João Carlos Salles fala sobre influência da Ditadura no ambiente acadêmico da UFBa
A participação do professor João Carlos Salles no Fórum do Pensamento Crítico, nesta terça-feira (25.03), no TCA, teve como motivação as influências da Ditadura Militar e das Diretas Já no ambiente acadêmico da Universidade Federal da Bahia, que ele considerou “um dos palcos privilegiados dessa disputa, dessa tensão entre autoritarismo e democracia”. O professor definiu a universidade como “uma instituição social singular que tanto abriga expedientes de reprodução da cultura da dominação, quanto comporta sementes de liberdade. Tanto comporta exemplos de atitudes pusilânimes, quanto registra atos valorosos de coragem eresistência ao autoritarismo”.
Doutor em Filosofia, João Carlos Salles fez uma reflexão sobre as consequências específicas do Golpe Militar de 1964 para a UFBA, “que foi, por muito tempo, a única universidade pública baiana, principal responsável no estado pela formação profissional, produção do conhecimento, além de berço da reflexão crítica sobre a sociedade baiana e sobre si mesma”, ponderou Salles, dando início à sua exposição de argumentos e fatos históricos que, posteriormente, suscitaram perguntas.
Entre elas, uma sobre características e fatos que marcaram a sua militância em prol da democracia. “O processo de militância envolvia, para nós, uma espécie de renascimento, envolvia também uma posição diferente diante da história”, sinalizou Salles. Ele citou o educador Anísio Teixeira como figura emblemática da luta pela educação, e cuja morte, ao que tudo indica, decorreu de sua atuação política. “A circunstância de sua morte exige esclarecimentos”, frisou o professor.
Sobre a referência a Anísio Teixeira, o ex-deputado Haroldo Lima, também participante do debate e sobrinho de Anísio, acrescentou: “Quarenta e três anos depois nós não podemos aceitar essa dúvida, se houve ou não assassinato. Essa questão não pode mais ficar em aberto, precisa ser apurada, caso contrário a comissão não terá cumprido a sua função”. Lima ainda ratificou: “Anísio Teixeira é o único filósofo da educação brasileira, é o nosso educador mor e nos deixou uma contribuição extraordinária”.
Além de João Carlos Salles e Haroldo Lima, compuseram a mesa, todos com excelentes intervenções sobre “Como a ditatura civil/militar redesenhou a Bahia e quais suas repercussões no futuro do estado?”, o secretário de Planejamento do Estado da Bahia, José Sérgio Gabrielli, o professor Joviano Neto, a professora Ana Fernandes e o jornalista Ernesto Marques, como mediador. A programação do III Fórum do Pensamento Crítico: autoritarismo de democracia no Brasil e na Bahia 1964-2014 segue até o dia 28 de março.

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