Montagem que marca lançamento de coletânea mistura dramaturgia, poesia e música, resgatando a memória e a obra de Humberto Porto.
Mais do que apresentar o legado do compositor baiano, que imprimiu sua identidade no cenário nacional dos idos de 1930 e 1940, O Jardim de Humberto Porto transporta o espectador para a Era de Ouro do Rádio. Foi nessa época que as músicas de Humberto, interpretadas por Carmen Miranda, Francisco Alves, Orlando Silva e Dalva de Oliveira, viraram sucessos, como a marchinha “A Jardineira”, pérola do cancioneiro popular. Esta e outras canções, remasterizadas pelo engenheiro de som e produtor musical sueco (radicado na Bahia), Sebastian Notini, foram reunidas em uma coletânea no formato CD que será lançada no evento.
O espetáculo terá única apresentação no dia 28 de maio, na sala principal do Teatro Vila Velha, às 20h, com ingressos populares - R$10 e R$5 (meia-entrada). A ação integra o Projeto Jardim de Humberto Porto – idealizado pela família do compositor, e conta com o apoio da Secretaria Estadual de Cultura/Fundação Cultural, por meio do Fundo de Cultura, da TVE e da Rádio Educadora, além da parceria com a Multi Planejamento Cultural.
A proposta é recuperar o acervo do compositor baiano, homenageá-lo, resgatar sua obra e revelar ao público a importância de Porto, que, em parceria com Benedito Lacerda, Herivelto Martins, J. Cascata e Assis Valente, compôs classicos como A Jardineira, Na Bahia, Yaya Baianinha, História de Amor e Este Samba foi Feito pra Você. A famosa marchinha carnavalesca, gravada no final dos anos 30, permanece entre as músicas mais executadas, no período do Carnaval (Em 2014 - 75 anos após o seu lançamento - ocupou a sexta colocação, conforme dados do Ecad - Escritório Central de Arrecadação de Direitos Autorais).
Para o diretor artístico do projeto, Thiago Pondé, aproveitar o palco para fazer uma encenação de rádio era inevitável para que o se propuseram a fazer: mostrar a representatividade de Humberto Porto na Era de Ouro do Rádio e sua relevância para a música popular brasileira. “A ideia surge pela necessidade de contar a história de Humberto que dialoga, a todo momento, com o rádio, onde começou sua carreira. Não faz sentido apenas executar suas músicas, sem contextualizá-las”, explica.
No elenco, nomes como o da premiada atriz Evelin Buchegger, que atuará como locutora e apresentadora do espetáculo, o jornalista e poeta, Oscar Paris, e os músicos Thiago Pondé (vocal), Lucas Pondé (contrabaixo e voz) - ambos sobrinhos-netos do compositor - Luís Soares (violão e guitarra), Dainho Xequerê e Ricardo Costa (percussão), Pedro Degaut (trombone) e Rangel Menezes (teclado).
A vida e obra de Humberto Porto deve encontrar eco também em outras iniciativas que a família do compositor vem desenvolvendo, como revela Lucas Pondé. “Durante o processo de pesquisa sobre a trajetória dele mantivemos contatos com historiadores, pesquisadores musicais, produtores culturais e artistas, além de visitas aos acervos de diversas instituições. Daí a ideia de dar prosseguimento ao trabalho com um documentário e um portal que permitirão a ampliação do acesso à sua obra”.
Memória
O Jardim de Humberto Porto vem recuperando o acervo do compositor e prevê doações para instituições voltadas à memória e à música do estado da Bahia. Thiago Pondé destaca o trabalho cuidadoso de pesquisa e catálogo da obra musical: “Além de recuperar os fonogramas, estamos levantando todas as informações possíveis sobre a personalidade e curiosidades de Humberto junto aos nossos familiares e historiadores que enriquecerão o processo criativo do espetáculo em sua homenagem”, conta.
O cantor e compositor baiano Rafael Pondé, responsável pela direção musical, ressalta a importância do tio-avô para a música brasileira. “Humberto é considerado o precursor do lamento. Um dos pioneiros na utilização da temática afro-baiana e das expressões em iorubá no universo da música popular. Juntamente com os contemporâneos, Assis Valente e Dorival Caymmi, levou o imaginário baiano para o resto do País”.
Serviço:
O Jardim de Humberto Porto
Local: Sala principal do Teatro Vila Velha
28 de maio (quinta-feira) / 20 horas
R$10 e R$5
Classificação indicativa: Livre
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