ainda não chegou ao Brasil, mas estima-se que esteja se deslocando a uma velocidade de 100 km por ano. Em vista dessa ameaça, a Aurantiaca já fez alertas ao Governo Federal e ao Governo do Estado da Bahia. O vice-presidente da Aurantiaca, Roberto Lessa, afirma que “o quadro é grave e demanda iniciativas preventivas. Sugerimos que o Governo estabeleça medidas contra o amarelecimento letal como prioridade estratégica”.
Quando a praga se instala em uma localidade, a paisagem muda em poucos meses. O executivo ressalta a importância de expor o risco da doença e suas consequências ao maior número possível de pessoas e instituições ligadas à cocoicultura. Ele lembra que, inclusive, no Brasil, a agricultura familiar predomina no segmento. Mais de 90% dos produtores brasileiros têm pequenas propriedades.
“A paisagem, com os coqueiros mortos, demonstra devastação e é muito triste. Os coqueirais assumem a aparência de um paliteiro. Não há folhas e o que resta dos coqueiros se se assemelha a postes em um cenário de explosão”, relata Roberto Lessa. Imagens registradas em Moçambique pelos executivos da Aurantiaca revelam um cenário assustador.
Cenário assustador
Lessa, que é engenheiro agrônomo, explica que com o amarelecimento letal há uma queda dos frutos, abortamento de flores, amarelecimento e queda das folhas e morte do meristema apical, que é o tecido responsável pelo crescimento da planta. Ele relata que o índice de desemprego da região visitada em Moçambique é de 95%. “Existiam 26 indústrias na área vinculadas à cadeia produtiva do coco, além de uma grande quantidade de pessoas que trabalhavam nas lavouras de coco. O que vimos de pobreza, fome e desocupação nos permitem acreditar nesse número”, lamenta.
Na ida à Moçambique, a equipe da Aurantiaca confirmou o que verificou também em visitas anteriores a países como México e Jamaica. Antes da doença, a Jamaica tinha 10 milhões de plantas e o número foi reduzido a 3,3 milhões com o amarelecimento letal. “A velocidade entre a contaminação de uma planta e sua morte é de, no máximo, seis meses. Vimos plantas com três meses de contaminação que já estavam sem qualquer capacidade produtiva”, afirma o vice-presidente.
Ameaça para a Bahia
O amarelecimento letal é um assunto preocupante que pode gerar impactos para a Bahia. O estado é o maior produtor de coco do Brasil, com cerca de 500 milhões de frutos por ano e uma média de 77 mil hectares em área plantada. A produção de coco baiana atualmente gera cerca de 200 milhões de reais no Valor Bruto da Produção Agrícola (VBP), por ano.
A Aurantiaca está situada no Conde, no litoral Norte da Bahia, e é atualmente a maior empregadora da região. Além de ter instalado sua indústria e suas unidades agrícolas no município, a empresa tem atuado no sentido de contribuir com ações de desenvolvimento social, entre elas, destinando recursos para manter uma escola do município, através do Instituto Gente.
O município do Conde é o maior produtor de coco do mundo. Tem uma área de mais de 15 mil hectares plantados. Essa extensão de terras é superior às plantações de estados como Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Na Bahia, a produção de coco gera mais de 200 mil postos de trabalho. 88% dos produtores são proprietários, 60% não utilizam tecnologias e 74% comercializam sua produção por meio de intermediários.
A Aurantiaca nasceu na Bahia, em 2006, com o objetivo de redefinir toda a cadeia de coco, inovando na gestão, produção e o beneficiamento do fruto. A companhia trabalha para desenvolver uma cultura de excelência operacional para garantir o gerenciamento de recursos de forma responsável, rentável, com uma governança de nível global. E, além disso, está voltada para contribuir com o desenvolvimento da comunidade da região onde está inserida.
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