Fazer uma lista do que é realmente necessário ajuda a não cair na tentação do crediário fácil
O mês de dezembro é um dos mais movimentados no comércio do mundo todo. As pessoas vão às lojas e centros de compra repletos de ofertas para presentear, gastar e consumir. A magia e tradição do Papai Noel continuam alimentadas pelos pais, que saem em maratona buscando o melhor presente para satisfazer seus pequenos. As crianças, por sua vez, aguardam ansiosamente o Natal para realizar seus sonhos traduzidos em brinquedos, roupas e, nos últimos tempos, principalmente em tecnologia. Independente da idade, a mania de consumo pode se tornar um risco à saúde.
É comum, principalmente nessa época do ano, cenas em lojas e shoppings de pais constrangidos pelos filhos que desejam algo e fazem de tudo para tê-lo. Nesse momento fica clara a importância dos limites na educação. O passeio pode se tornar um grande estresse para os pais que geralmente cedem aos pedidos da garotada. De acordo com a psicóloga do Hapvida Saúde, Suelem Saraiva, é preciso manter o diálogo e à medida do possível restringir o poder de compra delas. Passeios em lojas e Centros de Compras não necessariamente devem ser extintos, mas é possível outro tipo de programação com eles. “Para os pequenos, existem outras atividades culturais e lúdicas sobre o Natal e que, junto com os pais, elas podem aproveitar o momento”, considera a especialista.
Saraiva explica que muitas vezes o consumismo pode ser uma forma que o ser humano encontra para suprimir o vazio existente dentro de si, caracterizado por uma carência afetiva ou emocional. Nas crianças, a profissional recomenda que esse espaço deve ser preenchido pelos pais com programações em família. “Chegada esta época do ano, considerada mágica, existe a sensação que todos os desejos podem ser realizar, e tudo que você não conseguiu o ano inteiro, vai conseguir agora. Consumir, comprar é também uma forma de se presentear. Outro fator que contribui para o consumismo são as facilidades das lojas, o fácil acesso a cartões de crédito, o 13º salário”, considera a especialista.
Ainda que o consumismo das crianças seja preocupante, a psicóloga avalia que às vezes, é mais fácil controlar os impulsos consumistas de uma criança do que de um adulto. “Por, geralmente, ainda não ter o poder de compras e as facilidades de um adulto, é menos complicado para criança entender ser freada do que o adulto”, considera Saraiva. Para a especialista, a escola, junto com a família, possui papel fundamental na construção da chamada de consciência crítica nas crianças, proporcionando mudanças de valores e demonstrando as consequências psíquicas e sociais que o consumismo desenfreado pode causar nas pessoas e no meio ambiente.
Mas, em que momento o consumismo passa a ser um problema de saúde? Saraiva explica que há uma linha tênue que pode ser ultrapassada. A especialista do Hapvida explica que “quando a pessoa deixa de cumprir com suas obrigações financeiras e continua fazendo compras desnecessárias e, ao mesmo tempo, tem a sensação de culpa, insatisfação e dor, atribuindo desculpas para compras compulsivas, esconde da família suas compras e nem mesmo ter espaço para guardá-las, são características de um transtorno, a Oniomania. O que chamamos de compras compulsivas e que, geralmente, vem acompanhado de outros transtornos emocionais como Depressão, de Humor e Transtorno Obsessivo Compulsivo”, destaca Saraiva.
“Ter consciência sobre sua atitude compulsiva é sem dúvida o primeiro passo para o tratamento. Perceber os prejuízos em várias esferas da sua vida emocional, afetiva, financeira e até profissional, indica que é hora de procurar ajuda de um especialista”, alerta a psicóloga.
E para facilitar as compras de natal, na companhia dos pequenos, Suelem recomenda que a conversa é a melhor solução. “Negocie com seu filho antes de sair de casa, faça uma lista do que é realmente necessário comprar e de quanto você pode gastar com cada presente. Isso ajuda a não cair nas tentações do crediário fácil”, recomenda.

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