Laticínios Davaca implementa projeto inovador com fertilização in vitro na produção leiteira
A Laticínios Davaca está realizando um programa de fertilização in vitro - FIV para produção de bezerras leiteiras de alta genética. O projeto inovador é voltado para os produtores parceiros da indústria, sendo desenvolvido através da maturação de uma técnica que permite produzir bezerras Girolandas ou Guzolandas de altíssimo padrão genético, com preço reduzido.
O Diretor de Operações da empresa, Lutz Lima, explica que com a popularização do sêmen sexado e o desenvolvimento de novos equipamentos eletrônicos e mecânicos voltados para a realização de procedimentos de FIV diretamente no campo, já é possível produzir uma prenhês de fêmea F1 pelo custo de um bezerro macho de descarte. “A Davaca está subsidiando o procedimento para seus produtores. Neste projeto inovador, a indústria tem como parceira a Consulte Tecnologia de Embriões. Visamos a excelência genética e a alta produtividade para o dia a dia do produtor de leite”.
Enquanto a produtividade diária média do Estado da Bahia é de cerca de cinco litros de leite por animal, um rebanho de fêmeas selecionadas através da fertilização tem potencial para a manutenção de uma média de até 16 litros por dia. “Este é um momento revolucionário. Trabalhamos com alta genética exclusivamente para a produção de leite. O produtor parceiro tem condições extremamente favoráveis para realizar a FIV. A prenhez sexada e confirmada aos 60 dias é uma garantia deste projeto. Um produtor de pequeno porte, com cada matriz deste nível em produção, consegue faturar de R$ 400,00 a R$ 500,00 mensais”, conta Lutz Lima.
O processo da FIV
Utilizando doadoras Gir Leiteiras ou Guzerá P.O. Leiteiras de excepcional genética para a produção,coleta-se o óvulo imaturo (ovócito), através de uma guia acoplada em ultrassom. Imediatamente este material é enviado para o Laboratório de fertilização in vitro, onde é realizada a maturação deste óvulo até o estágio de recebimento dos espermatozóides.
Neste ponto, o produtor escolhe o touro holandês provado para leite, baseando-se em características como produção de leite das filhas e conformidade de úberes e pernas. Com apenas uma dose de sêmen sexado consegue-se fertilizar os óvulos de até 20 vacas, produzindo em média 50 embriões.
Isto gera um custo baixo de sêmen, abrindo a oportunidade de uso de touros com maior valor econômico e genético, o que normalmente não se viabilizaria na inseminação comum devido ao custo próximo de R$ 200,00 cada dose. Para o sêmen sexado, geralmente são necessárias duas doses por gestação, gerando um custo total de R$ 400,00 por prenhês de touros superiores.
“A fertilização do óvulo é realizada em incubadora dando ao embrião condições de temperatura, umidade e atmosfera similares ao útero de uma vaca. Oito dias após a coleta, o embrião é colocado dentro de um palhete idêntico ao de inseminação, já pronto para a implantação na receptora”, explica Lutz Lima.
A receptora que receberá este embrião pode ser qualquer vaca ou novilha saudável e apta a ser inseminada ou coberta. Com um processo de indução hormonal já amplamente utilizado na técnica de IATF (inseminação por tempo fixo), faz-se o preparo da receptora, em média 10 dias antes do implante.
Segundo o diretor, atualmente a transferência do embrião é realizada no tronco da fazenda, como uma inseminação comum, sem quaisquer outras exigências. “Todo o manejo após a transferência para a obtenção de bons índices de gestação é o mesmo de uma vaca inseminada ou coberta, principalmente através da boa alimentação, utilização de sal mineral e manutenção de vacinas”, conclui Lutz Lima.
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