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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Médica Kátia Vargas é libertada

 

A médica Kátia Vargas foi libertada do Conjunto Penal Feminino, no Complexo da Mata Escura, no final da tarde desta segunda-feira (16). 

Denunciada pelo Ministério Público da Bahia por duplo homicídio qualificado, a oftalmologista estava presa há dois meses, acusada de ter provocado o acidente que matou os irmãos Emanuelle e Emanuel Gomes no bairro de Ondina.

"Ela foi liberada agora às 17h50, depois que o juiz Moacyr Pita Lima acolheu o nosso pedido de revogação da prisão preventiva", relatou o advogado Sérgio Habib. "Como ela está muito debilitada, com alguns problemas de saúde, o marido dela, que também é médico, resolveu levar ela para fazer uns exames antes de ir para a casa. A Kátia estava com depressão, sem se alimentar direito e com taquicardia", afirma.

A médica irá responder ao processo em liberdade, mas não poderá deixar a capital baiana. "Acabou a tensão inicial. Ela está muito abalada, mas agora vai para casa, ficar com a família e com os filhos dela", contou Habib. 

O pedido de revogação da prisão preventiva da médica foi feito após a audiência na quinta-feira (12), quando ela foi ouvida pela Justiça pela primeira vez, no Fórum Criminal de Sussuarana. Esta foi última parte da audiência de instrução — a primeira fase do procedimento de júri. Para que ela vá a júri popular, é necessário que o juiz decida que existiu homicídio doloso, quando há intenção de matar.

A audiência durou 40 minutos e Kátia disse não ter certeza se fechou a moto ao sair da Rua Morro do Escravo Miguel. Ela disse também que não houve discussão de trânsito com Emanuel. 
Kátia também se recusou a assistir ao vídeo que mostra o momento do acidente e não respondeu alguns questionamentos feitos pelo promotor David Gallo.

Ainda de acordo com Habib, o juiz Moacyr Pita Lima havia decidido que Kátia deve ir a júri popular e o próximo passo da defesa vai ser entrar com outro recurso para modificar essa decisão.

"Vamos entrar com um recurso da pronúncia", garantiu o advogado. "Ela foi pronunciada - o que  significa que o juiz deu uma decisão interlocutória de que ela pode ir à júri. Mas o Tribunal ainda vai determinar se isso vai acontecer ou não. Enquanto isso, vamos entrar com o recurso da pronúncia, e aguardar o julgamento pelo Tribunal de Justiça da Bahia ou pelo Superior Tribunal de Justiça de Brasília", afirma.

O advogado da família de Emanuel e Emanuelle Gomes, Daniel Keller, afirmou ter confiança de que a médica irá à júri popular. "Essa decisão revoga da preventiva. A defesa ganha por colocar ela em liberdade. O juiz na decisão remete ela para o júri popular por crime qualificado, inclusive entendendo que houve impacto (do carro com a moto)", conta.

Ele também contou como a notícia da liberação da médica foi recebida pela família das vítimas "Acabei de conversar com a mãe dos meninos, e ela ficou extremamente triste", conta. "Ela não acha justo, não acha correto. Ela inclusive falou  do Natal - disse que ela vai passar Natal sem os filhos dela e a Kátia vai passar com a família, com os filhos dela", afirma o advogado. 

O perito Ricardo Molina, contratado pela família de Kátia Vargas, acusou nesta segunda-feira (16) a delegada Jussara de Souza de criar uma farsa para incriminar a médica acusada de causar o acidente que matou os irmãos. 

Em apresentação do laudo feito pelo perito na manhã de hoje, no Sheraton da Bahia Hotel, ele afirmou que a delegada alterou a data do depoimento da testemunha chave do processo.
De acordo com Molina, o depoimento não foi prestado no dia do acidente como afirmou a delegada, mas dois dias depois quando, segundo o técnico, a testemunha já havia tido acesso ao depoimento dos familiares das vítimas e da cobertura da imprensa "Criou-se uma farsa em torno de um testemunho inverossímil. O que a testemunha diz ter visto é impossível", criticou.

A partir do laudo feito pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT), o perito concluiu que o homem que testemunhou o acidente estava a 104 metros do local onde teria ocorrido o impacto entre o Kia Sorento dirigido por Kátia e a motocicleta onde estavam os irmãos. No depoimento, o homem afirma que estava a cerca de dez metros da colisão.

Molina nega a versão do Ministério Público de que tenha havido um toque entre o veículo SUV e a moto. “Não houve perseguição. O Kia Sorento aproxima-se da moto em uma velocidade normal para ultrapassagem", justificou.

No laudo, Molina questiona a eficiência dos peritos que trabalharam no caso e desqualificou o depoimento de Arivaldo Lima Souza, que afirmou ter visto a colisão entre o carro e a moto.

O perito contou também que os laudos produzidos pelo Departamento de Polícia Técnica, “um amontoado de equívocos”, não comprovam o impacto e que as imagens das câmeras são inconclusivas.

Da redação, Andréia Barros

Imagem Almiro Lopes/ Correio

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