Reforçando o empoderamento das mulheres negras e combater o machismo e o preconceito racial, foi realizado na noite desta terça-feira (22), na sala principal do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador, a edição especial do projeto Mulher com a Palavra, promovido pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), em parceria com a Maré Produções Culturais. Esta edição fez parte da programação do Novembro Negro na Bahia e, além da titular da SPM Olívia Santana, reuniu no palco do TCA, a poetisa e atriz Elisa Lucinda, e as cantoras MC Carol e Preta Gil. Três artistas, negras, que conquistaram seus espaços no mercado artístico driblando o preconceito reforçado pelo machismo.
Conforme Olívia Santana, o evento também marca o início dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres que, no Brasil e na Bahia, ganham mais 5 dias. "Dedicamos esta edição aos 21dias de Luta pelo Fim da Violência Contra a Mulher. As mulheres negras sofrem mais com o feminicídio, com a violência. A taxa de assassinato de mulheres brancas é de 2,4 na Bahia. Uma taxa alta. Mas quando a gente olha a taxa de mulheres negras, é de 5,9 assassinadas a cada grupo de 100 mil mulheres. O machismo quando cruza com o racismo produz uma realidade ainda mais brutal".
Para Elisa Lucinda, que além de responder perguntas também fez intervenções poéticas, o sistema machista é estruturado e também mantido por algumas mulheres. "São mulheres que se acabam pelos seus maridos controladores, que medem o comprimento da saia. Confundem o amor com o pensamento de opressão e posse. Elas precisam ficar atentas para achar a força. A mesma força que faz suportar tanto sofrimento é a que pode te tirar dele".
A cantora Preta Gil, por sua vez, frisou que a melhor maneira de as mulheres se empoderarem é investir nas próprias vocações. "Eu descobri meu dom na arte. Mas toda mulher que consegue encontrar algo que realmente ame de verdade e trabalhe com aquilo, seja cozinhando, num escritório ou como médica. Em qualquer profissão, o mais importante, o que dá mais força pra gente é a plenitude de se fazer o que ama".
Um dos ícones da “Geração Tombamento”, a MC Carol que se autointitula 100% feminista, utiliza o funk para motivar as mulheres que vivem em comunidades carentes a não se deixarem vencer pelo racismo e o machismo. A artista foi além do tema e afirmou que também defende o fim do preconceito contra as pessoas obesas. "Independente de ser negra, gorda, da favela, a gente é feliz".
Para a estudante do curso de História da Universidade do Estado da Bahia, Katarina Martins, de 18 anos, o projeto Mulher com a Palavra faz com que o público, ao se identificar com as histórias de vida das artistas, se sinta representado. "Ter essas mulheres, aqui é elevar a fala da mulher negra para que todos ouçam e possam realmente debater a situação da mulher negra na sociedade brasileira".
Com informações Secom/GOVBA
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