Cinco meses depois, Bahia e Vitória se reencontraram para o primeiro duelo de 2015. O cenário não era muito animador para os clubes. De um lado, um Bahia que chegou a empolgar em alguns momentos, mas que não consegue manter a regularidade nas partidas. Do outro, um Vitória pouco inspirado ofensivamente e que não transmite confiança na defesa. Ambos mergulhados nas águas da Série B e na crise que atinge o futebol baiano.
Mas BAVI é BAVI, não importa como, quando, onde, é o clássico das multidões, para reunir os parentes, amigos, desde o mais otimista ao mais pessimista. É o clássico das superstições, movido pela fé e cercado de mistérios por todos os terreiros de Salvador. É o clássico das poesias, mesmo que o futebol da Bahia, que tanto mobiliza e arrasta milhões de fiéis torcedores, não tenha mais a beleza e nem a poesia de anos de outrora.
Mesmo na estrada, como todo torcedor fanático, não desgrudava o ouvido do rádio e logo me indignei ao saber da escalação do Bahia. O técnico Sérgio Soares sacou todos os garotos da base do time titular, somente o goleiro Jean permaneceu, mas neste caso, por falta de opção. Bola rolando, um sol de lascar na cidade de Salvador, o que não impediu de ser um jogo bastante movimentado.
O Bahia começou a partida tentando pressionar o Vitória, que se defendia bem, mas aos 17 minutos, veio o balde de água fria. Vander apareceu livre pela direita e bateu cruzado, Jean espalmou e a bola sobrou livre para Neto Baiano que chutou forte para abrir o marcador. Depois do gol, o nervosismo tomou conta dos jogadores do tricolor baiano, e em um lance Pittoni acabou perdendo a cabeça e foi expulso.
O volante num ato de infantilidade disputou a bola com Neto Baiano e acabou dando um soco no atacante. Chapa vermelha e Esquadrão com um a menos em campo. O que já estava péssimo, conseguiu ficar ainda pior. Mas aí lembrei do poema "O momento da reação", do professor Rodolfo Pamplona Filho, conhecido como o "Poeta Tricolor".
O futebol apresentado pelo Bahia na segunda etapa era outro. A apatia e o nervosismo do primeiro tempo se transformaram em motivação e raça no segundo. O Esquadrão foi superior, e poderia ter saído com o triunfo se não fosse o goleiro Fernando Miguel ou a falta de pontaria dos homens de frente. A partida seguiu emocionante até os minutos finais.
Aos 47 minutos, Rômulo driblou Fernando Miguel e desperdiçou o que seria a virada tricolor. Do outro lado, aos 49, o meia Jorge Wagner cobrou falta com perfeição e o goleiro Jean fez um milagre garantindo o empate, resultado que acabou saindo com um sabor de triunfo para o Bahia que jogou boa parte do jogo com um jogador a menos. Após o apito final, a torcida rubro-negra vaiou o time e a nação tricolor comemorou o empate heróico.
Fellipe Costa ?Futebol baiano
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