Segundo
um levantamento divulgado recentemente pelo Ministério da Saúde,
Trabalho e Bem-Estar, 16,1% da população do Japão vive com um rendimento
abaixo do considerado limite para a pobreza – estipulado no país em
cerca de R$ 27 mil por ano. Isso significa que um em cada seis japoneses vive em situação de pobreza, uma marca recorde no país.
A tendência é só piorar, segundo Aya Abe, diretora do departamento de pesquisas empíricas do Instituto
Nacional de Pesquisa da População e da Seguridade Social: "A
pobreza não é apenas um problema econômico, mas também estrutural. Digo
isso porque a taxa aumenta continuamente desde a década de 1980, mesmo
durante os anos de prosperidade econômica".
O índice do Japão tem aumentado constantemente e hoje está
bem acima da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE). Em ranking publicado em meados dos anos 2000, o
Japão já estava, com 15%, em quarto lugar na lista dos países-membros
com maiores taxas de pobreza, ficando atrás de México (18,5%), Turquia
(17,5%) e Estados Unidos (17%). A taxa mais baixa foi registrada na
Dinamarca (5%).
Na pesquisa feita pelo governo japonês, 59,9% das famílias responderam que passam por dificuldades. Entre
as causas desse fenômeno estão a queda da renda familiar, o prolongado
período de deflação pelo qual o Japão passou e o aumento de lares
formados por mães solteiras, que geralmente têm emprego de baixa
remuneração.
Cerca
de 80% dos que vivem na pobreza no Japão fazem parte dos chamados
trabalhadores pobres, de salários baixos, empregos temporários sem
garantias e poucos benefícios. Geralmente, ganham o suficiente para
sobreviver, mas não para ir a restaurantes, fazer viagens e comprar
supérfluos.
Preocupado com a taxa recorde
de pobreza, o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe anunciou em agosto
um pacote de políticas para enfrentar o problema. O Japão auxiliará em custos com educação dos filhos e ajudará adultos na procura por emprego fixo. Os críticos dizem que as ações são insuficientes, uma vez que o governo atual tem uma política clara de proteção ao empresário.
Hoje, somente na
capital japonesa, o governo estima em cerca de 1.700 pessoas que não
possuem um endereço fixo. O abismo entre classes se abriu depois de um longo tempo na década de 1990,
após o colapso da bolha econômica. A estagnação econômica persistente
levou as empresas a acabar com o chamado "emprego vitalício", do qual os
japoneses tanto se orgulhavam.
Kato
Shirai, 68 anos, vive há cerca de quatro anos nas ruas de Tóquio. Ele
guarda cuidadosamente alguns poucos pertences embaixo de uma marquise e
passa o dia todo praticamente deitado. "É para evitar ficar com mais
fome", diz. Shirai reclama da falta de ajuda do governo e diz que
até gostaria de sair das ruas. "Mas como fazer isso se não há emprego?",
questiona.
A idade avançada e o fato de não ter um endereço fixo são empecilhos para muitos destes japoneses que vivem nas ruas."Para
sobreviver, conto com a ajuda de voluntários, que vêm distribuir comida
toda noite", conta. "O difícil é quando chove e neva. O restante a
gente aguenta", fala.
BBC Brasil
Foto: Reprodução

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