Mostras marcam a passagem do Mês da Consciência Negra.
Três grandes exposições integram, a partir desta segunda-feira, dia 30 de novembro, às 17 horas, a programação especial do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab) para o Mês da Consciência Negra. Duas das mostras apresentam trabalhos dos artistas plásticos J.Cunha e Alberto Pita, cuja trajetórias artísticas estão diretamente vinculadas ao universo afro-brasileiro. Uma terceira exposição reúne o acervo do próprio Muncab, com cerca de 260 obras relacionadas com a ancestralidade africana e a contemporaneidade, adquiridas como primeira coleção do museu, em 2011. O patrocínio do projeto Novembro Negro no Muncab – Arte e História é da Bahiatursa. A entrada é franca.
As exposições, apesar de diferentes na proposta, têm em comum a ênfase na valorização e difusão de aspectos da cultura de matriz africana, destacando a sua influência sobre a cultura brasileira. Através de documentos, fotografias, arte religiosa, esculturas, pinturas, ourivesaria e arte contemporânea de diversos artistas nacionais e estrangeiros, o Muncab consolida, assim, a sua preocupação em colaborar para a construção de um lastro cultural africano na Bahia e no Brasil.
Códice Brasil África – A mostra do artista plástico baiano J. Cunha apresenta quatro grandes instalações. A primeira, intitulada “Códice”, trata da questão da espiritualidade no contexto das religiões afro-brasileiras. Utilizando 21 telas, que se completam em um grande painel, Cunha compila símbolos e signos religiosos que traduzem a força dos elementos da natureza e outros que lastreiam a cultura afro. A segunda instalação, “Piracema”, aborda a procriação de peixes, questionando o papel das barragens - o elemento afro está presente nas pinturas internas que preenchem as cerca de 560 garrafas pet utilizadas na composição do trabalho. A terceira instalação intitula-se “Orábulos”, termo híbrido gerado pelas palavras retábulo (espanhol) e oratório (português), que traduzem uma mesma idéia: nichos religiosos, no caso, ilustrados com elementos do cotidiano da população negra, equilibrando realidade e ironia. Finalmente, uma quarta instalação, intitulada “Futbólia”, fala do futebol, ambientando um estádio numa gamela, evidenciando a relação do negro com o esporte mais popular do país.
Oyá Balé Contra as Intolerâncias - Reverenciar a participação de mulheres negras, descendentes de Iansã – orixá guerreira, rainha dos raios e das tempestades - na Revolta dos Búzios e nas lutas diárias é o objetivo da exposição “Oyá Balé Contra as Intolerâncias”, realizada pela entidade cultural Cortejo Afro, sob coordenação do artista plástico Alberto Pita. Através das artes plásticas, utilizando signos e símbolos vivos e presentes na religiosidade e cultura dos afrodescendentes, a mostra propõe a reflexão e discussão sobre ideais contemporâneos, tais como a luta contra a discriminação racial e intolerância religiosa, pela igualdade de gênero e, principalmente, pelo respeito à dignidade.
De acordo com Alberto Pitta, também presidente do Cortejo Afro, “esta instalação traz um pouco da atmosfera do carnaval 2015, onde, através das forças de Oyá Balé e Santa Bárbara, homenageamos a Ialorixá D. Anizia da Rocha Pitta e Silva – Mãe Santinha de Oyá, pelos seus 90 anos de vida dedicados à educação e à religião de matriz africana”. Vale lembrar que a “Revolta dos Búzios” foi um dos primeiros movimentos populares da História do Brasil, ocorrido em 1798,reunindo pessoas de vários seguimentos sociais para lutar pelos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, que contrastavam com a precária condição de vida do povo negro baiano.
Arte e História da Cultura Afro Brasileira/Acervo do Muncab – Reúne cerca de 260 peças adquiridas pelo Museu Nacional da Cultura Afro Brasileiro para compor o seu acervo inicial. A seleção das obras foi feita por um Conselho formado por nomes como Ubiratan Castro, Justino Marinho, Cecilia Soares, Juarez Paraiso e Muniz Sodré. O acervo é composto por pinturas, fotografias, esculturas e documentos relacionados com a cultura negra, com trabalhos da ancestralidade e da contemporaneidade. Entre as obras, destaque para pinturas de Heitor dos Prazeres, Debret, Estevão Silva, Maria LidiaMagliani, Rosana Paulino, Yeda Maria, Rugendas, Arthur Timotheo, José de Dome e Victor Frond. Há também fotografias de Walter Firmo e Eustáquio Neves; e esculturas de Mestre Didi, Manuel Bonfim, Agnaldo Santos e Edival Ramosa. Entre as peças sacras, foram adquiridas imagens de Santo Estebão e Santo Antonio de Cartigeró, além de uma de Nossa Senhora do Rosário (terracota) que data do século XVII. A mostra se completa com peças de ourivessaria e imaginária, uma seleta com 20 fotografias do antropólogo francês Pierre Verger e cerca de 30 obras de arte africana da coleção do artista argentino-baiano Carybé.
Projeto de afirmação cultural
O processo de construção do Museu Nacional de Cultura Afro Brasileira teve início em 2007 com as obras de restauração do prédio do antigo Tesouro, localizado no Centro Histórico, nas imediações da Igreja D’Ajuda. Em 2009, ainda em obras, o Muncab realizou a sua primeira exposição: “O Benin Está Vivo e Ainda Lá”. Sucesso de público – foi vista por cerca de 10 mil pessoas – a mostra ajudou a definir o papel do Muncab como referência cultural no cenário afro-brasileiro .
A ideia do projeto do Muncab, como explica o seu coordenador, José Carlos Capinan, é fazer do museu um verdadeiro centro de referência da herança cultural africana. Enquanto as exposições temporárias enfocarão o trabalho de artistas ligados ao universo da afro-brasilidade, o acervo da casa será dividido em módulos, privilegiando desde a estética negra à religiosidade afro-brasileira, passando pelas contribuições africanas à língua brasileira e personalidades negras.
· Novembro Negro no Muncab – Arte e História
Período: 30 de novembro de 2015 a 30 de janeiro de 2016
Horário: terça a sábado, das 10h às 17h
Local: prédio do Museu Nacional da Cultura Afro Brasileira
Endereço: Rua do Tesouro, s/n Centro Histórico / Salvador
Entrada franca
Informações: 71-3017-6722/30226722

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