Advérbio "sequer" é mal utilizado; diz Thaís Nicoleti da Folha Online
A palavra "sequer" nem sempre é bem utilizada. Parece que boa parte das pessoas tem a impressão de que essa palavra tem sentido negativo, o que é um equívoco. "Sequer" é um sinônimo de "ao menos".
A consultora de língua portuguesa Thaís Nicoleti, colunista da Folha e da Folha Online, explica o uso correto da palavra. Ouça outros podcasts da colunista.
"Em uma frase como 'Tudo teria sido diferente se eles tivessem demonstrado sequer um pouco de compreensão', não há sentido negativo e o 'sequer' está bem empregado", exemplifica Nicoleti.
O problema surge, segundo a consultora, em construções como "Ele passou por mim e sequer me cumprimentou". O sujeito da frase tem a intenção de dizer que alguém não o cumprimentou, mas o que acaba dizendo é que alguém, ao menos, o cumprimentou, ou seja, exatamente o oposto do que pretendia.
"Numa frase como essa, o ideal seria a anteposição de uma partícula negativa ao advérbio 'sequer'. 'Ele passou por mim e nem sequer me cumprimentou'", afirma a colunista. Ela observa ainda que o uso do "sequer" neste caso poderia ser dispensado, já que apenas enfatiza a idéia negativa.
Dessa forma, de acordo com Nicoleti, a frase ficaria "Ele passou por mim e nem me cumprimentou". "O que não pode faltar é a negativa", ela diz.
"É muito simples: basta, mentalmente, substituir o 'sequer' por 'ao menos' e será fácil perceber a necessidade - ou não - de acrescentar uma partícula negativa à frase", soluciona Nicoleti.
Thaís Nicoleti de Camargo é também autora de "Redação Linha a Linha", da Publifolha, "Uso da Vírgula" (ed. Manole) e "Manual Graciliano Ramos de Uso do Português" (Secom - Alagoas).
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