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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Ex-redator-chefe do Jornal da Bahia depõe na Comissão da Verdade


O jornalista João Carlos Teixeira Gomes - o Joca, ex-redator-chefe do Jornal da Bahia, vai depor na Comissão Estadual da Verdade – Bahia (CEV/BA) nesta quinta-feira (21), a partir das 14h30, em audiência pública na Associação Bahiana de Imprensa (ABI), na Praça da Sé/Centro Histórico de Salvador. Ele esteve na linha de frente de uma guerra travada pelo político Antonio Carlos Magalhães contra o periódico, durante seis anos consecutivos, de 1969 a 1975, com a intenção de destruir o veículo. A luta de seis anos, que teve início em 1969, pós-Ato Institucional nº 5, colocou o profissional no banco dos réus de um tribunal militar.

Em janeiro de 2001, João Carlos Teixeira Gomes lançou o livro ‘Memórias das Trevas - Uma devassa na vida de Antonio Carlos Magalhães’, que vendeu 25 mil exemplares em apenas seis dias. Na época, revelou, em entrevista à revista IstoÉ, que ACM “foi criado e nutrido pela ditadura, velho perseguidor de desafetos, jornalistas e jornais”.

Na mesma entrevista, descreveu que canalizou para o livro a traumática experiência de quem enfrentou ACM. “Durante seis anos consecutivos, de 1969 a 1975, quando ele, então prefeito de Salvador e governador da Bahia - biônico em ambos os casos - tentou esmagar o Jornal da Bahia, do qual eu era redator-chefe, e me lançar na cadeia, usando a Lei de Segurança Nacional. Ele queria ser meu carrasco. Não conseguiu. Resisti até o fim e o derrotei”. Membro da Academia de Letras da Bahia, Joca escreveu ainda três livros de poesias, ensaios literários sobre Camões e Gregório de Matos, o ‘Boca do Inferno’, e uma biografia do cineasta Glauber Rocha.

Manchete censurada

A reprodução da primeira página do Jornal da Bahia, edição de 1º de abril de 1964, que circulou sem a manchete, retirada por imposição do Exército na madrugada do golpe militar, foi anexada ao primeiro relatório que a CEV/BA divulgou em dezembro de 2014. A manchete censurada era ‘Rebelião contra o governo’ e o texto principal, que foi publicado, dizia que a “crise iniciada com o levante de fuzileiros navais e marinheiros na Guanabara, na semana passada, agravou-se extremamente no decorrer da noite de ontem, estendendo-se a vários pontos do território nacional, sob a forma de insurreição política no Estado de Minas Gerais e de movimentação de tropas dentro daquela unidade da Federação e em outras regiões".

JBa

O Jornal da Bahia foi fundado em 1958, pelo militante comunista João Falcão. Um veículo progressista, ligado à esquerda, e fortemente perseguido por Antônio Carlos Magalhães. Ele suspendeu toda a publicidade oficial, pressionou empresários para que não anunciassem e usou meios jurídicos para desmoralizar o jornal, que criou o slogan ‘Não deixe esta chama se apagar', obtendo o apoio da população para não sucumbir às dificuldades financeiras. O Jornal da Bahia circulou até 1994.

Vinculada ao gabinete do governador, a Comissão tem o objetivo de apurar e esclarecer violações aos direitos humanos cometidas por agentes públicos entre os anos de 1946 e 1988, principalmente as violações ocorridas durante a ditadura militar, de 1964 a 1985. Atualmente, prepara o relatório final para ser divulgado em agosto próximo.

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