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sexta-feira, 12 de junho de 2015

Celebração cigana em Camaçari


A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi) participou no município de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), de uma celebração cigana, segmento que foi tema de seminário promovido no Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, vinculado ao órgão, em maio deste ano.

Durante o evento, na noite de quarta-feira (8), a secretária Vera Lúcia Barbosa destacou as contribuições do segmento para cultura baiana e brasileira, assim como a necessidade do respeito aos povos e comunidades tradicionais. “Só vamos combater o preconceito, de fato, por meio de ações educativas e conscientização da sociedade. Por isso, realizamos o seminário para discutir as questões que envolvem essa etnia”.

Na ocasião, ela participou, pela primeira vez, de um casamento de jovens ciganos da etnia calon e enfatizou a importância de estar “próximo para conhecer a realidade e elaborar políticas públicas direcionadas”. Segundo a liderança cigana do município, Gilson Dantas, existem 400 famílias ciganas em Camaçari, o que corresponde a cerca de 1.600 pessoas.

História

Para o cigano Jucelho Dantas, doutor em Ciências Biológicas, o preconceito com os ciganos já foi muito mais forte, porque até pouco tempo eram nômades, em sua grande maioria. “Eu só fui tirar a minha certidão de nascimento com 15 anos, quando também comecei a estudar. O estereótipo era tanto que os próprios ciganos internalizavam”.

Ele informou ainda que os ciganos migraram da Índia para Europa, de onde se espalharam pelo mundo. No Brasil, chegaram em 1574. Sua principal atividade econômica era a compra e venda de animais, o que mudou ao longo do tempo, como eletrodomésticos e carros. “São muito versáteis. Se adaptam às condições que são oferecidas”. 

Dia do Cigano

O Dia Nacional do Cigano foi instituído em 25 de maio de 2006 por meio de decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reconhecimento à contribuição da etnia cigana na formação da história e da identidade cultural brasileira. No calendário cigano, o dia 24 de maio é dedicado a Santa Sara Kali, padroeira dos povos ciganos.

A data também é um momento de reflexão acerca da sua histórica dificuldade de acesso a políticas públicas, reconhecimento e incentivo à integração deste segmento tradicional da população. “O reconhecimento dos ciganos no então governo Lula melhorou a autoestima do segmento, e, a partir disso, começamos a participar de vários encontros na Bahia e no Brasil”, afirmou Jucelho.

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